Alexandre Louzada e Rosa Magalhães: Os maiores campeões da Era Sambódromo

Por Diogo Cesar Sampaio

louzada_mocidadeNa busca pelo bicampeonato, Mocidade e Portela contam com carnavais assinados pelos recordistas de títulos na Sapucaí. Com 6 vitórias cada, Alexandre Louzada e Rosa Magalhães construíram e detêm carreiras, trajetórias e estilos bem distintos, porém ambos já se encontram consagrados e renomados na folia do momo. Buscando escrever mais uma vez seus nomes na história do carnaval, a festa de 2018 pode ser o grande desempate entre esses dois “titãs”.

Louzada iniciou sua trajetória no carnaval assinando dois desfiles na Portela, nos anos de 1985 e 1986. Após isso, o carnavalesco teria passagens por diversas agremiações de menor expressão na época, até chegar em 1998 na Mangueira. Em seu primeiro ano na verde e rosa, desenvolvendo o enredo “Chico Buarque da Mangueira”, Louzada ganharia seu primeiro título.

Depois de três carnavais, sendo os dois últimos sem repetir o sucesso do primeiro, se encerra o casamento entre Louzada e Mangueira. Logo em seguida, uma segunda passagem pela azul e branca de Madureira e duas temporadas pelo Porto da Pedra, até chegar na escola do bairro de Noel em 2006. Na Vila Isabel, viria o segundo título do artista, com “Soy loco por ti, America: a Vila canta a latinidade”.

Com o título de 2006, veio o convite para integrar e liderar a já vitoriosa comissão de carnaval da Beija-Flor. Em sua passagem por ela, foram cinco carnavais assinados, sendo três deles vitoriosos: 2007, 2008 (que rendeu o bicampeonato para Nilópolis e o tri para o carnavalesco) e 2011. Em 2012, Louzada iniciaria sua história com a Mocidade, que na sua segunda passagem renderia o sexto título ao carnavalesco. Em 2017, assinando seu quarto carnaval pela escola, o segundo na atual passagem em Padre Miguel, Louzada se consagra recordista de vitórias na Sapucaí com “As Mil e Uma Noites de uma Mocidade para lá de Marrakech”.

lcm_rosaPorém, Louzada ainda divide o posto de recordista de títulos da Sapucaí com Rosa Magalhães. A “professora” como é chamada, iniciou sua caminhada no carnaval na equipe de Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues no Salgueiro em 1971, juntamente com Maria Augusta, Lícia Lacerda e Joãozinho Trinta. Após, desenhou também figurinos para Beija-Flor e Portela, nessa última ao lado de Lícia, com quem assinou junto seu primeiro carnaval como carnavalesca e seu primeiro título em 1982, “Bumbum Paticubum Prugurundum” no Império Serrano, antes mesmo da construção da Marquês.

Mas seria a partir da inauguração da Sapucaí que Rosa Magalhães iria desabrochar no carnaval. Ainda fazendo dupla com Lícia Lacerda, a estreia na passarela do samba foi na escola que mais marcaria sua trajetória: a Imperatriz Leopoldinense. Enfrentando sérias dificuldades financeiras, a dupla conseguiria um honroso 4º lugar com o enredo “Alô Mamãe”. Após essa experiência, a dupla faria um carnaval memorável na Estácio de Sá, “O ti-ti-ti do sapoti” de 1987, que rendeu a até então melhor colocação da história da escola no Especial, um 4º lugar.

Entretanto, a série de títulos na Sapucaí só começaria na década de 90, no reencontro de Rosa Magalhães e Imperatriz. Após um vice-campeonato pelo Salgueiro em 1991, Rosa é chamada pela escola de Ramos para assumir o lugar do já doente Viriato Ferreira, sob as recomendações do mesmo. Os dois primeiros títulos viriam pouco tempo depois, em 1994 e 1995, com “Catarina de Médicis na Corte dos Tupinambôs e Tabajeres” e “Mais vale um jegue que me carregue que um camelo que me derrube… lá no Ceará!” respectivamente.

A partir daí, nasceria uma rivalidade histórica entre as verde branco de Ramos e Padre Miguel, que marcaria essa década no carnaval. De um lado o estilo barroco e histórico de Rosa, do outro, o moderno carnaval high-tech de Renato Lage. Em meio dessa disputa particular, Rosa conseguiria uma marca e tanto, o primeiro tricampeonato consecutivo da Sapucaí, entre 1999 e 2001.

O casamento de Rosa Magalhães e Imperatriz Leopoldinense chegaria ao final no final dos anos 2000. A união rendeu uma dais mais duradouras e vitoriosas parcerias do carnaval. Foram ao todo 18 carnavais entre 1992 e 2009, com cinco títulos e dois vice-campeonatos, além de uma série de outros sambas e desfiles marcantes.

Após sua saída da Imperatriz, e uma temporada na União da Ilha, a carnavalesca chegaria na escola da terra de Noel. Rosa se reafirmaria como maior campeã da Sapucaí em 2013, conquistando seu sétimo título na carreira e o sexto na Era Sambódromo com “A Vila canta o Brasil celeiro do mundo- água no feijão que chegou mais um…”, seu terceiro carnaval na Vila Isabel. Com esse título, ela também chegaria à marca de única carnavalesca (o) campeã (ão) em todas as últimas quatro décadas.

Os mais próximos dos recordistas atualmente são Paulo Barros e Renato Lage com 4 títulos cada na Sapucaí, sendo que logo atrás está o veterano Max Lopes, com 3 campeonatos na Marquês. Outros carnavalescos muito vitoriosos na Era Sambódromo são Fran-Sérgio e Cid Carvalho, tendo 8 e 4 títulos respectivamente, ambos pela comissão de carnaval da Beija-Flor, que não reuni apenas carnavalescos, mas todo o pessoal responsável pela realização do desfile da escola.