Alcione será o enredo da Mocidade Alegre para o próximo carnaval

Na noite desta quarta-feira, diversos segmentos da Mocidade Alegre reuniram-se na quadra da escola para conhecerem o enredo para o Carnaval 2018, em evento transmitido ao vivo na página oficial ds escola no Facebook. O tema é A Voz Marrom que não Deixa o Samba Morrer, em tributo à cantora Alcione, que está prestes a completar 70 anos de idade e 45 de carreira.

alcione– Homenagear Alcione é uma forma de valorizarmos e resgatarmos o nosso orgulho de ser brasileiro, a nossa negritude, a nossa alegria, que está tão ameaçada por tantas notícias desagradáveis. Marrom é uma representante legítima de um Brasil brasileiro, responsável, feliz, que impõe respeito e encanta com seu talento. Estamos desde o final do último carnaval trabalhando para esse enredo de forma participativa com diversas lideranças da escola. Esse enredo foi aprovado pela nossa comunidade. E pela homenageada. Não tenho palavras para descrever a emoção que sentimos ao sermos recebidos pela Marrom, em ouvir as palavras emocionadas de gratidão quando ela aceitou nosso convite, a disposição dela em estar conosco… Não tem como não virar um fã apaixonado diante da grandiosidade dessa artista, sambista como nós! – disse com exclusividade para SASP a presidente Solange Cruz, que há 14 anos está no comando da escola 10 vezes campeã do carnaval paulistano.

Cantora e instrumentista nascida em São Luís do Maranhão e radicada no Rio de Janeiro, tem em sua carreira um verdadeiro divisor de águas da historia do samba, ao cantar seu primeiro sucesso (“Não Deixe o Samba Morrer”) em plena década de 70, resgatando o ritmo que tinha sua visibilidade ameaçada pela febre da discoteca e do rock importados. Versátil, fez um diálogo do samba com outros ritmos, como os batuques folclóricos do nordeste, a MPB, a música romântica, o reggae e boleros. Uma preocupação constante em apresentar uma arte popular carregada de dignidade, poesia, beleza e qualidade.

Marrom, como é conhecida, foi a primeira cantora brasileira a se apresentar do outro lado da cortina de ferro, na antiga URSS, para um público de mais de 300 mil pessoas na Praça Vermelha, em Moscou Isso no início dos Anos 80, quando o Brasil ainda vivia a repressão da Ditadura Militar e o mundo vivia assustado com a Guerra Fria. Sambista de frequentar quadra e visitar o barracão. Alcione é mangueirense de corpo e alma. De conhecer o morro que foi feito de samba. De ser fundadora e madrinha do pioneiro e grandioso projeto Mangueira do Amanhã.