Agora � moda: falar mal dos enredos 2013

Todo ano é a mesma ladainha, sai um enredo patrocinado ali, outro aqui e a galera caí em cima. Geralmente usam o carnaval de São Paulo para comparar, aí elevam o Rio e diminuem Sampa. Parece que para 2013 a coisa mudou de lado e os enredos visivelmente patrocinados chegaram com tudo no Rio. De 12 escolas do Grupo Especial, 10 tem enredos, digamos, diferentes.

Isso foi o bastante para alguns amigos e analistas de carnaval preverem o apocalipse carnavalesco, decretarem suas idas à Salvador ou região dos lagos e anunciarem essa crise cultural de enredos. Eu respeito, mas penso que a situação não é tão tensa assim. Penso que não devemos achar que tudo está perdido.

Mais uma vez: carnaval é a expressão mais popular de um povo. É a magia de transformar em carnaval um fato, um ídolo nacional, a política, enfim. Pra mim tudo de carnavaliza, tudo se transforma, tudo pode virar carnaval… Não devemos estabelecer uma regra de que “isso não é carnavalizável”. Carnaval é aquela linda ilusão romântica de transformar, de sair do quadrado. Não podemos enquadra-lo. A vida já é assim.

Destaco os enredos da Portela, sobre os 400 anos de Madureira e os 90 da escola. O enredo da Ilha, belíssimo sobre a vida e obra de Vinicius de Morais que completaria 100 anos. E o enredo da Vila Isabel, que pode ser patrocinado sim, mas pra mim é o que se saí melhor de todos. Tem a cara da Rosa, a cara da Vila e pra mim vai render um ótimo samba vide a sinopse muito bem feita.

Gosto bastante do enredo do Salgueiro sobre a Fama (me lembra a pegada do enredo de 2011) e do enredo sobre a “Alemanha encantanda” da Tijuca. Acho que será uma viagem diferente. Outro enredo muito simpático é o da São Clemente sobre as novelas da Globo. Penso que o apelo popular falará mais alto e o público se identificará com os personagens na Sapucaí, tem tudo pra dar muito certo.

Estou bem curioso para ver o enredo sobre a Coréia e o enredo da Grande Rio sobre a defesa dos royalties de Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, um tema de cunho político, interessante. Outro enredo que me parece interessante pelo ineditismo é a história do Cavalo Mangalarga da Beija Flor. Alia o luxo da escola com uma história diferente, me parece interessante.

Não sou fã de enredos sobre cidades, porém o enredo da Imperatriz e a abordagem feita na sinopse sobre o Pará me parece bem interessante. Outra que me chamou atenção pela sinopse foi a Mangueira que exaltará Cuiabá. Lembrou-me algo no passado… um passado campeão.

Agora o que me desperta mais curiosidade de ver na Avenida é o enredo da Mocidade. O desafio do Carnavalesco de contar a história do Rock In Rio e transformar isso tudo em alegoria em fantasia merece ser observado, comentado e – se for o caso – aplaudido.

Então amigos, não adianta reclamar, cabe a nós, amantes dessa doce ilusão sentar na arquibancada e gozar desse carnaval que começa a ganhar forma.
 

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