Rocinha sofre com problemas em seu desfile

Por Fiel Matola

rocinha_desfile_2018_12Tinha tudo para dar certo para Acadêmicos da Rocinha. Marcus Ferreira, carnavalesco campeão da Série A, no Império Serrano em 2017, foi contratado para fazer o enredo, pelo abre-alas, documento entregue aos jurados, o enredo seria perfeito, as fotos dos protótipos eram excelentes, além do samba muito elogiado no período pré-carnavalesco. Porém, a quarta escola a desfilar na Sapucaí, no sábado de carnaval, pecou em quase todos os quesitos, salvo pela comissão de frente e o belo samba. A plástica ficou aquém do esperado, com problemas em fantasias e alegorias, com isso o quesito enredo ficou comprometido. Além disso, problemas em evolução piorou a situação da Borboleta Encantada, com clarões na pista, correria e sem a bateria entrar no recuo a Rocinha briga para não cair.

Enredo e Fantasia

rocinha_desfile_2018_24-2“Madeira Matriz” foi o enredo da escola apresentando a xilogravura na ótica de J Borges, um grande xilógrafo (ou gravador) nascido na cidade de Bezerros, em Pernambuco. A falta de fantasias pode tirar bastante décimos para a escola neste quesito. Algumas alas eram de difícil entendimento. Um exemplo era a ala 19: “Côco de Roda”, um colã preto e um chapéu que foi apresentado sem demonstrar o enredo. Nesse setor as alas 20 e 21 não foram apresentadas. A base de todas as fantasias e alegorias do desfile da escola era para ser em preto e branco pertinente da xilogravura, seguindo a tipologia dos sigmas. A previsão era apresentar o 1º setor bolinhas, 2º setor quadrados, 3º setor estrelinhas e o 4º e último setor listras. Porém, apenas o primeiro e o segundo setores forma apresentados. A leitura das fantasias ficou comprometida. As alegorias, mesmo que com mal acabamento, apresentaram o que foi proposto, não comprometendo o enredo.

Comissão de Frente

rocinha_desfile_2018_12-8Comandada pelo casal Hélio e Elizabeth Beijani, mesmos coreógrafos da Acadêmicos do Salgueiro, veio representando A “Fúlia” da Borboleta Encantada, trazendo a festividade dos foliões da cidade de Bezerros e o espírito festivo de J. Borges. No passo do frevo, os componentes encenaram a alegria do bezerrense e a arte das xilogravuras, principal retrato da cultura local. A “Fúlia” como descrita nas xilogravuras, refere-se ao carnaval. Com 15 componentes, quatro mulheres e 11 homens, foi o quesito que salvou a Borboleta nesta noite junto com o samba. Ponto alto foram as sombrinhas de frevos voando, que eram drones. A coreografia foi bem executada e com sincronismo. Outro momento interessante foi a apresentação da Borboleta através de uma grande xilogravura. A indumentária era simples, mas cumprindo o papel.

rocinha_desfile_2018_18Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal David Sabiá e Thainá Teixeira vieo com a fantasia “Folheteiros de Ilusão”, a roupa apresentou uma matriz original de J. Borges, confeccionada exclusivamente para o desfile da Acadêmicos da Rocinha. Ficou a impressão que a roupa incomodava a porta-bandeira, já que o bailado não foi feito com desenvoltura.

Alegorias

Todas as alegorias tiveram problemas de acabamentos, em sua maioria, as esculturas estavam nas cores preto e branco: presentes na Xilogravuras, a que tinha menos preto e branco, a última alegoria, foi a que destoou positivamente das demais. O abre-alas retratou “A feira do troca-troca da cidade de Bezerros”, primeiro contato de J. Borges com as Xilogravuras dos principais cordelistas brasileiros. A alegoria retratou o lúdico do artesanato, e o lado infantil da feira de Bezerros, como esculturas de peões, lápis, dados e um grande carrossel na parte central, estes todos com problemas de acabamento.

rocinha_desfile_2018_26A segunda alegoria retratava um enorme carro de boi em sua parte central, interessante era a apresentação dos utensílios dos retirantes, as costas da alegoria eram verde e mostrava a florada do Mandacaru. Mas, a falta de destaques e problemas no acabamento da escultura do boi podem prejudicar a escola.

A terceira alegoria com tons lilás, trouxe a chegada de Lampião no Inferno, velas, chifres e caveiras deram o tom do carro. A escultura de cima foi problemática, com problemas na base, não mostrando em sua totalidade.

A última alegoria apresentou o carnaval de Bezerros, com ‘sombrinhas de frevos’ representando o frevo em suas partes laterais e tons de amarelo na parte central.

Evolução

rocinha_desfile_2018_27-3Problemas e mais problemas em evolução. O maior foi quando a segunda alegoria estava chegando próximo ao módulo 1. Ela empencou e abriu um grande clarão na avenida. A escola então parou, a partir daí, varias alas sentiram o efeito, começando a correr para ganhar o tempo perdido. O “parar e avançar” fez com que alas como a 9, 10 e 11, respectivamente: “ O verdadeiro aviso de frei Damião”, “A procissão dos Santos Católicos” e “Primeiras Chuvas” tivessem o efeito sanfona, com clarões em alguns momentos e em outros os componentes muito juntos. E, não terminou por aí, aos 41 minutos, em frente ao segundo recuo, um clarão de quase um setor em frente à bateria.

rocinha_desfile_2018_43Samba-enredo e harmonia

O samba poderia ter melhor rendimento, apesar da boa interpretação de Leléu. A obra tem uma bela melodia e letra, retratando bem a proposta do enredo, mas só explodia no refrão, sendo muito mais um problema de harmonia do que de samba-enredo. As alas 5 “Plantio de algodão” e a 9: “ao verdadeiro aviso de frei Damiao” não se ouvia o canto. Alas como a 10: “A procissão dos Santos católicos” e a ala 15: “A Fera” foram pontos fora da curva, cantando muito bem.