Águia de Ouro mostra que vem com força na briga pelo título do carnaval paulistano

 

 

Após ver o campeonato escapar por entre os dedos no último ano, por conta do estouro do tempo e a consequente perda de pontos como punição, a Águia de Ouro voltou a fazer uma bela apresentação e mostrou que vai brigar pelo título do Carnaval paulistano. Embalados pela paradinha do surdo de primeira inspirada na bateria da Mangueira e pela melodia imposta ao samba pelo intérprete Serginho do Porto, a escola da Pompeia fez um desfile cheio de energia para contar a história do compositor baiano Dorival Caymmi. Os carnavalescos da escola abusaram da altura das alegorias e mostraram que conhecem muito bem os segredos do Anhembi.

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A comissão de frente representou os sonhos de infância de Dorival Caymmi. Os bailarinos encenaram as visões e fantasias do menino Dorival. A coreografia foi auxiliada pelo elemento cenográfico decorado com elementos marinhos, com a escultura de um polvo ao centro. O casal de Mestre-Sala e Porta Bandeira, Kawan e Ana Paula, também mostrou uma passagem da infância de Caymmi. A sutileza do mar e o encanto que o litoral exerceu na obra do compositor baiano estiveram presentes na fantasia dos defensores do pavilhão da escola da Pompéia.

A Batucada da Pompeia, de Mestre Juca, como já virou tradição, mais uma vez se apresentou à frente do carro Abre-Alas e representaram os ogans que anunciaram as comemorações do centenário do compositor. Em sequência, o carro Abre-Alas mostrou a ligação de Dorival Caymmi com o mar e a veneração do compositor por Iemanjá, mostrada em uma enorme escultura na parte de trás da alegoria. Na parte da frente com elementos decorativos em formas de ondas e corais, estava a Águia, símbolo da escola que emergia de baixo d’água para pedir passagem para o desfile da escola.

A lagoa do Abaeté e a praia de Itapuã, um dos locais preferidos de Dorival Caymmi, apareceram no segundo carro da escola. A lenda do índio Abaeté, tragado por Yara para o fundo das águas e aprisionado pela serpente foi mostrada na alegoria através da escultura que representou o índio. O carro ainda trouxe mulheres e seus filhos encenando a famosa lavagem de roupas de Abaeté. Raízes e cipós entrelaçados deram à alegoria o tom sombrio encontrado no fundo da lagoa.

As mães baianas da Pompeia homenagearam as Yalorixás dos famosos terreiros da Bahia. As passistas lembraram as mulheres citadas das composições. Morenas, Marinas, Análias, Maricotinhas e Gabrielas estiveram presentes na Avenida. A crença do homenageado foi mostrada na terceira alegoria. As escadarias da igreja do Bonfim misturadas a elementos do candomblé e uma reprodução de Mãe Menininha do Gantois, deixaram claro o sincretismo religioso de Caymmi e do povo brasileiro.

O quarto setor do desfile contou a saga do nordestino que deixa sua terra natal em busca de uma oportunidade no sul. Canções de Caymmi que mostraram essa situação como “Peguei o Ita no Norte” “Retirantes” e “Navio Negreiro” foram representadas na quarta alegoria que, inclusive, teve uma encenação dramática que começava com o drama do navio de tráfico negro e se estendia até o fim da alegoria, virando uma verdadeira festa, com direito aos Arcos da Lapa, as calçadas de Copacabana e Carmem Miranda.

No último setor do desfile a Águia de Ouro homenageou a paixão do compositor baiano pela Estação Primeira de Mangueira. O último carro parecia puxado por uma revoada de águias. Todo pintado em verde e rosa e com uma enorme escultura do homenageado colocada ao centro, lembrou que Dorival Caymmi foi a inspiração para o enredo da escola carioca em 1986, quando a Mangueira conquistou um de seus mais importantes títulos.

 

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