A Revolução do Samba de Enredo

É bem verdade que eu tinha essa coluna há um tempo já rabiscada, desde a época dos sambas concorrentes. Mas me segurei, afinal não sabia no que dariam os sambas escolhidos. Se eles seriam realmente essa explosão toda. Não digo na avenida, mas todo o envoltório que circundaram eles nesse tempo. Sambas-enredo que moveram torcidas de outras escolas, que resgataram auto estima de componentes, que levaram escolas nunca antes ditas como favoritas, serem cotadas à voltar nas campeãs.

A meu ver, alguns sambas tiveram fundamental importância no resultado e para o bem do samba-enredo de verdade. Sinto que as próximas eliminatórias de samba enredo para 2013 serão bem mais interessantes, com compositores querendo superar-se e superar obras de 2012. Quem ganha com isso tudo somos nós, os admiradores de samba-enredo.

Toda revolução parte de um grupo de pessoas ou interesses que em comum tem a vontade de mudar algo que incomoda, ou que segundo eles não está certo ou então precisa ser reinventado, recriado. Sinto que foi essa vontade de se destacar que fez com que essa revolução do samba enredo eclodisse em Madureira e na Zona Sul.

O primeiro que destaco é o samba-enredo da São Clemente, o refrão “Bububu no Bobobó” contagiou a Sapucaí e não deixou que o primeiro desfile da noite de segunda fosse batido e frio. Muito martelado por alguns críticos, o samba chegou a ser taxado como um dos piores do grupo. Lógico que aliado à ótima estética que a escola teve – senão a melhor de sua história – o samba-enredo foi ingrediente de sucesso e fez com que muitos cotassem a escola da Zona Sul nas campeãs. Sinal de que nem sempre devemos seguir o padrão, devemos ousar. Quem ousa, vence. E para a São Clemente, esse sucesso foi uma vitória.

Outro que eu não acreditava que fosse dar certo. Queimei a língua e me emocionei demais com o samba do Império Serrano. Em todo momento acreditei que de alguma forma, o refrão fosse se tornar chato, cansativo e batido nos 60 minutos de desfile… Para mim era fórmula batida, com frases pouco criativas, uma final de samba longe da comunidade… Isso tudo me fez pensar que não daria certo. O samba fez a Serrinha dar a volta por cima e ter o seu melhor resultado desde que voltou ao Grupo de Acesso. O desfile em si aliado ao samba enredo trouxe de volta a auto-estima do Imperiano, emocionando não só quem estava desfilando como as arquibancadas e frisas. Aclamado como campeão moral.

Falar que esse samba é bom tornou-se objeto redundante, por isso vou privar os elogios e focar no que realmente penso sobre a revolução que esses sambas causaram. Em especial esse da Portela criou todo um clima de perseverança, união e fé que eu não via em escola de samba há muito tempo. Desde a época da eliminatória era fácil ver torcedores de outras escolas indo à quadra para torcer e vibrar. Esse samba após escolhido fez a Portela se inflar, não só de orgulho. Mas de componentes, houve uma romaria em direção à rua Clara Nunes querendo participar daquele momento único e mágico. Todos queriam de uma forma ou de outra subir o pelo e ver Madureira subir. Madureira voltou à sorrir e Portela foi considerada como uma das fortes candidatas ao título graças a uma coisa: A revolução que um samba enredo faz.

Qual minha idéia com essa análise? Com a chegada do carnaval 2013, que compositores se reinventem, se superem e que presidentes tenham a mesma coragem que Nilo, Átila e Renatinho tiveram. Brindem-nos com sambas enredos que nos toquem pela emoção, alegria e pelo saudosismo contemporâneo.

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