Acordão no carnaval? Unidos da Tijuca teria prometido retirar processo contra Laíla em troca de apoio

tijuca_ensaiotecnico_2017_015O mundo do samba recebeu com decepção e revolta a notícia de que em 2017 nenhuma escola seria rebaixada, devido aos acidentes ocorridos nos desfiles de Unidos da Tijuca e Paraíso do Tuiuti. Com isso o Grupo Especial em 2018 contará com 13 agremiações, já que o Império Serrano se junta às agremiações. A reportagem do CARNAVALESCO apurou o que está por trás dessa decisão, uma vez que o próprio presidente da Liesa, Jorge Castanheira, informou à nossa reportagem ainda na área de dispersão da Unidos da Tijuca, que não existia possibilidade de haver rebaixamento e que a reunião de urgência com o presidente Fernando Horta era para tratar exclusivamente do apoio às vítimas.

Ocorre que sem o conhecimento de Castanheira, os presidentes das 12 agremiações do Grupo Especial convocaram uma reunião em que realizaram uma votação. Uma escola se absteve de votar, pois não compareceu (Imperatriz Leopoldinense) e outra foi contrária ao não rebaixamento em 2017, a Mocidade Independente de Padre Miguel. As outras 10 escolas decidiram pela virada de mesa.

Uma fonte ligada à uma escola de samba revelou à nossa reportagem o real motivo da reunião, que manchou o julgamento do Carnaval 2017. A escola do Borel prometeu retirar o processo por calúnia e difamação que tanto a escola, quanto seu presidente movem contra Laíla, após o diretor de carnaval da Beija-Flor ter dito ao término do carnaval 2016 que a escola teria um esquema para vencer o carnaval. Em troca a Beija-Flor apoiaria agora a Tijuca na reunião para convencer os demais presidentes.

tijuca_desfile_2017_117Único a não compactuar com o acordão, o vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, explicou à reportagem do CARNAVALESCO antes da apuração que, mesmo mediante a comoção pelas vítimas, as regras do jogo deveriam ser soberanas.

– A Unidos da Tijuca convocou a reunião e foi colocada essa situação em votação. Apenas a Mocidade votou contrária a essa decisão. Eu entendo e respeito a comoção pelas vítimas, algo que entristece a todos nós, mas na minha visão as regras do jogo precisavam ter sido respeitadas. É uma pena toda essa situação – ressalta.

Tijuca rechaça manobra e Horta revela que escola foi mal julgada

Procurada pela reportagem do CARNAVALESCO para tratar sobre o assunto o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, não se furtou a responder e declarou que um caso nada tem a ver com outro.

– Isso aí não fundamento algum. O negócio do Laíla foi ano passado, algo pessoal, que já foi resolvido. Ninguém retirou nada e o caso foi julgado já tem 5 meses – afirma.

Horta ressalta que além da Beija-Flor foram outras nove escolas que votaram de maneira favorável. E diz que mesmo com os problemas a Unidos da Tijuca não merecia o rebaixamento e que teria sido mal julgada em alguns quesitos.

– Não foi só apoio da Beija-Flor, foram outras nove agremiações. Foi um fato inesperado que aconteceu no desfile, uma fatalidade. Mesmo assim não seríamos rebaixados, pois terminamos em 11º. E afirmo ainda com convicção que fomos mal julgados em algumas notas, como samba-enredo – concluiu.