Ary do Cavaco é homenageado antes da apresentação dos sambas na Portrela

Na noite de ontem, durante as eliminatórias de sambas da Portela, – já com as chaves unificadas e na quadra da Caprichosos de Pilares – , a diretoria da azul-e-branco homenageou Ary do Cavaco, que faleceu na semana passada. Antes de começar o esquenta, foi pedido que todos rezassem um Pai Nosso e uma Ave Maria e, em seguida, fizessem um minuto de silêncio pelo compositor campeão cinco vezes.

 

Depois dos aplausos, Gilsinho, intérprete oficial da escola, começou o “esquenta” e, ainda como parte da homenagem, cantou o samba campeão de 2006 – “Brasil marca a tua cara e mostra para o mundo” – , quando Ary fez parte da parceria campeã.

 

Walter Alverca, um dos compositores da parceria de Ary, que continua na disputa, conversou com o CARNAVALESCO e contou o sentimento de se apresentar uma semana após a perda do amigo:

É uma sensação de vazio. Grande parceiro e compositor da casa. Mas tenho certeza que ele vai continuar dando força pra gente aqui e isso vai nos ajudar, quem sabe com uma vitória para ser uma linda homenagem.

Pelo segundo ano numa parceria (a primeira em 2010), Walter aproveitou para contar algumas superstições do compositor:

– Eu fiquei de ligar e contar o que tinha acontecido, até porque era de praxe tocar o samba, e depois ele ir embora. Outra mania era que o samba fosse um dos primeiros, apenas na final ele gostava de ser o último. Óbvio que, nessa hora, temos que contar com a sorte devido ao sorteio.

Antes de apresentar o samba, Fernando Bom Cabelo, que pela primeira vez compôs na parceria de Ary, proferiu algumas palavras contou ao CARNAVALESCO sobre o saudoso companheiro:

– Para nós, da parceria, é uma honra ter dividido essa obra com ele. Eu, particulamente, conheci o Ary em 1974. Não sou do Rio; vim de São Paulo, estou morando aqui tem pouco tempo. Desde o momento em que cheguei, ele me abraçou e me recebeu de braços abertos, junto ao Seu Valdir 59. Eu tenho certeza que, lá de cima, ele vai dar suporte pra gente, com muita luz. Melhor que ganhar esse concurso na Portela é ter dividido a obra com ele.

 

Continuando, Fernando falou sobre o “dia cheio” que o amigo e compositor teve na véspera do falecimento:

Naquele dia ele estava completando um ciclo. Estava muito feliz não só com o samba que passou bem, mas também com a ligação que recebeu do Monarco, convidando-o  para fazer parte da Velha Guarda Show da Portela, que era um sonho dele. Nesse dia ainda, ele ficou sabendo que ia receber uma comenda cultural da cidade do Rio de Janeiro pela participação dele na Música Popular Brasileira, devido as suas obras. – finalizou