A importância do samba

Vila e Isabel e Portela se destacaram no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial baseadas nos dois melhores sambas deste carnaval 2012. Claro que não foi só isso que elas apresentaram, mas este ponto em comum foi o maior diferencial de ambas em relação às demais. Sambas que injetaram energia nos desfilantes e no público e trouxeram a emoção que tanto cobramos.

A Vila fechou o primeiro dia da elite carioca ao clarear da segunda-feira de carnaval (sempre é bonito ver o dia raiar com uma escola de samba desfilando). Trouxe a melhor comissão de frente da noite: uma savana africana de onde emergiam diferentes personagens causando uma sequência de surpresas muito bem montadas em cima do samba-enredo.

A leveza e harmonia das fantasias criadas por Rosa Magalhães, todas de muito bom gosto, ajudaram a equilibrar um visual pouco menos imponente dos carros alegóricos. O clima foi esquentando conforme a escola ia se apresentando até chegar ao um encerramento apoteótico, com muita vibração, que coloca a escola do negro rei Martinho com lugar certo no desfile das campeãs e brigando pelo lugar mais alto do pódio.

Já a Portela teve mais facilidade para levantar o público pelo fato de desfilar bem cedo, com a platéia chegando à Sapucaí. O lindo samba-enredo fez balançar frisas e arquibancadas embalado por uma bateria mais que perfeita – a Tabajara deu um espetáculo de acompanhamento da melodia e de fusão de ritmos – a melhor da noite!

A emoção se espalhou pela Portela que teve uma abertura monumental com uma bela águia e uma imponente igreja do Bonfim. As fantasias, num jogo de cores muito agradável, ajudaram a criar um clima de magia que conduziu a escola ao seu melhor desfile em muitos anos. É bem verdade que, a partir da metade da apresentação, as alegorias deixaram a desejar em acabamento e iluminação. Isso pode comprometer o resultado final, mas não será suficiente para impedir que vejamos novamente a velha águia no sábado que vem.

As três irmãs

Imperatriz, Mocidade e Beija-Flor fizeram bons desfiles, mas apresentaram problemas que podem afastá-las da briga pelo título. A rainha de Ramos teve dificuldades com a montagem e desmontagem das alegorias – tanto na concentração quanto na dispersão. Isso deixou o desfile travado e tenso.

O bom samba-enredo leopoldinense enfrentou a dificuldade de suceder o furacão portelense e não conseguiu se impor na avenida. A escola apresentou alegorias representativas do enredo e de bom gosto, mas sem o detalhamento e o luxo de outrora. As fantasias contavam muito bem a história porém a distribuição cromática, que já foi o ponto forte de Max Lopes, se mostrou pesada e sem continuidade entre as alas. A comissão de frente mais uma vez deixou boa impressão pela disposição dos componentes que “voaram” pendurados em cabos e mostraram no chão uma coreografia cheia de acrobacias que lhes exigiu muito esforço físico.

A Mocidade fez desfile mais bonito da sua história recente. Com muito bom gosto e um enredo poeticamente desenvolvido pelo sensível Alexandre Louzada, a escola de Padre Miguel merecia componentes mais empolgados. Eles passaram frios, sem demonstrar entrosamento com o belo samba.

As alegorias esbanjaram beleza e bom gosto e as alas traduziram com perfeição o enredo sobre Portinari, embora estivessem um pouco pesadas. Um problema na barra de direção do abre-alas trouxe dificuldades para o andamento da escola a partir da metade do desfile. Ficou a sensação de que, caso houvesse maior comprometimento dos componentes, a estrela guia poderia brilhar muito mais este ano.

Já a Beija-Flor enfrentou sérios problemas a partir de sua comissão de frente. A serpente que saía da ilha teve dificuldades e se transformou num fardo que a escola carregou até o final em ritmo lento. Depois disso a Beija-Flor se viu obrigada a acelerar demasiadamente o andamento do desfile e o que se viu foi uma série de alas caminhando apressadas sem evoluir por um bom tempo.

O excesso de coreografias tirou um pouco da espontaneidade conhecida dos componentes nilopolitanos e deixou a escola “travada”. A maior emoção do desfile foi a homenagem a Joãsinho Trinta na última alegoria onde o ex-carnavalesco da escola aparecia quando o “cristo mendigo” era descoberto pelos componentes. A bateria, muito coesa, fez uma apresentação competente e vibrante, mas no geral a Beija-Flor poderia ter se saído melhor.

Romero Brito e o iogurte

Porto da Pedra e Renascer não foram bem. A estreante mostrou clara dificuldade de adaptação ao Grupo Especial e fez um desfile opaco, sem brilho, mostrando um enredo mal desenvolvido. Destaque positivo para comissão de frente, bateria e para o jovem casal de mestre-sala e porta-bandeira.

Já a Porto da Pedra deu a volta ao mundo através do iogurte sem convencer nem a seus próprios componentes que passaram friamente pela avenida. Além do enredo pouco carnavalesco a escola teve vários problemas ao longo do desfile, como a queda de parte da fantasia do mestre-sala, que comprometeram a apresentação. A bateria, mais uma vez, foi o ponto alto.

A magia dos casais

Deixei para o final os comentários sobre os casais que carregam os pavilhões das escolas. Foi uma noite mágica neste sentido. Rogerinho e Lucinha, Claudinho e Selminha, Julinho e Rute, Ana Paula e Róbson brilharam intensamente com classe, beleza e lirismo. Nossos casais estão num nível maravilhoso! Os casais mais jovens também mostraram beleza e evolução. Que bom saber que esta arte está preservada. Parabéns, meus ídolos!
 

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