Após empate, Paulo Vianna decide e parceria de Diego Nicolau vence na Mocidade

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O dia chegou!  Após bater na trave por diversas vezes, o compositor Diego Nicolau, que também é intérprete da Viradouro, conseguiu o que mais sonhava. Ao lado de Gabriel Teixeira e Gustavo Soares, ele assina o samba-enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel para o Carnaval 2012, que terá como enredo o pintor Portinari, através do carnavalesco Alexandre Louzada. A vitória não foi fácil, já que a parceria de Jorginho Medeiros fez bonito na sua exibição. Após a votação entre os integrantes da comissão julgadora, houve um empate e o voto de minerva foi dado pelo presidente Paulo Vianna, que acabou sendo um pouco vaiado pelo resultado, mas enfrentou, pedindo respeito à Mocidade. No fim, tudo acabou bem e a bateria Não Existe Mais Quente embalou a comemoração até às 4h30, debaixo de chuva fina.

 

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– Acima de tudo escolhemos um samba que fala sobre Portinari, além de ter sido feito por uma parceria que tem um compositor que é Mocidade. Foi muito difícil. Houve um empate e eu tive que decidir. Decidi o que é melhor para a escola na minha visão – afirmou Paulo Vianna, que pouco antes de anunciar o resultado oficial já havia dado uma pista, mencionando os primeiros versos do refrão do samba campeão. Foi neste momento que as vaias começaram, mas antes que o apupo se tornasse maior, o dirigente respondeu, pedindo respeito à escola e foi aplaudido pela grande maioria dos presentes.

Autor de diversos sambas do carnaval carioca nos últimos anos, Diego Nicolau, resumiu a sensação de vencer pela primeira vez na escola do seu coração.

– Não tenho nem como explicar direito o que estou sentindo. É a vitória da persistência. Cheguei a três finais, uma semifinal, me afastei no ano passado e voltei agora. Chegou a minha vez. Realizei o maior sonho da minha vida no carnaval – revelou às lágrimas.

Chamou a atenção na obra campeã, a mudança melódica nos três primeiros versos do samba. O próprio Diego explicou a alteração.

– A gente analisou e viu que o samba começava um pouquinho pra baixo. Conversamos e fizemos essa alteração, o que deixou o samba melhor ainda. A escola abraçou o nosso samba e estou muito feliz de ver que a nossa torcida é composta basicamente por pessoas que amam a Mocidade, torcedores da escola que escolheram o nosso samba para torcer.

Outro membro da parceria, Gustavo Soares, que tem em seu currículo vitórias no Acadêmicos do Cubango, exaltou o nível da final.

– Foi uma disputa dificílima, mas deu o que a escola achou melhor, graças a Deus o nosso samba. Acho que o ponto alto dele é a melodia da segunda parte. Na verdade todo o samba é rico em melodia, mas a segunda parte é realmente linda, marca o samba e faz uma ótima preparação para o refrão – disse, revelando também o gasto total da parceria durante a disputa: R$ 15.000,00.

Quem também conversou com o CARNAVALESCO sobre a escolha foi o diretor de carnaval Ricardo Simpatia. Com o conhecimento de quem já foi campeão de samba-enredo algumas vezes na agremiação de Padre Miguel, Ricardo analisou a obra.

– Há dois anos estamos apostando em sambas alegres, mas chegou o momento de a Mocidade vir com alegria e um samba-enredo para emocionar a Avenida. Teremos o enredo contado de forma perfeita através deste samba, que é perfeito em letra e melodia. Será um show! A Mocidade vai ser a surpresa positiva da Sapucaí em 2012.

De acordo com Bereco, um dos mestres de bateria da Mocidade, dois ensaios já estão agendados para acontecerem antes da gravação, que ocorre ainda esta semana, na Cidade do Samba. A intenção é desenvolver mais intimidade entre os ritmistas e o samba escolhido.

– Esse samba tem nuances interessantes e iremos usar isso a nosso favor. Na gravação ainda não. O nosso objetivo é fazer um bom ritmo para valorizar a obra e para que as pessoas possam aprender o samba da Mocidade. Bossas e convenções serão trabalhadas posteriormente para serem executadas durante o desfile.

Confira com ficou o samba na voz de Luizinho Andanças

 

A noite

O primeiro samba a se apresentar foi o composto por Beto Corrêa, Fernando de Lima, RB Souza, Karlinhos Guerreiro, Ivo Patrô e Doutor. Com um refrão principal forte, a obra não conseguiu sustentação durante a apresentação. A melodia da cabeça para o meio do samba se arrastou um pouco e a interpretação não foi a mesma vista em outras fases da disputa. Ito Melodia, intérprete oficial da União da Ilha, que fez final também neste domingo, não pôde ir. Leonardo Bessa e Serginho do Porto bem que se esforçaram, mas a falta de intimidade com a obra era visível. A parceria levou um bom número de pessoas para torcer, mas que deixavam a desejar na hora de cantar. Outro problema foi a regulagem do volume do microfone de um dos intérpretes de apoio, que estava baixo. Beto Corrêa chegou a pedir para aumentarem durante a passagem do samba pelo palco. A letra, bem construída e poética, foi o destaque, mas o samba não despertou nenhum tipo de reação nos segmentos da escola.

Logo depois foi a vez do campeão da noite subir ao palco. Diego Nicolau, Gustavo Soares e Gabriel Teixeira fizeram a quadra da Mocidade ferver de vez com o lindo samba interpretado brilhantemente por Anderson Paz. A emoção começou antes mesmo de a apresentação começar oficialmente. Membros da torcida e integrantes dos segmentos da escola passaram a cantar o samba e prepararam o terreno para a grande apresentação que viria a seguir. Destaque para a mudança melódica nos três primeiros versos do samba, que foram cantados num tom mais alto e valorizaram a melodia da primeira parte. Neste momento, foi possível ver o presidente Paulo Vianna empolgadíssimo, cantando o samba em seu camarote particular. Durante toda a apresentação, a obra manteve-se firme e seu andamento, apesar de leve queda, não chegou a arrastar.

Veja como se apresentou o samba de Diego Nicolau, Gustavo Soares e Gabriel Teixeira

 

Antes da entrada da terceira parceria da noite no palco, pausa para uma homenagem de Paulo Vianna à presidente salgueirense Regina Celi, que esteve presente na quadra e recebeu um buquê de flores das mãos do presidente da Mocidade. Paulo parabenizou Regina pelo trabalho no comando da Vermelho e Branco da Tijuca.

A parceria de Marcelo do Rap, Toninho do Trailer, Diego Rodrigues, Madrugada e Valdir Correa começou a sua apresentação de forma muito aguerrida. O samba alternava passagens de extrema riqueza poética e outros de não tanta inspiração em sua letra. A melodia era leve, fluía de maneira natural e sem cansar o público. A torcida, porém, apesar da energia mostrada por Marcelo do Rap em cima do palco, cantou pouco. Os segmentos também praticamente não reagiram à apresentação, mas a passagem da parceria pelo palco foi um pouco superior que ao primeiro samba da noite e bem abaixo do samba campeão.

O quarto samba foi, sem dúvida, o que mais investiu na chamada superprodução das finais de samba-enredo. Com uma grande torcida, munida de muitos adereços de mão, a parceria preparou uma encenação durante a sua apresentação. O grupo, que chamou bastante a atenção da quadra, trazia dois homens interpretando Cândido Portinari em diferentes fases da vida, tudo isso com algumas mulheres com corpos pintados e um personagem central pintando uma espécie de quadro. Praticamente uma mini comissão de frente. No que tange ao samba, Domenil, Dr. Anibal, Rogério Martins, Gule, Leco da Alerj e Moleque Silveira, fizeram uma obra de melodia tradicional e letra rica poeticamente. A interpretação de Celino Dias e Rogério Martins também merece destaque pela emoção passada. Outro componente a mais da apresentação foi o uso de um violino durante a introdução. Tamanha dedicação, rendeu à parceria a terceira melhor apresentação da noite.

O vice-campeão da noite e último a pisar no palco foi o samba da parceria de Jorginho Medeiros, Marquinhos Índio, Arlindo Neto e Gustavo Henrique. Como já citado, a obra empatou em votos com o samba de Diego Nicolau e companhia, e a decisão final ficou a cargo de Paulo Vianna. O empate demonstrou bem o que foi a apresentação da parceria. De qualidade inquestionável, a obra possui até desenhos melódicos mais interessantes que o samba campeão, mas acabou perdendo pela letra não ter alcançado a qualidade que o vencedor da noite teve. A apresentação foi igualmente arrebatadora e teve um Wander Pires inspiradíssimo como voz-guia. Antes da apresentação começar, Wander, cria da Mocidade, pediu licença à Luizinho Andanças, atual intérprete da escola, para dizer que o samba transmitia toda a mensagem que ele gostaria de passar à comunidade da Verde e Branco. Durante a apresentação, Arlindo Cruz e a porta-bandeira Babi foram ao palco participar e prestigiar o samba do filho Arlindo Neto. Ao final, uma reação do público igual ou maior da que o samba de Diego Nicolau e parceria receberam. O suspense estava no ar e a decisão seria difícil.

Depois de cerca de 15 minutos, Paulo Vianna foi até o palanque da bateria e, após breve discurso e desentendimento com uma parte do público, pediu para que Luizinho Andanças cantasse o samba que a Mocidade Independente de Padre Miguel levará para a Marquês de Sapucaí em 2012. 'É por ti que a Mocidade canta'.