Igor Sorriso conduz com categoria ensaio técnico de rua da Vila Isabel para o Carnaval 2018

vilaisabel_ensaio2018-58O site CARNAVALESCO acompanhou na quinta-feira o ensaio técnico de rua da Vila Isabel. Como é de costume, a azul e branca do Morro dos Macacos arrastou uma multidão de apaixonados. Em 85 minutos, a escola deu seu recado, deixando pra trás todo e qualquer comentário negativo a respeito de seu samba-enredo. A obra não é nem de perto uma das mais elogiadas entre as 13 do Especial, mas o canto dos componentes surpreende a todos positivamente por ser muito forte. Igor Sorriso e seu carro de som, mais uma vez, deram nome e sobrenome. O grupo musical comandado pelo diretor Macaco Branco mostrou grande potência vocal, resistência excelente e entrosamento com a Swingueira de Noel. Vale ressaltar que Igor tem ao seu lado o grande intérprete Gera, campeão em 88 com “Kizomba”.

vilaisabel_ensaio2018-28Apesar do bom desempenho samba-enredo e bateria, a evolução ainda precisa de ajustes. Muita gente – que não desfila – foi até a 28 de Setembro ver a Vila passar e isso acabou atrapalhando o andamento da escola por diversos momentos. Além do excesso de curiosos, a rainha de bateria Sabrina Sato também atraiu uma multidão de pessoas atrás dela para selfies, dificultando o trabalho dos diretores de harmonia.

– Aqui é um ensaio técnico. O canto está bom, mas temos consciência de que é preciso melhorar na evolução da escola. No domingo a evolução foi boa, hoje pecamos um pouco. Gosto quando acontece isso, com os erros vemos o que tem de ser consertado. Vocês vão ver a Vila Isabel evoluindo e riscando aquela avenida no desfile. Iremos com 3400 componentes pra avenida, com 80% da comunidade. O tempo de ensaio foi planejado – explicou o diretor de harmonia da Vila Isabel Marcelinho Emoção.

Harmonia

vilaisabel_ensaio2018-31O canto dos componentes foi uniforme. Não houve ápice, mas também não se ouvia quedas drásticas de canto. Nas primeiras alas estavam velha-guarda e baianas, que não sentiram o peso da idade e passavam bastante energia para as seguintes. Em dois trechos do samba-enredo o canto ganha uma força a mais, com direito a coreografia de todos os componentes. No verso “Brilha no meu ser” o movimento dos braços é para direita e esquerda seguindo ritmo da divisão das sílabas. Já em “O mundo gira nas voltas da Vila” os desfilantes fazem o movimento de girar com os braços, dando um belo efeito visual visto de cima. A ala de baianas da Vila Isabel caprichou na vestimenta do ensaio. Todas de saia branca longa, com camisa padronizada e colares no pescoço. Atrás delas, vinha a primeira ala da comunidade que se destacou das demais com canto na ponta da língua e animação contagiante.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

vilaisabel_ensaio2018-3Raphael e Denadir apenas ensaiaram alguns passos, comuns entre casais, para apresentar o pavilhão para o público. A coreografia mesmo só foi mostrada uma vez, mesmo com pouco espaço para ser executada. Quando iniciaram, na cabeça do samba, ficou visível porque o casal é tão bem elogiado nesse período pré-carnaval.

O mestre-sala mostrou sua imponência e conduziu a porta-bandeira de maneira magistral. Denadir, com seu sorriso que demonstra alegria e felicidade no que está fazendo, manteve a bandeira completamente esticada de ponta a ponta do samba. Raphael executou todos os movimentos com a mesma elegância que já é sua marca registrada.

Para ensaiar na rua o casal precisa de mais espaço e cuidado dos harmonias. Ficou no ar o desejo de ver o casal se apresentar no ensaio inteiro. * VÍDEO: O CASAL NO ENSAIO

Samba-Enredo

vilaisabel_ensaio2018-19O samba não é daqueles que o componente se apaixona assim que ouve na primeira eliminatória. Mas funciona e cumpre seu papel de contar o enredo proposto pelo carnavalesco Paulo Barros. Alguns trechos ainda podem ser melhor ensaiados e os diretores de harmonia precisam ficar atentos aos erros de sonoridade que algumas palavras passam. Como por exemplo em “O mundo gira nas voltas da Vila/Rodas da vida que movem moinhos”, alguns componentes estão invertendo “Vila” com “vida” e errando a letra. A segunda parte do samba, após o refrão do meio, é bastante extensa, mas não demonstrou ser um problema devido a bela interpretação de Igor Sorriso e seus parceiros. Durante todas as passagens o único verso que ameaça ter uma explosão a mais é “Mora nos Macacos e no Boulevard”, as demais passam de maneira tranquila e sem se destacar.

vilaisabel_ensaio2018-26– A gente está muito feliz e empolgado, todos podem esperar muita interação, muito vigor, muito empenho. Não pode faltar isso no meu trabalho, não admito. Estamos trabalhando bastante para aprimorar o canto com comunidade e bateria. A escola como um todo tem trabalhado demais, o Chuvisco assumiu essa responsabilidade e mesmo diante de muitas covardias está fazendo um belíssimo trabalho. Minha ala musical é sem igual, estou muito feliz e satisfeito. Falo com eles que não preciso nem cantar, posso só ir sorrindo e dando tchau na avenida, são de uma competência absurda. Ai junta com essa comunidade vibrante, tudo fica mais fácil. A gente consegue fazer um bom trabalho na rua, mas Sapucaí é o campo de jogo. Pisar no gramado do “Maracanã” é diferente de treinar no CT – brinca o intérprete Igor Sorriso.

Bateria

vilaisabel_ensaio2018-49A Swingueira, com mestre Chuvisco no comando, pode se orgulhar do trabalho feito no ensaio. As bossas executadas são práticas e mega funcionais nos trechos escolhidos. Uma delas é a conversa entre surdos, tamborins e agogôs no trecho “Quem quer tocar o horizonte”. Em outra bossa, no refrão do meio os tamborins e agogôs desenham enquanto as primeiras fazem marcação até a metade da estrofe. Na segunda metade as caixas, taróis, chocalhos e demais surdos participam e uma coreografia é executada.

– Acho que a bateria está chegando próximo ao carnaval com 80 a 90% do trabalho pronto. O que falta são os ajustes finais. Lógico que aqui na 28 a rua é estreita, ainda mais quando vai chegando o carnaval as pessoas acabam atrapalhando um pouco nosso trabalho. Vamos tentar conseguir mais um ensaio no setor 11, se não for lá, vamos tentar fazer no Maracanã para termos uma noção. São 280 ritmistas, 4 paradinhas, 2 coreografias e uma corridinha. Os ensaios técnicos fazem muita falta, ali é nossa preliminar. As vezes ensaiamos algo que pode não funcionar lá, com isso precisamos mudar e ver o que serve ou não. Como não teremos esse ano, vamos ter que observar ao máximo na rua e nos ensaios extras no setor 11. Faz muita falta – afirmou mestre Chuvisco, que faz sua estreia na Vila Isabel esse ano.

vilaisabel_ensaio2018-32Nas últimas semanas, Chuvisco foi alvo de comentários negativos a respeito de sua qualidade musical. A respeito disso o mestre foi sucinto e afirmou que o trabalho segue o mesmo e que a resposta vem na avenida.

– Eu não posso ir pras redes sociais e ficar discutindo com um e outro, cada um tem sua opinião e fala o que quer. A maneira de agir com isso é continuar trabalhando ainda mais, me dá mais força para procurar acertar e dar resposta com trabalho e resultado – resumiu.

Além da rainha Sabrina Satto e a princesa Dandara, o mestre ainda contou com a presença do lendário Mug. Que fazia sinal de positivo em todos os momentos que as bossas eram executadas corretamente.

Evolução

vilaisabel_ensaio2018-43Desde seu último título em 2013, ano que gabaritou o quesito, a Vila Isabel perdeu 1,8 pontos em evolução ao longo do tempo. E o que foi visto no ensaio técnico de rua mostra um pouco dessa desorganização que insiste em permanecer. Foram sete longos minutos para o ensaio começar a andar, a escola ficou parada esse tempo todo. Quando andou, ficou ainda mais evidente a falta de preparo de diversos diretores de harmonia. Não havia filas e nem a liberdade que os sambistas tanto procuram para desfilar. As alas mais pareciam um amontoado de gente cantando, sem nenhuma coordenação ou ordem. Outro problema foi causado devido a grande quantidade de pessoas nas calçadas, ficava difícil para os diretores arrumarem um espaço para apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira. A evolução ficou ainda pior perto da bateria. Com Sabrina Sato no ensaio era praticamente impossível fazer com que os populares não invadissem a área para tirar fotos com a rainha. Quesito pedra no sapato desde 2014 é preciso melhorar para que a escola não perca décimos preciosos na quarta-feira de cinzas.

Outros destaques

Uma das cenas mais bonitas foi a comunicação entre mestre Mug e Chuvisco. Parecia ser o “passado” da Vila Isabel, dando dicas e conselhos para o que pode ser o “futuro”. Outro destaque foi o samba no pé da rainha Sabrina Sato e da princesa Dandara. As duas estavam ao lado de Chuvisco o tempo todo, participando das coreografias, inclusive da corridinha que a bateria faz.