Aloisio Villar analisa escolhas da Mangueira, Mocidade e Unidos da Tijuca

Mangueira, Mocidade e Tijuca fizeram o certo e escolheram o que tinham de melhor em seus concursos.

A Verde e Rosa tinha três sambas de estilos completamente diferentes e optou pelo mais tradicional e conservador que foi o da parceria de Lequinho. Um bom samba que tem alguns versos que chamam atenção como “É verde e rosa o tom da minha devoção / Já virou religião”.

Refrão do meio bonito e com apelo em “O manto a proteger / Mãezinha a me guiar / Valei-meu pai / Onde quer que eu vá”.

Tem pequenos defeitos como excesso de palavras terminadas em “ão” na primeira parte e a palavra Mangueira se repetindo duas vezes próximas uma da outra, mas nada que desqualifique a bonita obra.

A Tijuca teve problemas em seu concurso. Mandou que os “sambas voltassem” por nenhum ter agradado e o resultado final, apesar de justo, mostra que faltou um encaixe maior entre enredo e compositores. O samba da parceria de Totonho começa bem com um refrão na levada bem sucedida da escola nos últimos anos e destaque para o verso “To na boca do povo. meu nome é Tijuca”.

Samba descritivo, com poucos momentos de poesia ou tentativa e tem como um dos pontos altos o refrão do meio em que mostra a mistura americana e brasileira em versos como Chega my brother” e “Pura cadência juntou guitarra e pandeiro / Taí um soul de um jeito brasileiro”.

Mocidade fez a melhor escolha, de forma surpreendente já que foi um dos enredos mais criticados. Escolheu o samba da parceria de Altay Veloso. Samba com melodia poderosa e que já começa impactante em “Brilha o Cruzeiro do Sul” e fecha com tudo aquilo que o independente quer “Sonha Mocidade”.

Melodia é o tempo todo valente, guerreira e a letra é muito feliz como nos versos “Fui ao deserto roncar o meu tambor / Pra Alah conhecer o meu Xangô”. No fim uma segunda parte pequena mostrando a irmandade dos povos e explodindo no refrão principal.

É um dos sambas de 2017 que o povo do carnaval se apaixonou e a Mocidade foi muito bem em sua escolha, porque além de ser um grande samba gera uma expectativa positiva, sentimento tão afastado de terras independentes. Padre Miguel está orgulhosa de sua obra e como a mesma diz…se permite sonhar.