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03/01/2014 19:31 Autor Redação CARNAVALESCO (email: redacao@carnavalesco.com.br)

Sambas Série A 2014: veja justificativas dos jurados do site CARNAVALESCO

Rodrigo Coutinho (repórter do site CARNAVALESCO)

 

Viradouro - Nota 10
Melodia perfeita, com destaque especial para a passagem do refrão do meio para a segunda do samba. A obra segue o padrão característico da agremiação: refrão explosivo e letra muito bem construída, além de poética em alguns versos, como nas frases ''Caminhos que o mestre traçou//Se curvam ao meu cantar''. Um dos melhores sambas do grupo, pois também conta muito bem o enredo proposto e mostra bastante coerência entre o conteúdo da letra e as variações melódicas.

 

Império Serrano - Nota 9,8
Samba que tem como ponto alto a primeira - parte compreendida entre o refrão principal e o refrão do meio. Melodia perfeita e letra muito bem construída neste trecho. Panorama que se assemelha em menor escala de qualidade nos últimos quatro versos da segunda do samba e também no refrão do meio. Os últimos dois versos do refrão principal, porém, quebram o dinamismo melódico esperado desta parte da obra, principalmente no trecho 'Angra é o cenário''. Os três primeiros versos da segunda do samba poderiam ser melhor trabalhados melódicamente também.

 

Inocentes de Belford Roxo - Nota 9,8
Obra muito bem construída melódicamente em sua maior parte. O refrão do meio, porém, destoa um pouco. Me soa um tanto incoerente musicalmente ao restante da obra. Apesar de ser um samba extenso, possui criatividade nas passagens melódicas, sobretudo na primeira parte da composição. Letra correta e poética, exceto nos dois últimos versos do refrão principal.

 

Estácio de Sá - Nota 10
Ótimo samba! Muito bom ver a Estácio voltar a ter uma das melhores obras do grupo, digna de brigar pelo título. Composição sem pecados tanto em letra - não tão poética, mas correta -, quanto em melodia, que tem seu destaque do verso ligeiramente 'maxixado' ''E bota-abaixo, vai levantar poeira'' até a preparação para o refrão principal. Me agrada bastante também a construção dos versos da primeira parte da obra, com tonalidade mais baixa que as usadas costumeiramente em outros sambas, mas que possibilita a valorização do verso ''Com fé venceu a escravidão''. Bom casamento de vozes entre Leandro Santos e Dominguinhos.

 

Rocinha - Nota 9,7
Samba que tem como maior mérito a boa melodia - sem brilho, porém - e o ar alegre que vem caracterizando os últimos desfiles da agremiação de São Conrado, mas a obra em homenagem ao bairro vizinho tem problemas em sua letra. Algumas rimas me soam um pouco forçadas, com uso de palavras que agridem o mínimo de riqueza poética que um samba enredo deve ter. Ex: lelé da cuca com Barra da Tijuca, medalha no peito com bairro perfeito. E os versos: ''A emoção toma conta de mim/Uma alegria que não tem mais fim'', que fogem do parâmetro descritivo adotado no restante do samba. Ainda na letra, me agrada a expressão ''lagoas que adocicam a boca do mar''. Um exemplo de como outras passagens da letra poderiam ser mais bem trabalhadas.

 

Caprichosos de Pilares - Nota 9,8
Samba sem grandes falhas técnicas tanto em letra quanto em melodia e com dois bons refrãos - sobretudo o principal -, mas a meu ver fica devendo no estilo adotado. Um enredo sobre a Lapa pede uma obra com estrutura melódica mais ''malandreada'' e letra um pouco menos comprometida com a descrição histórica, já que o samba é a trilha sonora de um espetáculo audiovisual. Me pareceu ligeiramente desnecessária a inclusão da expressão ''show de emoção'' na segunda parte do samba.

 

Unidos de Padre Miguel - Nota 10
Na minha opinião a melhor gravação do CD. Arranjos muito inteligentes e cumprindo a função de elevar o nível do samba, além da ótima interpretação de Marquinhos Art Samba e a inclusão do violino em alguns trechos. Melodia perfeita, com seu ponto alto do verso ''Cigana... Meu destino já leu no tarô'' até a entrada no refrão principal. Letra corretíssima. Não tem grande capacidade poética, mas conta o enredo de ''fora a fora'' de forma criativa. Integração entre a melodia e o significado da letra muito bem ajustado.

 

Renascer de Jacarepaguá - Nota 10
A junção de duas grandes referências de diferentes estilos do samba carioca só poderia dar num belíssimo resultado. Julgar o samba da Renascer não é fácil. Primeiro pelo cuidado que se deve ter para não deixar-se levar pelo currículo de Moacyr Luz e Cláudio Russo, compositores da obra. Segundo pela estrutura melódica diferenciada e incomum aos sambas enredo mais recentes. A estratégia acertou o alvo perfeitamente e a conclusão é uma obra que transmite fielmente a história e o espírito do cartunista Lan, homenageado da Vermelho e Branco. Letra perfeita!

 

Porto da Pedra - Nota 9,9
Samba de ótimo nível para cantar a melhor concepção de enredo da Série A em 2014. A letra é muito bem construída. Com trechos poéticos, contextualiza a origem do mestre sala e da porta bandeira historicamente e presta merecidíssima reverência em alguns versos, ex: ''Um toque de mãos/Um gesto no olhar/ A doce harmonia da cumplicidade/ Suor pela arte em defesa das cores''. Refrãos qualificados. Melodia flui maravilhosamente bem até a preparação para o refrão principal, quando há uma leve queda de qualidade a partir do verso ''Mas é claro que existe a mão divina a conduzir''. A meu ver o único pecado da obra.

 

Santa Cruz - Nota 9,8
Um típico enredo CEP(Cidade, Estado, País). Que acaba sujeitando os compositores aos efeitos de um tema desta natureza. Nada contra a bela cidade de Jundiaí, mas o conteúdo histórico do município não é tão inspirador para um grande samba enredo. A Santa Cruz tem um samba correto para o Carnaval 2014. Perde dois décimos pelo traço comparativo com as demais obras da ótima safra da Série A. Melodia bem construída, com variações inteligentes, principalmente na segunda parte da obra. A letra tem dois pecados. O primeiro, no refrão principal. ''Chegou Santa Cruz, o chão vai tremer/ A comunidade faz acontecer'' é uma estratégia para inflamar ainda mais o componente da Verde e Branco, mas foge do padrão descritivo do restante da obra. O segundo é o uso de algumas expressões genéricas, que poderiam ser usadas em qualquer enredo do gênero: '' Terra de rara beleza'', ''Natureza emoldurada pelo criador'', ''Cultura, lazer, paixões populares''.

 

Cubango - Nota 10
Na minha opinião disputa com a Renascer de Jacarepaguá o ''décimo extra'' de melhor samba do grupo. A escola, acertadamente, aposta em sua essência. Desde que o mundo é mundo, a Cubango conta com grandes sambas quando desfila com enredos afros, por mais que o tema traga expressões já vistas diversas vezes. Apesar desse porém, tem a letra emocionante e poética, principalmente no início da segunda do samba, com a citação a Nelson Mandela e seus conceitos. A melodia é um primor e os refrãos têm a força necessária para um baile na Avenida.

 

União do Parque Curicica - Nota 9,6
Uma ótima ideia de enredo, mas que acabou não rendendo um samba a altura. Muito pela decisão, equivocada a meu ver, de promover uma junção de sambas. Melódicamente a obra é monótona, não conta com boa fluência e isso prejudica diretamente alguns trechos. Ex: ''Não pode parar a produção/ O verde no nordeste dá o tom'', ''O marafo dá força ao limão/ É São João, festança''. A letra discorre todo o processo de descoberta e produção da cachaça, mas falta mais irreverência, presente apenas no refrão principal, e também poesia em alguns versos.

 

Paraíso do Tuiuti - Nota 10
O que falar da obra-prima apresentada originalmente pela Vila Isabel em 1988? Literalmente nada. Um samba perfeito em essência, letra e melodia. Responsabilidade muito grande para a agremiação de São Cristóvão. Principalmente porque Kizomba não representa só um samba para o carnaval. Kizomba é um símbolo cultural, o carnaval desprovido do luxo e da riqueza. Apesar de já ter ouvido diversos comentários negativos, a gravação me agradou. Achei correta e linear a interpretação de Daniel Silva.

 

Alegria da Zona Sul - Nota 9,9
Bom enredo dá bom samba! A máxima valeu para a Vermelho e Branco. A obra tem como ponto alto o refrão principal, com saudação a Iemanjá, simbologia forte do bairro de Copacabana. Melodia correta e a letra descreve de forma perfeita o enredo, sem trechos genéricos. Perde um décimo pela leve queda na dinâmica melódica no refrão do meio. A meu ver, um pouco extenso.

 

União de Jacarepaguá - Nota 9,8
Melodia um pouco irregular. Varia com ótimos momentos e outros não tão felizes, como os versos de preparação para o refrão principal, o que acaba manchando o belo início da segunda do samba. O refrão principal me passa pouca força também, poderia ser melhor trabalhado nos dois últimos versos. O ponto alto da obra é o refrão ''Tem batuque tem magia...'' e a passagem para o verso ''E nos braços de Olorum...''. Letra bem construída numa obra de três refrãos.

 

Tradição - Nota 10
Mais uma reedição da Tradição... Desta vez uma presença ilustre na gravação, Neguinho da Beija-Flor, autor do ótimo samba da escola nilopolitana em 1976 e que volta para a Avenida em 2014. Ao que se propõe, a obra é perfeita em letra. Conta uma parte da história do jogo do bicho corretamente e ainda é bem humorada. Melodia propícia para o canto fácil da escola. É linear, mas sem deixar de ser criativa. Detalhe para a revelação: '' Alô, Papai! A família Tradição também te ama''.

 

Em Cima da Hora - Nota 9,9
Longe, mas bem longe de mim querer apontar defeitos em um dos maiores clássicos da história do carnaval. Achei, porém, que o tom adotado na gravação não foi o ideal. Demasiadamente alto, descaracteriza um pouco o ar de lamento que o belíssimo samba tem originalmente. Há quem diga que foi este um dos motivos para o desfile original de ''Os Sertões'' não ter dado certo. Não estava lá e portanto não posso discordar ou concordar, mas creio que a melhor opção para a escola seja executar a obra mais próximo possível de sua maneira natural. O público do Sambódromo e os julgadores podem sentir a diferença.

 

Fred Soares (colunista do site CARNAVALESCO)

 

VIRADOURO

 Assim como em 2013, a escola mais uma vez optou por um samba curtinho, que aposta muito na valentia de sua melodia. Longe de ser uma obra-prima, é uma composição bem regular e que resume o complexo enredo com grande poder de concisão. - 9,7

 

IMPÉRIO SERRANO

Um samba cuja melodia é adequadíssima ao estilo da virtuosa bateria da verde-e-branca de Madureira. Para o bem de todos nós, a melodia traduz com vigor os valores culturais propostos pelo tema. Nem parece ser um samba que ilustra um enredo que, no seu nascimento, parecia ser mais um cartão-postal. - 9,8

 

INOCENTES DE BELFORD ROXO

Um primor de samba-enredo. Para mim, um dos melhores do ano, contando inclusive o Grupo Especial, e o melhor da Série A. Uma melodia com notória linha tradicional que emoldura uma letra de sensível poesia para homenagear uma personagem tão pouco conhecida do grande público. Lindo demais o trecho que diz "reluz feito oração, um esplendor a sua música / unindo o piano ao tambor / forjando um futuro de paz / a margem que se revelou / o encanto se faz". - 10

 

ESTÁCIO DE SÁ

Tá certo que o enredo foi criado para adoçar a boca do atual alcaide, mas produziu um samba que, de olhos fechados, é a cara do Leão. A valentia melódica é o carro-chefe da obra de 2014, mas não esconde boas sacadas poéticas como os versos "e bota-abaixo, vai levantar poeira é de Pereira, “Passos” da criação" ou "nos braços da vida, se entrega ao prazer / “é terna” Praça Mauá!" -9,8

 

ACADÊMICOS DA ROCINHA

Novamente, a Rocinha opta por um samba mais solto, leve e descontraído. A fórmula vem dando certo e como dizem que em time que está ganhando não se mexe... Mas analisando apenas o teor musical, ele fica atrás de outras composições da Série A. A melodia prima pela animação e a letra, fácil de ser absorvida, não nos presenteia com grandes soluções. - 9,4

 

CAPRICHOSOS DE PILARES

Um samba que a gente pode chamar de redondo. O enredo está todo ali. A letra, simples, nos apresenta versos que não aparecem largados no samba. Destaque para o refrão do meio, com uma grande solução poética e de melodia:"em nosso cais, senhores do mar / um “trago” a mais, desejo no olhar / nos cabarés, requinte à francesa / “jogavam” a paixão com “ás” cartas na mesa". - 9,6

 

UNIDOS DE PADRE MIGUEL

Talvez seja o samba em que haja maior disparidade entre letra e melodia. A primeira é simplória, com versos que até retratam o enredo, mas aparecem sem grande conexão entre eles. Já a melodia é contagiante, com uma beleza que, tenho certeza, vai impulsionar a dança e o canto da escola na hora do desfile. - 9,5

 

RENASCER DE JACAREPAGUÁ

Um grande samba. Do rol dos melhores do grupo. É o melhor conjunto letra/melodia de todos os sambas da Série A de 2014. Percebe-se claramente o cuidado dos compositores na elaboração da poesia, com notória preocupação na procura por palavras que fugissem ao lugar-comum e valorizassem o produto final. Essa é uma das funções do compositor, tratar a sua letra como uma jóia bruta que sempre merece ser lapidada. - 9,9

 

PORTO DA PEDRA

Mais um primor de 2014. Uma melodia que, se bem trabalhada, vai causar muita emoção no desfile da agremiação de São Gonçalo. E, de quebra, boas alternativas de poesia, como a do refrão do meio: "desce do morro e vem pro asfalto / toma de assalto o meu coração / me rendo à beleza da sua leveza / é dia de festa! é coroação". - 9,8

 

SANTA CRUZ

Pelo visto, não teve como os compositores fugirem do espírito "cartão-postal" do enredo. O resultado está numa letra que retrata bem a cidade de Jundiaí, mas sem grandes voos de criatividade. - 9,3

 

CUBANGO

A escola de Niterói parece mesmo talhada para produzir belos sambas de temática afro-brasileira. E terá mais um em 2014. Principalmente por conta da sua melodia, com boas variações, que não deixam o entusiasmo cair. A letra também apresenta boas soluções. - 9,7

 

CURICICA

A cachaça,produto tão tipicamente brasileiro, poderia ser retratada com mais bom-humor no samba da Curicica. A impressão que dá é de que os compositores ficaram engessados pela proposta do enredo e o resultado foi um samba que ficou aquém de seus concorrentes no grupo. - 9,2

 

PARAÍSO DO TUIUTI

Uma feliz reedição. Um samba de versos curtos, porém fortes, e com uma melodia extremamente valente. A gravação, na voz do competente Daniel Silva, e com belíssimo cuidado no arranjo, valorizou a obra. Peguemos a gravação original de 88 e a comparemos com a atual, que a percepção disso é evidente. - 9,9

 

ALEGRIA DA ZONA SUL

Outro samba em que há um vácuo entre letra e melodia. A poesia, com muito sabor, nos apresenta as belezas e a história de Copacabana com grande clareza. Está tudo ali. Mas faltou um maior apuro na construção melódica. - 9,5

 

UNIÃO DE JACAREPAGUÁ

Um tema afro, ao qual os compositores se adaptam tão bem, merecia uma poesia mais caprichada. Percebi uma letra um tanto simplória, mas emoldurada por uma boa melodia. - 9,5

 

TRADIÇÃO

Outra reedição que cresceu bastante na gravação do CD. O ritmo mais acelerado em relação à gravação de 76 nos mostra o quão valente é este samba que, na Avenida, vai mostrar força. - 9,8

 

EM CIMA DA HORA

A qualidade do samba nem se discute. A letra então é um verdadeiro épico. Mas queria muito salientar a qualidade do arranjo na gravação, principalmente a competente uso dos instrumentos de harmonia, que deu uma cara nova, moderna a esta tradicionalíssima composição. Acho, inclusive, que deveria servir como base para a própria Avenida. - 10

 

Ricardo Barbieri (colunista do site CARNAVALESCO)

Em Cima da Hora - 10 - Um sambaço cravado por todos como o melhor de todos os tempos suportaria(ou suportará na avenida) o andamento acelerado e a pausterização do gênero ? A julgar pelo CD "Os Sertões" venceu estes obstáculos. Muito bem gravado por Antonio Carlos e Artur Mocidade conta ainda a favor do samba não ser um hit nas quadras. A execução foi obrigatória apenas nas bandas de Cavalcanti o que preservou a obra de certo desgaste pela execução incessante em todas as quadras e eventos de samba.

 

União de Jacarepaguá - 10 - A União de Jacarepaguá poderia se acomodar e apostar em uma reedição para manter-se no grupo. Seria a decisão menos arriscada. No entanto a escola foi corajosa para apresentar uma obra inédita. Com a ala de compositores talentosa que tem por lá (mesmo encomendado) não poderíamos ter outro resultado que não o belo samba que ouvimos agora. Digno da história da União. Os dois refrões no meio do samba são uma delícia de cantar e o trecho:"Só assim, sinto novamente aquele abraço..." é emocionante.

 

Acadêmicos da Rocinha - 9,6 - Ano passado a escola já havia apelado ao bom-humor na letra do seu samba. O "podrão" citado pelo samba caiu no gosto da galera e fez sucesso no desfile. Em 2014 a aposta no bom-humor segue porém o apelo parece ser bem menor e a "Miami já fiquei lelé da cuca", não chama atenção da forma positiva que acontecia no ano passado. O samba em geral acaba por não ter nenhum momento que chame atenção.

 

Renascer de Jacarepaguá - 10 - Muito bom ver um samba que desafia a estrutura padrão dos sambas atuais com tanta maestria quanto este. E melhor ainda ouvir o show de interpretação de jovens intérpretes como Diego Nicolau e Evandro Malandro. é um dos sambas que mais ouço, dos meus preferidos no CD da Série A. Falar de Lan é falar do carioca, mais do que falar do Rio. E a letra é um hino do carioca da gema inspirador do cartunista Lan. 

 

Unidos do Porto da Pedra - 10 - Para falar dos majestosos casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira a Porto da Pedra precisava de uma letra que pegasse na veia. Foi o que aconteceu. A letra parece ter sido cuidadosamente construída. O bailar leve e gracioso dos casais se une a nobreza de sua função neste belo samba brilhantemente interpretado por Anderson Paz, um dos grandes intérpretes do carnaval carioca.

 

Paraíso do Tuiutí - 9,9 - "Kizomba" foi mais que um samba para a Unidos de Vila Isabel, foi um acontecimento épico. O samba claro é lindo e veio a sagrar-se um dos melhores da história do carnaval carioca. As reedições, no entanto, sofrem desta armadilha histórica: a impossibilidade de repetir um acontecimento épico tal como na sua primeira vez. Diferente de "Os Sertões", o samba da Vila é executado com certa regularidade nas mais diferentes quadras de escola de samba. E em nossos tempos é um samba que parece não resistir ao andamento acelerado dos nossos desfiles. Agora é aguardar o momento e conferir como ele se comportará na Sapucaí.

 

Inocentes de Belford Roxo - 9,7 - O enredo é muito bom. A letra do samba é bem construída, mas a melodia não acontece. Ouvimos o samba da Inocentes aguardando aquele momento em que somos convidados a cantar com vontade e isso não acontece.

 

Império Serrano - 10 - O Império vem com jeitão de Império mesmo. "O reizinho de Madureira chegou" é o mote genial para anunciar a sua chegada bem ao estilo imperiano. Com a galhardia da bateria sinfônica o samba de bela melodia ganha ainda mais brilho. Muito provável que os imperianos venham com aquela garra costumeira cantando forte este samba, um dos melhores do CD.

 

Tradição - 9,9 - "Sonhar com Rei dá Leão" é outro daqueles sambas que marcaram a história do carnaval carioca. E mais uma vez a Tradição aposta no apelo da reedição para alcançar as notas máximas dos jurados.  No carnaval 2013 foi essa aposta que "segurou" a escola no grupo. Será que a aposta trará resultados para 2014 ? O que não dá para entender é uma escola que fez sambas tão bonitos na década de 80 apelar repetidamente ao recurso da reedição. 

 

Alegria da Zona Sul - 9,8 - Faltou ao restante da obra o brilho de sua parte final. O trecho "No teu centenário nasce a alegria/Canta galo, pavãozinho e pavão/Um mar de fantasia, um banho de emoção/Para este sonho ser real/Nossa escola campeã do carnaval" é uma delicia de cantar e se olharmos a letra é de uma felicidade incrível, até mesmo para citar os morros. Faltou ainda o brilho da melodia do simples mas gostoso refrão principal do samba.

 

União do Parque Curicica - 9,6 - O bom e bem-humorado refrão da Curicica ("Bate o tambor que o samba vai começar/Alô garçom traz a marvada pra cá/E se tem cachaça o povo fica,/O povo fica no embalo da Curicica") destoa do restante que parece uma colagem de vários trechos dissonantes. O restante do samba parece não acompanhar a proposta do refrão principal. 

 

Caprichosos de Pilares - 9,8 - Um enredo inspirador e uma escola com tradição de belos sambas mereciam mais primor no samba para 2014. O grande destaque aqui é o refrão central de melodia gostosa ("Em nosso cais senhores do mar/Um "trago" a mais, desejo no olhar/Nos cabarés, requinte à francesa/"Jogavam" a paixão com "as" cartas na mesa"). O refrão principal sofreu alterações em relação a versão concorrente e confesso que preferia a versão anterior.

 

Unidos do Viradouro - 9,8 - A grande celeuma criada no samba da Viradouro foi a saudação Tupi "Anauê". O caso é que ela também era uma saudação dos integralistas brasileiros defenestrados após a 2a Guerra Mundial. Tal acusação foi motivo até de declarações oficiais da escola. De fato, quem ler o enredo logo verá que a intenção da escola de forma alguma era exaltar integralistas e sim os indígenas. Assim, acho difícil alguém tirar ponto por conta da palavra no samba da Viradouro. A primeira parte um tanto genérica, no entanto, pode ser passível de críticas mais contundentes.

 

Estácio de Sá - 10 - Uma bela obra traz a Estácio para a avenida. Uma obra que reflete a beleza do enredo de Jack Vasconcelos. O samba que já começa muito bem em seu refrão vai numa incrível crescente até chegar na ótima segunda parte "E bota-abaixo vai levantar poeira...". Numa histórica gravação que une duas gerações distintas de estacianos, Dominguinhos e Leandro Santos dão conta do recado culminando na parte mais bonita do samba onde se presta tributos à (e)"terna" Praça Mauá. 

 

Acadêmicos de Santa Cruz - 9,7 - Mesmo com belos trechos melódicos como os versos que antecedem o refrão principal ("Viva o seu parque industrial/ És referência nacional") a Santa Cruz não consegue fugir das referências óbvias de todo enredo sobre cidade. Estão lá a colonização, a escravidão, o progresso e por ai vai. Assim o samba não consegue em sua letra destaques como o que mereceu em sua melodia.

 

Unidos de Padre Miguel - 9,9 - Padre Miguel vem com dois belos sambas para 2014. A Unidos segue a tendência da Mocidade e apresenta um bom samba para o próximo carnaval. Com uma bela melodia só faltou uma letra um pouco mais aprimorada para figurar entre os melhores da Série A para o próximo carnaval.

 

Acadêmicos do Cubango - 10 - Muito provável que este samba da Cubango venha a disputar todos os prêmios de melhor samba da Série A. Justifica isso a beleza da obra que não cai na vala comum de muitos sambas "afro". A letra e a melodia são diferenciadas, fáceis e gostosas de cantar. Felicidade extrema dos compositores e da escola.

 

Luis Carlos Magalhães (Colunista do site CARNAVALESCO)

 

EM CIMA DA HORA: 10- Como dar nota menor que dez para um dos cinco maiores sambas da história? Mas como dar 10 se o único mérito da escola, quanto ao samba, está sendo repeti-lo? A reedição é sempre uma controvérsia, mas neste caso se justifica. É um samba da própria escola e cumpre o papel da reedição que é o de trazer para as novas gerações um belo momento do passado.

 

Tradição: 10 - questionamento semelhante. Igualmente um dos sambas melhor construídos da história, mas qual é o mérito da escola para merecer pontuação máxima. Não há aqui o mesmo “espírito” da Em Cima da Hora: não é um samba da própria escola, e sim uma manobra da escola para garantir nota máxima em pelo menos um quesito. Mas que o samba é nota 10, isto é.

 

União de Jacarepaguá: 9.5 - Traz um “gostinho” do samba do enredo “Jorge De Lima”, da Mangueira, no verso Â“É Dom Quixooote, é Zé Pereeeira(...)”, pura coincidência, quero crer. Um samba encomendado que cabe certinho no enredo, sem outras pretensões.

 

Alegria da Zona Sul: 9.4 - Samba sem grandes pretensões; “pegou” bem a sinopse, aspecto que faz o conteúdo superar em muito a melodia. Vai “servir” ao projeto da escola. Um samba “missão cumprida”.

 

Paraíso de Tuiuti: 10 - padrão idêntico ao da Tradição, com a diferença que, neste caso, não é uma repetição de comportamento. Como julgar um dos maiores sambas de um dos maiores desfiles da história sem dar 10, não querendo dar 10? Nem todo chute pega na veia, como naquele já tão distante 88. Fica a curiosidade de saber como os que não viram reagirão. E os que viram? Como reagirão os julgadores? Mas que o samba é nota 10, ah! Isto é.

 

Curicica: 9.5 -“junção” que me desagradou muito à época da finalíssima. Mas deu um resultado surpreendente no disco. Merece menção honrosa porque é um samba assumidamente do acesso, e um enredo do acesso. O que aparentemente pode parecer uma desaprovação, aqui significa uma aprovação e a mostra de que a escola tem consciência do momento de ascensão que vive, mas tem pé no chão.

 

Cubango: 10 - quase leva o título de samba arrepiante do ano. Mas não foi superada por ninguém nesse quesito em um carnaval sem arrepios. A nota 10 aqui passa longe de significar perfeição, apenas para propiciar a indicação do melhor samba da safra do acesso.

 

Santa Cruz: 9.3 - mais um samba sobre cidades. A arte do compositor será tentar fugir do modo “jingle” ao enumerar as qualidades do lugar. O samba fez isso, só isso. Cumpriu sua missão de servir ao desfile.

 

Porto da Pedra: 9.6 - melhor enredo do acesso acabou por dar um merecido “descanso” à ala de compositores acostumada a “tirar leite” de pedra nos últimos anos. A resposta veio com bons sambas na disputa, premiando este aí do disco, com toda justiça. Taí uma boa trilha sonora para o esperado bom desfile da escola.

 

Renascer: 9.8 - É o samba que mais gosto de ouvir da safra . Parece até samba samba de bloco. Quando dito assim soa depreciativo, mas não desta vez.. Não por ter andamento, aceleração ou pela puxada da bateria típica dos blocos, mas pelo altíssimo astral que inspira.

 

Unidos de Padre Miguel - 9.9 - fortíssimo e melodioso, um dos melhores. Vai fazer bonito: samba que tem “marca”. Os compositores decifraram o enigma do enredo com os pés nas costas. Samba que a gente ouve de longe e diz: “ olha lá o samba da Unidos de Padre Miguel”. Só perde pra Cubango.

 

Caprichosos: 9.5 -outro enredo “alegria dos compositores”. E foi esse samba aí que, pelas vantagens melódicas oferecidas, se saiu vencedor. E ainda contou com alguma melhora na gravação do disco. Vai musicar a Lapa.

 

Rocinha: 9.3 - Foi um samba que se apresentou muito fraco no momento da indicação. Mas, olha... deram uma tremenda arrumada nela de lá para cá..., ah! isso deram. Fica a impressão de que o compositor da Rocinha é um forte por tirar leite de pedra no enredo menos feliz do ano.

 

Estácio: 9.7 - A generosa sinopse propiciou, para a disputa, sambas-lençóis, considerando os padrões atuais. Esse samba que agora ouvimos foi o que melhor contemplou o projeto da escola, ainda que seu tamanho, na disputa, tenha lhe tirado um pouco sua força. A boa gravação e a ênfase no último refrão colocam o samba entre os bons do grupo.

 

Inocentes: 9.5 - outro enredo fecundíssimo. A escolha do samba revelou uma nova modalidade: a junção que já vem pronta. Ou seja: é feita sem que os sambas concorrentes venham à público. A sinopse foi generosamente atendida e o samba ainda oferece boas passagens melódicas.

 

Império Serrano - 9.7 - Mais um enredo sobre cidades ou regiões. Se o enredo mudasse o nome para “A FESTA DA FOLIA DO SAMBA E DO JONGO” ninguém perceberia a relação com Angra dos Reis. Mesmo assim os compositores “dichavaram” à vontade para fugir à mera função de propagandistas, evitando os indesejáveis “sambas-jingles”. A melodia é sedutora e fez a diferença em uma safra “meia bomba” de uma escola célebre por sambas formidáveis.

 

Viradouro: 9.6- extraído de uma safra nada especial de uma escola pródiga em bons sambas. Ao optar pela parceria de Dudu Nobre certamente o caminho escolhido foi o de um samba mais equilibrado entre uma abordagem menos descritiva, mas com melodia mais marcada em várias passagens. Sem grande brilho, o samba cumprirá a função de traduzir o desenvolvimento não tão claro no argumento da sinopse.

 

Alberto João (editor do site CARNAVALESCO)

 

Viradouro: 10. Samba perfeito. Letra descreve muito bem todas belezas de Niterói e ainda homenageia diversos pontos turísticos da cidade e grandes obras, como a Ponte Rio-Niterói, que leva a Viradouro aos grandes carnavais no Rio de Janeiro. Destaque para os versos finais da segunda parte. Zé Paulo, cheio de talento, conduz com maestria o samba que pode impulsionar o desfile da escola de Niterói ao sonhar de voltar ao Grupo Especial. 

 

Império Serrano: 9.8. Muito boa a sacada do enredo e do samba no encontro do reizado com o maior Império de bambas, que é o Império Serrano. O mérito da letra é misturar a cidade de Angra dos Reis com todas glórias do Império Serrano e da comunidade da Serrinha. A dificuldade aparece na extensa letra. Em alguns momentos, o samba cansa, porém, a comunidade imperiana não deve se assustar. O canto não será nenhum problema para impedir o sucesso do desfile. 

 

Inocentes: 9.8. Ciganerey em alto nível. É um dos sambas mais gostosos de ser ouvido com calma e em um ambiente tranquilo. A virtude está na beleza da letra e na melodia, mas por ser bem trabalhado, pode sofrer quando depender do canto da comunidade. Será uma tarefa árdua para comunidade de Belford Roxo. Falta um ponto para explosão do samba, que é tão pedido nos desfiles atuais. 

 

Estácio: 10. Berço do samba, a Estácio de Sá não brinca em serviço e mostra com a obra de 2014, que fazer samba é fácil para os compositores da escola. A obra para o desfile desse ano traduz perfeitamente o enredo e fica muito agradável para cantar. A interpretação de Leandro Santos impulsiona ainda mais o samba e Dominguinhos do Estácio é a cereja no bolo. 

 

Rocinha: 9.8. A Rocinha segue o modelo dos últimos carnavais com um enredo e samba fácil. O intérprete Leléu conduz muito bem o samba, que apesar de ser alegre, esbarra em partes que não ficaram claras no enredo e por consequência no samba. O refrão principal é o ponto alto do samba. Com o canto dos componentes, que cresceu nos últimos anos, e o desfile de fácil leitura e irreverente da Rocinha, a expectativa é boa para apresentação da escola de São Conrado.

 

Caprichosos: 9.8. A escola de Pilares escolheu um caminho diferente para o seu samba. A irreverência sumiu no ano que o enredo é a Lapa e a Caprichosos poderia desfrutar de vários momentos da boemia carioca. O intérprete Thiago Brito, sempre seguro, leva muito bem a obra. 

 

Unidos de Padre Miguel: 10. O ótimo enredo deu um ótimo samba. A obra traduz perfeitamente todo o enredo e ao ouvir o samba você identifica com facilidade como será o desfile. O cantor Marquinhos Art Samba é muito talentoso e tem um potencial vocal enorme. No futuro, ele tem tudo para estar no hall dos melhores cantores do carnaval carioca. 

 

Renascer de Jacarepaguá: 10. Maravilhoso. Descreve prefeitamente o homenageado e ainda "exala" uma melodia deliciosa. A obra deixa o sucesso do desfile nas mãos da comunidade e da direção da escola para produzir uma apresentação no mesmo nível do enredo e do samba. 

 

Porto da Pedra: 9.9. Samba muito bem conduzido pelo intérprete Anderson Paz. Enredo maravilhoso e que permite a construção de uma letra bonita e melodia gostosa de ser ouvida. Mesmo sendo uma opção da escola, senti a falta da menção aos personagens, o que é uma questão pessoal e não deve atrapalhar o sucesso da obra na Avenida.

 

Santa Cruz: 9.6. Mesmo com o craque Paulinho Mocidade, a Santa Cruz não conseguiu fazer o samba brilhar no CD. A obra é comum, em letra e melodia, e não repete o samba de 2013, que foi fundamental no belo desfile da escola da Zona Oeste.  

 

Cubango: 10. Tem tudo para ter o repetir o sucesso do samba do Império da Tijuca no Carnaval de 2013. A obra linda, descreve o enredo perfeitamente e trata a melodia com extremo carinho. Pode virar o samba do ano de todo o carnaval carioca de 2014. 

 

União do Parque Curicica: 9.6. O que seria fácil, não aconteceu na Curicica. O samba sobre a cachaça não conseguiu alcançar o ponto de alegria e irreverência que o enredo pede. A letra é extensa e a melodia fica cansativa. Ronaldo Ilyê consegue se destacar positivamente mesmo com a qualidade da obra. 

 

Tuiuti, Em Cima da Hora e Tradição: 9,7. Tenho opinião contrária para todas reedições. Pra mim, o certo é esquecer o passado e julgar o momento atual. Ao dar a mesma nota para Tuiuti, Em Cima da Hora e Tradição deixo claro que fico fora do julgamento anterior e estou avaliando a gravação no CD de 2014. Embora, a minha certeza é que o jurado oficial não pensa assim e acaba premiando todas com a nota 10. Optei por igualar todas e deixar para avaliação na Avenida. No CD, a qualidade deixou a desejar.

 

Alegria da Zona Sul: 9.8. Samba com lindas passagens melódicas e letra que descreve muito bem o enredo. Destaque positivo para o refrão principal. Samba bom é um incentivo para escola da Zona Sul que travará uma grande batalha na Série A. 

 

União de Jacarepaguá: 9.7. Outro samba gostoso de ser ouvido. Tiganá conduz bem o samba, que poderia ter mais destaque na letra e com a melodia mais trabalhada. A escola de Jacarepaguá luta sempre com muita força para colocar seu carnaval na rua e deve ser valorizada pelo seu esforço. É o momento de indetificar quem está no desfile da Série A por merecimento, como é o caso da União de Jacapaguá, e outras que apenas querem sobreviver para benefícios de dirigentes. 

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