A ausência e a morte de seu Molequinho!

 

 

A morte de seu Molequinho me assusta um pouco.

 

Não por qualquer rasgo de tristeza, porque não sinto. A tristeza aqui fica por conta de seus entes queridos e seus amigos mais próximos. De minha parte só admiração, pelas tantas vezes que pude estar perto dele, sentir nele aquela aura de um ser completo, realizado.

 

Viveu a vida mais plena possível, no lugar onde poderia ser mais feliz e completo. Amou pessoas, entidades, que melhor poderia amar em vida. Amou uma só bandeira.

 

Me assusta por imaginá-lo como uma âncora. Não que estivesse postado ainda como guardião das raízes do samba e das tradições dos desfiles. Não que estivesse ativo e militante pela recuperação do Império Serrano.

 

Não por nenhum desses aspectos, mas por ambos também.

 

O samba evoluiu e se transformou tanto quanto tudo e todo fenômeno cultural de uma sociedade industrial. Mas mudou e muda a cada dia de dono a ponto de estar hoje quase refém de financiamentos que influem, menos ou mais, nos desfiles que deveriam ser marcados pela cultura e tradições do povo brasileiro, majoritariamente.

 

Seu Molequinho , mesmo inativo, era um TOTEM. Simbolizava essa resistência tão necessária para o equilíbrio do espetáculo. Tão “desclassificada” pela posição contraria que tanto faz para colar nela a marca depreciativa do saudosismo.

 

Sua ausência em nosso altar, insisto, me assusta.

 

E quanto a seu Império. Quem dera sua lucidez tivesse a força de luz que esclarecesse aos Imperianos a dúvida imobilizadora. Estará o Império atolado no grupo de acesso cada vez mais profissional, competitivo ou estaria atolada no mar de divergências de suas correntes.

 

Vai, seu Molequinho. Tristeza… nenhuma. Pelo contrário até alegria, se isso for possível.

 

Alegria de saber a sua vida tão bonita, tão completa.

 

Tristeza nenhuma, mas um pouco assustado.

 

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