Afinal, o que é um bom enredo?

Foi aberta a temporada de lançamento de enredos nas escolas de samba e, a reboque, as redes sociais, fóruns e listas de discussões recebem avalanches de mensagens de comentários e críticas (sempre em maior número). É tamanha a diversidade de opiniões sobre os enredos, que devo confessar ao amigo internauta que é quase impossível chegar a um numerador ou denominador comum. Vejamos:

# Alguns acham que os enredos devem mesmo sair do lugar comum, pois, de outra forma, União da Ilha, Caprichosos e São Clemente não sairiam do Grupo de Acesso; o que não deixam de ter alguma razão.

# Outros afirmam que enredos patrocinados não geram bons sambas enredo; discordo, pois a partir do momento em que começam aparecer várias exceções, não se pode dizer que é regra.

# Já há os que afirmam categoricamente que enredo que é enredo tem de ter início, meio e fim. Com a palavra, enredos de homenagens e históricos.

# Outros discordam totalmente, pois enredos históricos estão repletos de erros e mentiras nos ensinados nos bancos escolares.

# Há os que acreditam que enredos "abstratos" fazem o carnavalesco fazer "viagens ao mundo da maionese", incompreensíveis.

# Não posso me esquecer dos que deixam o tema e o enredo de lado e focam apenas à sinopse, pois ela é que define a qualidade/potencialidade de um enredo.

# E ainda há aqueles que defendem que só no desfile é onde pode-se analisar a performance do enredo através dos elementos plásticos (fantasias e alegorias).

 Sou um pouco a tender para as duas últimas alternativas, mas sempre com muito cuidado no momento de emitir uma opinião definitiva. Por que? Porque já mordi minha própria língua inúmeras vezes, e custei a tomar vergonha na cara (ou na língua). Exemplos?

*  Vila Isabel – 1986, "De alegria dancei , de alegria pulei, de três em três, pelo mundo rodei". Achei um enredo (marchinhas de carnaval) batido e sem graça. Mesmo com uma sinopse de poucas linhas, Max nos brindou comum  desfile lindo e emocionante.

** Estácio – 1988, "O boi dá bode". Ao ouvir esse título, comentei "Ihh, Essa desce!" …. Língua mordida, maravilhoso enredo e desfile ilustrado pela Rosa….e quando a língua começava a se cicatrizar:

*** União de Jacarepaguá – 2000, "O vento que venta lá, venta cá" . Pensei "Com esse enredo, essa escola pretende o quê ?" Além da terceira mordida, levei uma aula de criatividade e aprendi que enredo na verdade é muito além do que consta naquela pastinha encadernada, com textos enfadonhos ou excessivamente didáticos.
 

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