Cahe Rodrigues defende enredo da Imperatriz para o Carnaval 2017 sobre o povo Xingu

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cahe_xinguApós quatro dias da reportagem do Canal Rural criticar o enredo da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2017, citando que a escola de Ramos fez “recortes crucificando o agronegócio brasileiro, tanto no samba-enredo, quando em algumas fantasias”, o carnavalesco Cahe Rodrigues defendeu o enredo da Imperatriz e disse que o “objetivo não é outro senão fazer um alerta sobre os riscos que ainda ameaçam as 16 etnias que ali resistem e, indiretamente, muitas outras espalhadas pela Amazônia”. (VEJA AQUI A REPORTAGEM)

– Nunca foi nossa intenção agredir o agronegócio, setor produtivo de nossa economia a quem respeitamos e valorizamos. Combatemos sim, em nosso enredo, o uso indevido do agrotóxico, que polui os rios, mata os peixes e coloca em risco a vida de seres humanos, sejam eles índios ou não, alem de trazer danos em alguns casos irreversíveis para nossa fauna e flora – comentou Cahe Rodrigues, em um post nas redes sociais.

A reportagem repercutiu com força no mundo do agronegócio, mobilizando agricultores e produtores rurais. Do lado do carnaval, os torcedores da Imperatriz e apaixonados pelo carnaval defenderam o enredo e a proposta da escola Leopoldinense.

Confira o post na íntegra do carnavalesco Cahe Rodrigues:

“Quando a Imperatriz Leopoldinense decidiu levar para a Avenida o enredo Xingu, o clamor que vem da floresta, assumiu o desafio de apresentar muito mais que um desfile voltado à cultura e às tradições das etnias indígenas que ocupam o coração do Brasil.

O clamor, destacado no título, pode ser traduzido como a voz que teimamos em não ouvir desde o dia em que os europeus descobriram oficialmente estas terras, batizadas com o nome da madeira que, antes da cana-de-açúcar, do ouro, dos diamantes e da escravaria, começou a enriquecer os cofres de Portugal.

Ao longo dos séculos, aprendemos que o povo brasileiro é resultante de três raças: o índio, o negro e o branco. No entanto, nossa História sempre foi contada pelos brancos, pois negros e índios raramente tiveram a chance de expressar tudo que tiveram de enfrentar para ajudar a construir essa História. Infelizmente, pouco sabemos sobre eles, além da certeza de que milhões de vidas foram ceifadas para dar passagem ao que os colonizadores do passado e do presente rotulam como “progresso”.

Antes de entrarmos no âmago do enredo que a Imperatriz, orgulhosamente, prepara para o Carnaval 2017, é importante reavivar a memória.

No Carnaval 2015, com o enredo Axé,Nkenda!, a Imperatriz fez um alerta sobre atitudes racistas que ainda ferem a raça negra. Para isso, fizemos uma viagem à África, mostrando de onde vem boa parte de nossas raízes culturais. Mostramos ao público o orgulho que devemos ter da genética negra que carregamos em nosso DNA.

No ano passado, pela primeira vez na história do Carnaval Carioca, a Imperatriz ousou em exaltar a música sertaneja, personificada na dupla Zezé Di Camargo e Luciano. Para falar de sertanejos, também mostramos a lida do homem do campo e da importância da agropecuária do Centro-Oeste brasileiro no abastecimento de alimentos para a nossa população. A mão que revolve a terra é a mesma que ponteia a viola e traz à mesa os alimentos que garantem a nossa sobrevivência.

Quando decidimos falar sobre o índio e, em especial, sobre a importância da reserva do Parque Indígena do Xingu, nosso objetivo não é outro senão fazer um alerta sobre os riscos que ainda ameaçam as 16 etnias que ali resistem e, indiretamente, muitas outras espalhadas pela Amazônia.

Cabe lembrar que os povos xinguanos são originários de territórios vizinhos ao Parque e foram transferidos para a reserva depois de um longo e exaustivo trabalho de convencimento feito pelos Irmãos Villas-Bôas, exaltados em nosso enredo. Não fossem os Villas-Bôas, esses povos indígenas, como tantos outros, já teriam desaparecido em função de doenças, envenenamento e atos de extrema violência cometidos por invasores de terras das mais variadas espécies, como madeireiros, mineradores e até fazendeiros.

Seria, no mínimo, estranha a nossa posição exaltarmos o trabalho de produtores rurais num Carnaval e criticá-lo no outro. Nem vamos sustentar números ou comparações entre os territórios ocupados pelas etnias indígenas, demarcados por leis federais, com as terras produtivas. Cada uma dessas áreas possui a sua finalidade e devem ser respeitadas como tal.

Nunca foi nossa intenção agredir o agronegócio, setor produtivo de nossa economia a quem respeitamos e valorizamos. Combatemos sim, em nosso enredo, o uso indevido do agrotóxico, que polui os rios, mata os peixes e coloca em risco a vida de seres humanos, sejam eles índios ou não, alem de trazer danos em alguns casos irreversíveis para nossa fauna e flora.

Mas também chamamos a atenção para o medo e a preocupação permanentes dos xinguanos, que a cada noite temem uma nova invasão de suas terras. Ou imaginam a catástrofe que a usina de Belo Monte desencadeará no ecossistema de toda aquela região, inundando aldeias, igarapés e levando na força de suas águas as chances de sobrevivência de sua gente. Tive a oportunidade de ver isso pessoalmente. Conversei com eles, ouvi a sua angústia.

Quando a Imperatriz decidiu levar o Xingu para a Avenida, tinha uma razão muito forte. Ela quer dizer apenas: respeitem o nosso índio e aprenda, com ele, a amar o que chamamos de Brasil.

Viva o Xingu! Viva os Irmãos Villas-Boas e todos aqueles que lutam pela causa indígena! Viva o Índio Brasileiro! Viva a Imperatriz Leopoldinense! Para sempre…”

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3 comentários em “Cahe Rodrigues defende enredo da Imperatriz para o Carnaval 2017 sobre o povo Xingu

  • 11 de janeiro de 2017 em 09:34
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    Fico pasmo em ler os comentários desses agricultores sobre o enredo. Mostra o quanto eles são alienados quando o assunto é cultura. Um simples alerta de um enredo de uma escola de samba causando todo esse alvoroço. Acredito que toda essa carga estaria quardada há anos esperando o momento certo para ser disparada. O rancor e a aversão as escolas de samba é tanto que passa despercebido por eles o papel que ela representa dentro da nossa cultura. Fazem criticas as agremiações, ao carnaval, enfim a tudo relacionado ao maior espetáculo da Terra, mas se a Liesa enviar várias credenciais, fato esse que acontece em todos os anos, eles estarão na pista atrapalhando o nosso trabalho de Harmonia. Atrapalhando a passagem e a evolução dos componentes, que são os verdadeiros donos da grandiosa festa. Os que não estão na pista, estão no luxuoso camarote, lugar que eu ao longo dos meus 43 anos de carnaval nunca pisei, aplaudindo a beleza do espetáculo. Desferem ofensas a classe dos compositores. Homens que na maioria das vezes tem que pedir para alguém escrever os seus versos no papel pois a vida difícil que levam e alguns levaram não houve oportunidade para aprender a escrever. Se pedirmos a essa gente para cantar um samba antológico que é cantado em quase todo o Mundo, mesmo os mais antigos, eles talvez cantem alguns versos, mas jamais saberão que o autor do samba, na maioria das vezes, passava por muitas adversidades na vida no momento da criação da obra. Tenho conhecimento da grandeza de caráter do carnavalesco Cahê Rodrigues. Sei das intenções desse artista, desde que ele andava pelas bandas de Caxias, fazendo maravilhosos enredos para a Tricolor Grande Rio. Jamais passará pela cabeça de quem conhece um pouquinho de carnaval, um pouquinho do mundo das escolas de samba, que esse Cahê que tanta coisa bonita e cultural tem feito nos nossos carnavais tivesse intenção de ofender ou achincalhar quem quer que seja. Parabéns Imperatriz Leopoldinense. Parabéns Cahê Rodrigues pelo belo enredo. Não deixe jamais que oportunistas posem de papagaios de piratas em seu ombro. É você o artista, é você um dos donos da festa, é você o ser iluminado que está tentando mostrar ao Mundo o que fazem com os nossos verdadeiros donos do nosso chão Brasil. Esperamos que mais Cahês por esse País a fora apareçam e também mostre ao Mundo a falta de respeito que esses senhores tem com o nosso Índio, com a nossa terra e com os alimentos que vão para a nossa mesa. Desejo todo sucesso a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense no carnaval de 2017 e que as criticas vindas de pessoas que nada sabem de respeito ao trabalho alheio, seja convertidas em notas positivas dos jurados no dia do desfile. Desculpem pelas palavras mas como Brasileiro, Sambista e defensor da nossa Cultura, jamais poderia me calar diante de tanta falta de conhecimentos desses cidadãos.

  • 10 de janeiro de 2017 em 23:58
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    Agradeça o alimento q saiu da elite desumana meu amigo, não seja hipócrita com suas palavras ofensivas.

  • 8 de janeiro de 2017 em 10:27
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    Estranho seria se a mídia e os “produtores” rurais não vestissem a carapuça! Claro que o pequeno produtor, os trabalhadores dá agricultura familiar não se sentiram ofendidos. Ficaram incomodados os que promovem grandes queimadas, derrubada de florestas, morte e invasões às terras indígenas e envenenamento da terra, alimentos e da população, eles são poderosos e têm todos os poderes aos seu dispor (mídia, judiciário, legislativo e executivo). Se duvidar aquela atriz global, que pega na vassoura para foto, vai invadir a avenida e promover a gentrificação ali mesmo. Já é sabido que a Imperatriz nem nas campeãs retorna, antes que me acusem de Teoria dá Conspiração, lembro da década de 1980, era o centenário dá abolição o lógico seria uma exaltação, porém a escola de Ramos optou por um enredo crítico, que citava dentre outros uma ferrovia inacabável e 171 a realeza me mandou uma princesa que fingiu me liberatar ficou em último lugar. Não fora rebaixada, no ano seguinte era o centenário dá Proclamação da Republiqueta do Brasil, a escola veio politicamente correta exaltando os marechais, com um desfile épico sagrou-se campeã. Somos um país com uma elite cruel retrógrada, desumana e escravocrata, fracassamos enquanto pátria mãe gentil, nos lindos campos que têm mais verdes e nos nossos bosques. Prepara-te Imperatriz, o cheiro que vais levar para avenida, que eles odeiam, irá te custar muito caro.

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