Após início apagado, comunidade mangueirense mostra canto forte em ensaio

 

 

Não foi aquele ensaio arrebatador, o bom e velho sacode que a Estação Primeira de Mangueira está acostumada a dar quando passa na avenida. Mas também esteve longe de ser um treino sem emoção. O grande destaque da passagem da verde e rosa pela Marquês de Sapucaí foi sem dúvida a comunidade mangueirense, que em certos momentos pulava e cantava com a habitual força que é a marca da escola.

 

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* VEJA AQUI: ESQUENTA DO SAMBA E BATERIA DA MANGUEIRA

 

Entretanto, o primeiro setor da Mangueira passou gelado pela avenida, com uma escultura de Iemanjá, para saldar o dia da rainha do mar, a comissão de frente foi decepcionante. As alas com passos marcados cantavam o samba, mas não sambavam e nem evoluíam com alegria, se limitavam a literalmente marchar pela pista.

 

 

– Acho que de positivo podemos tirar o contingente muito bom, a harmonia que a escola desenvolveu, coordenando o canto com a levada da bateria. De negativo só o início do nosso ensaio, tinha muita gente na pista, o que nos atrapalhou no começo da apresentação. Mas fizemos um bom tempo de desfile, e foi tudo dentro do previsto. Agora, lógico que temos de acertar, mas não vamos falar muito do que a gente precisa acertar, senão a gente acaba dando o ouro também (risos) – disse Moacyr Barreto, membro da comissão de harmonia da Mangueira.

 

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Comissão de Frente

 

A decepção da apresentação mangueirense. Os bailarinos comandados por Carlinhos de Jesus realizaram uma coreografia simples e não vestiram nenhum tipo de fantasia ou roupa especial, eles estavam apenas uma camisa com a inscrição “Comissão de Frente”.  O grupo ora se dividia em dois, ora se misturava, dependendo do momento do samba. A coreografia apresentada, aliás, não seguiu a letra da obra e a passagem não empolgou. Apenas o coreógrafo Carlinhos de Jesus animou as arquibancadas com suas saudações sempre simpáticas. Os integrantes possuem talento para brindar o público com uma performance especial feita para o ensaio técnico, o que não aconteceu.

 

– Estou voltando para casa depois de cinco anos afastado e isso é muito bom. Estamos fazendo um carnaval pé no chão e simples. A expectativa é muito boa porque Mangueira é aguerrida e traz o samba na cabeça. Nosso enredo é muito bom e bem desenvolvido. Fizemos brincadeiras coreográficas com traços da oficial. Seremos o que era, o que virou e como ficou, aguardem o dia oficial do nosso desfile de carnaval. A nossa alegoria é o nosso figurino e se eu disser que não haverá um tripé dirão: mas tem sim, se eu disser que não tem, dirão: claro que tem – explicou o coreógrafo Carlinhos de Jesus.

 

Mestre-sala e porta-bandeira

 

Raphael e Squel, que estreia como primeira porta-bandeira da Mangueira, estavam muito bem trajados, ele com um terno em um tom de rosa e ela com um belo vestido branco, cravejado por pérolas e um cabelo todo em estilo rastafari. A apresentação do casal foi correta, sem nenhum erro grave. Em certos momentos, eles arrancaram aplausos das arquibancadas, principalmente no momento de exibir o pavilhão mangueirense.

 

* VEJA AQUI: LUIS CARLOS MAGALHÃES ANALISA O ENSAIO

 

Harmonia

 

O ponto alto da apresentação da Mangueira. Como era de se esperar, o canto da escola foi muito forte, mesmo na "cabeça do ensaio", que como já fora dito, esteve fria. Alas coreografadas ou comerciais também cantavam, com exceção de algumas nos setores finais da escola. Mas mesmo essas que apresentaram canto não tão forte, possuiam componentes cantando. A ala que mais cantou foi a que estava com casais representando as festas juninas, com os homens de chapéu de palha. A coreografia não impediu os componentes de pular, cantar e evoluir com alegria. Pela atuação no ensaio, Luizito foi apontado como destaque e ganhou o calendário do ano de 2014 feito pela Brazil Carnival Ooah!.

 

– Ensaio foi maravilhoso, é uma prévia do que faremos no desfile. Agradeço ao CARNAVALESCO a lembrança, mas não sou mais importante que ninguém. Sou uma peça dessa engrenagem e tenho a honra de orgulho de ser a voz da minha escola – afirmou o cantor da Mangueira.

 

Evolução

 

Não foi satisfatória. O primeiro setor nem parecia Mangueira, com componentes que, se cantaram bem o samba, principalmente o refrão principal, se limitavam a marchar pela pista. Algumas alas deste setor passaram andando. A partir do tripé que representava a terceira alegoria houve uma substancial melhora e aí sim pode-se ver uma escola com cara de Mangueira. Alas cantando forte, sambando, pulando e evoluindo com desenvoltura. Outro senão na evolução mangueirense foi a caótica saída do segundo recuo de bateria, com alguns ritmistas chegando a ficar para trás enquanto a “Tem que respeitar meu tamborim” deixava a rua Salvador de Sá. Um fim de ensaio desorganizado e confuso.

 

Ao final do ensaio técnico da escola ficou a sensação de que o samba é muito funcional para o desfile, principalmente o trecho final da segunda parte para o refrão principal: “É carnaval estou aqui de novo..” até o final. Neste momento, a escola e todo o Sambódromo gritavam a obra, que é inegável tem a cara da escola. Agora, a Mangueira ainda precisa de mais organização nas suas alas e demais setores.

 

Com o enredo “A Festança Brasileira Cai No Samba Da Mangueira” a agremiação será a 4ª a desfilar no domingo de folia na Marquês de Sapucaí. Em 2013 a verde e rosa terminou na 8ª colocação.

 

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