Acadêmicos de Santa Cruz leva para a Sapucaí o colorido cigano

Por Marina Magalhães

ciganossantacruzAs cores e a riqueza da cultura cigana mais uma vez ganharam espaço no enredo do carnavalesco Max Lopes, marcando o desfile do Acadêmicos de Santa Cruz, segunda escola da Série A a desfilar neste sábado de carnaval. Sob o título “A sabedoria e a esperança do povo cigano”, o segundo carro alegórico da agremiação atravessou a Marquês de Sapucaí desmitificando a história desta comunidade conhecida pelo dom da vidência.

No destaque central da segunda alegoria da escola da Zona Oeste, veio o presidente da União Cigana do Brasil, Almir Vaciti, interpretando o cigano em sua carruagem, uma referência ao nomadismo da comunidade. Para formar a carruagem, foram utilizados duas grandes estátuas de cerâmica marrom que deram vida aos cavalos que conduziam o transporte.

Nas laterais do carro alegórico, a Santa Cruz levou um elemento indispensável ao samba e, consequentemente, ao carnaval: o pandeiro, introduzido na sociedade brasileira com a chegada dos ciganos no Brasil. O instrumento, reproduzido na sua versão de pé, foi construído com círculos de plástico que lhe davam a forma redonda, incrementado com fitas de cetim que mesclavam o colorido do verde, do laranja, do rosa e do vermelho, formando sua base até o chão.

Orlando Gomes, representante oficial dos Ciganos Calões no Rio de Janeiro, deu vida à fantasia “Verde que te quero verde: esperança nossa”, uma alusão ao enredo da escola neste ano, que retrata a força da fé e da esperança. Para o componente da ala, a segunda alegoria da escola descreve a história da cultura dos ciganos pelo mundo, que se difundiu por meio das carruagens que transportavam as famílias ciganas, distribuídas pelos cinco continentes.

– Eu também desfilei em 1992, quando o Max Lopes, pela primeira vez, levou a cultura do nosso povo para a Sapucaí com o enredo da Viradouro, e também em 2009, quando o mesmo carnavalesco contou nossa história novamente, na Porto da Pedra. Sempre que uma escola investe nesta abordagem, nós somos chamados para desfilar. Eu amo o Max Lopes porque ele abraça a nossa cultura, ele ama a nossa gente e reproduz os traços da etnia cigana com brilhantia – disse.

O cigano também destacou a importância de se abordar a cultura desta comunidade na Sapucaí.

– O carnaval é uma janela para o mundo. Com o desfile, conseguimos mostrar para pessoas que pouco conhecem a história cigana a alegria, o colorido deste povo e a satisfação que temos de ser reconhecidos, porque o mundo é de todo mundo. Se não tivermos a passagem livre pelos caminhos do mundo, não vale a pena viver – concluiu.

Para Roberto El Marttini, da União Cigana do Brasil, localizada em Copacabana, o contexto não é diferente. De acordo com o desfilante e cigano de origem, o carnavalesco Max Lopes, com a sua paixão pelo tema, criou fortes laços com a instituição, que, desde então, sempre é convidada para atravessar a Sapucaí quando a cultura da comunidade indígena é abordada na Avenida.

– Desfilei na Porto da Pedra, em 2009, e também em outras escolas em São Paulo, sempre representando o nosso povo. Estou no carnaval há dez anos, porque é importante lembrar ao público que a os ciganos fazem parte do samba. Por isso é essencial que sejamos lembrados – destacou Roberto, que desfilou no segundo carro vestindo a fantasia “Romano”, uma referência ao termo Romani, pelo qual a comunidade cigana é conhecida originalmente.