Acelerada, Estácio passa bonita, mas sem empolgar

 

"Uma grande escola de samba vai passar na avenida". Com estas palavras, o intérpreta Leandro Santos encerrou o esquenta e deu início ao desfile da Estácio de Sá, terceira escola a se apresentar na noite deste sábado na Marquês de Sapucaí. No entanto, a primeira escola de samba do Brasil não correspondeu às expectativas de Leandro e do público que estava no Sambódromo carioca.

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O samba não contagiou, a tradicional bateria Medalha de Ouro não acertou no andamento e a Estácio, mais uma vez, não deve premiar a sua comunidade – grande destaque do seu desfile – com o acesso. As alegorias e fantasias apresentaram bom gosto, com exceção do quarto carro, que homenageava o Cordão da Bola Preta, mal acabado e sem deixar claro o seu sentido.

A criativa comissão de frente, que representava "Maria com a lata d'água na cabeça", e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel e Alcione, no entanto, garantiram pontos positivos à Estácio, que evolui bem, animada, e não precisou correr para encerrar o seu desfile, apesar de tê-lo feito "em cima do laço".

Outro ponto a ser destacado é o enredo, "Luma de Oliveira, coração de um país em festa", que foi apresentado de forma ousada. Nele, "todas as manifestações do Carnaval" eram apresentadas na Avenida, abrindo caminho para a grande estrela, Luma. No entanto, houve dificuldade de compreensão por parte de algumas pessoas e as opiniões são bem divididas em relação ao seu desenvolvimento – o que não é um bom sinal. A homenageada veio no último carro, à frente da bateria, e acompanhada dos filhos – que sequer abriram a boca para cantar um verso do samba – e de mestres de bateria que marcaram sua carreira no sambódromo, como Paulinho, Nilo e Ciça.

* Confira a entrevista do presidente da Estácio de Sá

Confira a análise do desfile cabine por cabine:

Cabine 1 – A irreverente comissão de frente, o elegante casal de mestre-sala e porta-bandeira e o imponente e iluminado abre-alas anunciavam um desfile que parecia promissor para a Escola do São Carlos. Mas não foi isso o que se viu.

A comissão, de fato, foi bem interessante: apresentou uma coreografia bem humorada, com as Marias lavando roupa e utilizando suas latas para formar três mosaicos – um com o rosto de Luma, outro com o símbolo da Estácio e o último com uma mensagem anunciando que a modelo iria passar.

As alegorias e fantasias foram de muito bom gosto, valorizando as cores da escola e sempre com algum tipo de iluminação. No entanto, o abre-alas apresentou um dos "queijos" mais baixo do que os outros em sua lateral, deixando parte da madeira utilizada na construção à vista, e o quarto carro alegórico, em homenagem ao Bola Preta, não seguiu a linha dos outros – especialmente em sua escultura principal, de difícil compreensão, no centro do carro.

* Clique aqui e veja a entrevista com o coreógrafo da comissão de frente da escola

Cabine 2 – A comissão de frente da Estácio de Sá não executou muito bem os movimentos da coreografia. Nos baldes que formavam imagens e frases, os dançarinos acabaram errando quando tentaram formar o mosaico para os jurados.

O primeiro casal da escola passou bem. A única falha foi da porta-bandeira, que não rodou muito, se preocupando mais em reverenciar os jurados. A apresentação dos dois foi curta.

A bateria do mestre Chuvisco fez uma pequena bossa em frente aos jurados, mas a apresentação não foi muito prolongada e os ritmistas ficaram pouco tempo em frente aos jurados da cabine.

Quanto às alegorias, estava perceptível, devido ao acabamento ruim, pedaços de madeira do primeiro e segundo carros. Outro ponto negativo foi na iluminação do segundo e do terceiro carro, que estavam ruins e era fácil notar que algumas lâmpadas não acendiam. As fantasias da escola tinham certa facilidade para serem lidas, mas estavam pouco luxuosas e, estavam esteticamente, não apresentavam muita qualidade.

Observando a harmonia, pôde-se notar que algumas alas não se preocupavam em cantar o samba da escola. Na ala 15 (Galo da Madrugada), por exemplo, os componentes eram vistos brincando com quem passava pelo corredor da Sapucaí. No geral, o canto da escola deixou a desejar e o samba parece não ter funcionado com os componentes. No entanto, a escola apresentou boa evolução na passagem diante da cabine, num bom ritmo e sem correrias.

* Veja a entrevista com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Estácio

Cabine 3 – A comissão de frente passou diante dos jurados aos 25 minutos de desfile apresentando uma coreografia simples. Os componentes conseguiram formar o mosaico de forma correta, diferente da apresentação para os jurados da cabine anterior.

O primeiro casal, com uma bela e luxuosa fantasia, se apresentou cantando bastante o samba e com uma coreografia correta. Porém, a porta-bandeira, de estatura baixa, passava uma impressão de que a bandeira dela poderia cair, mas nada disso aconteceu.

A bateria, apresentada pelos mestres Thiago Diogo, da Porto da Pedra, Casagrande, da Unidos da Tijuca, além do mestre-sala do Salgueiro, Sidclei, fez uma passagem simples para os jurados.

Sobre as alegorias, foi observado que o segundo carro da Estácio passou com todas as suas lâmpadas apagadas. A quarta alegoria da escola apresentou um problema que não era na estrutura do carro: alguns integrantes passaram em frente aos jurados sem cantar absolutamente nada.

No início da passagem da escola pela cabine 3, os integrantes estavam cantando bastante. Porém, a empolgação caiu no decorrer do desfile. Sobre a evolução, algumas falhas: A ala que vinha logo após a das crianças deixou dois pedaços de fantasia no chão, a ala atrás do quarto carro tinha componentes usando os óculos da fantasia, enquanto outros não. Por fim, um buraco pôde ser visto em frente à quinta alegoria, que trazia Luma de Oliveira, além de mestres de bateria que participaram da carreira da homenageada e dos filhos da mesma.

* Clique aqui para conferir a entrevista do mestre de bateria da Estácio, Chuvisco

Cabine 4 – Pouco antes de chegar à frente dos jurados, um integrante da comissão de frente caiu na Avenida. No entanto, na apresentação, novamente, muito bom humor e coreografias interessantes.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira repetiu a boa apresentação e brilhou bastante.

A apresentação da bateria não saiu como o planejado. Os ritmistas tentaram executar uma bossa, que não foi muito bem realizada.

A escola passou bastante animada, cantando e sambando muito até o fim.

* Veja a entrevista com o diretor de harmonia da escola

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