A importância de um refrão

Impressionante como a força do refrão pode fazer toda a diferença para que a diretoria de uma escola de samba queime a cabeça na hora de escolher o seu hino para o carnaval. Foi exatamente isso o que aconteceu nesta madrugada quando a simpática São Clemente optou pela fusão dos dois finalistas, a parceria formada por Nelson Amatuzzi, Victor Alves, Floriano do Caranguejo, Beto Savana, Guguinha e Fabio Portugal; e a obra de Gabrielzinho Poeta.

A situação estava bem clara. O samba 1 era mais bem trabalhado, contava o enredo com mais, digamos, apuro poético. Além disso, utilizava-se (de forma muito inteligente, diga-se de passagem) de metáforas que se confundia com a própria história da formação da São Clemente, lembrando a saga do fundados Ivo da Rocha Gomes, que alicerçou a escola para que seus filhos a tocassem.

O samba 2 era mais brincalhão. Um típico samba descompromissado, alegre. Que deixa clara a intenção apenas e tão somente de brincar o carnaval. O enredo está ali retratado, sem sombra de dúvidas, mas num padrão de qualidade inferior à composição que se apresentou primeiramente. A grande força, o charme indiscutível estava no refrão final: "Olha quem chegou, Sinhozinho Malta /  Viúva Porcina sambando igual mulata /
Outros imortais também presentes / Na tela da São Clemente".

Numa comparação com o samba de 2012, tem exatamente a mesma função do "Tem Bububu no Bobobó, Sem Sassarico é o ó". Ou seja, levantar o ânimo da escola, dos componentes e daqueles que assistirão ao desfile na Rua Marquês de Sapucaí.

E, pelo que vi na quadra, a escola não deveria deixar este funcional refrão escapar. Aliás, por lá dizia-se que este refrão era a única parte do samba de Gabrielzinho Poeta que sobreviveria. Por isso, de certa forma, foi surpreendente a fusão nos moldes tradicionais – primeira parte e refrão do meio do samba 1 e segunda parte e refrão final do samba 2.

É possível que a obra final passe por esse ou aquele ajuste. Mas o fato é que, na minha opinião, a São Clemente vai para a Avenida com um samba ainda melhor do que o do último carnaval. Somando-se a isso o excelente enredo (que será desenvolvido pelo competentíssimo Fábio Ricardo), arriscar-me-ia a dizer que a escola de Botafogo vem para voos bem mais altos em 2013.

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