A estrela sorriu no morro do Tuiuti: Parceria de Jurandir e Aníbal volta a vencer em São Cristóvão

De volta ao Grupo de Acesso A, o Paraíso do Tuiuti escolheu nesta sexta-feira o samba que levará para a Avenida no Carnaval 2012. Das quatro obras na disputa, venceu a parceria de Jurandir, Anibal, Adauto Alves, Reza e Pelé. A agremiação de São Cristóvão falará em 2012 sobre a obra musical e o legado cultural deixados pela cantora Clara Nunes com o enredo 'A tal mineira', do carnavalesco Jack Vasconcelos. Campeã do Grupo B, em 2011, a escola será a primeira a entrar na Avenida na noite de desfiles da divisão de acesso à elite do carnaval carioca.

* Clique aqui para ouvir o samba da Paraíso do Tuiuti para 2012

O evento iniciou com um show de passistas, mulatas, ecasais de mestre-sala e porta-bandeira que animaram o público antes da apresentação dos sambas. A comissão de frente encenou algumas músicas da grande homenageada da escola. Representantes de co-irmãs e da LESGA prestigiaram a noite que foi muito bem embalada pela bateria de mestre Celinho. Cada parceria se apresentou duas vezes: primeiro os sambas concorrentes foram cantados pelo intérprete oficial da escola, Daniel Silva, e depois executados em 10 passadas que totalizavam em média quarenta minutos cada. Desde o início da noite, portanto, já dava pra notar que a disputa seria acirrada. As quatro parcerias fizeram um belíssimo trabalho, e suas torcidas coloriam, cantaram e animaram a quadra da amarela e azul de São Cristóvão. Apenas o samba 2, de Luiz Caxias e parceiros, se apresentou timidamente, mas seu refrão “chiclete” caiu na boca do povo.

Para o carnavalesco Jack Vasconcelos, a safra de sambas inscritos estava em alto nível e definiu como coerente a forma como as eliminatórias foram conduzidas, semana após semana.

– O mais importante disso tudo é que a comunidade “comprou” o enredo e está feliz. Os compositores assimilaram exatamente a nossa proposta e o samba que viesse a ganhar teria conteúdo suficiente para ilustrar a plástica na Avenida, porém para ganhar era necessário “tocar” senão não seria Clara – declarou Jack, que adiantou ao CARNAVALESCO que as fantasias já estão em fase de reprodução e os carros alegóricos na madeira.

A final do Paraíso do Tuiuti revelava um cenário animador para a escola. Entre as quatro postulantes ao direito de ter o samba cantado pela escola na Sapucaí em 2012, a tradição dos antigos bons compositores e a promissora nova geração estavam presentes. Porém, quem levou a melhor foi a “velha guarda”.  Já passava das 5h, quando o presidente Renato Thor reuniu todos os compositores e diretoria no palco para anunciar o samba vencedor, lendo os versos “Hoje eu vi uma estrela no céu, sorrindo pro morro do meu Tuiuti”. Morador da Barreira do Vasco, comunidade vizinha à azul e amarela de São Cristóvão, Jurandir conversou com o CARNAVALESCO sobre a vitória. Confira a entrevista:

CARNAVALESCO: Como está a emoção de ser novamente campeão?
Jurandir: Estamos muito animados e contentes. Eu acho que quando fazemos um bom samba, sempre achamos o nosso filho o melhor. Nós trabalhamos duro e conscientes da qualidade da nossa obra.O resultado não poderia ter sido melhor pra gente.
 
CARNAVALESCO: Acreditavam que estariam na final desde o início da disputa?
Jurandir: A intenção sempre foi essa. A nossa é meta é vencer e se vamos conseguir o objetivo só saberemos depois. Com o decorrer da disputa você vai analisando as possibilidades e avaliando as suas chances. Considero que temos boas chances.

CARNAVALESCO: Algum compositor da parceria já foi campeão no Tuiuti ou em outra escola?
Jurandir: Já venci quatro vezes no Paraíso do Tuiuti: 2009, 2005, 2000 e 1998. Cinco na Imperatriz, entre elas em 1989 ('Liberdade, liberdade') e na Unidos da Tijuca em 2004 também. O Reza e o Pelé foram parceiros em outras vitórias também.

CARNAVALESCO: Qual é a sua relação com a escola?
Jurandir: Frequento a escola desde criança, sou nascido na Barreira do Vasco, que é bem próximo e era compositor de um bloco em São Cristóvão. Depois fui para o Tuiuti e, quase ao mesmo tempo, comecei a fazer sambas para a Imperatriz.

CARNAVALESCO: Onde o samba foi feito? Quanto tempo demorou?
Jurandir: Foi até engraçada a formação dessa parceria. Aconteceu de forma muito curiosa, nos encontramos na apresentação do Celinho, no clube São Cristóvão Imperial, e começamos a pensar na hipótese de escrever um samba. Pegamos a sinopse, que foi entregue no mesmo dia, e marcamos de nos encontrar posteriormente. Quando nos encontramos, cada um já tinha a sua parte do samba feita. Mostramos para o Jack Vasconcelos e ele pediu que mudássemos algumas coisas que não estavam dentro do propósito do enredo. Mudamos e a obra ganhou corpo.

CARNAVALESCO: Qual é o ponto alto do samba?
Jurandir: O refrão principal: "Hoje eu vi uma estrela no céu, sorrindo pro morro do meu Tuiuti". Essa parte toca forte no coração do componente e é emocionante.

CARNAVALESCO: Quantas pessoas aproximadamente trouxeram na torcida e quanto gastaram durante a disputa?
Jurandir: Acho que São Cristóvão inteiro esteve aqui (risos). Tenho tantos amigos no bairro que já sabem que faço samba que o número de pessoas vai aumentando a cada fase da disputa. Nem corro mais atrás. Somente cobro daqueles que dizem que o samba é bom. Sobre o valor a ser gasto, eu não me meto muito nisso. Na nossa parceria cada um tem o seu papel bem definido.