Audiência pública na Câmara debate estrutura de segurança do Sambódromo para os desfiles de 2018

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Uma audiência pública nesta quinta na Câmara Municipal do Rio de Janeiro debateu a estrutura de segurança do Sambódromo para os desfiles de 2018, depois dos acidentes que causaram uma morte em 2017, da jornalista Liza Carioca. O evento foi promovido pela Comissão de Cultura da Câmara, presidida pele vereador Reimont Luiz (PT).

O tema central do debate girou em torno das questões de segurança para o trabalho de imprensa. O trecho de maior polêmica foi o processo de credenciamento e o acúmulo de pessoas na região de armação dos desfiles, onde se concentraram os incidentes no carnaval deste ano. O Sindicato dos Jornalistas fez reivindicações para melhorias do trabalho da imprensa. O diretor da entidade, Fábio Tubino, foi o responsável pelo uso da palavra.

– Fizemos um dossiê entregue ao ministério público do trabalho relacionado à segurança nos grandes eventos. A organização de um megaevento não deve se restringir a uma única instituição. São vários entes que precisam estar envolvidos. A imprensa de carnaval é uma das maiores e mais atuantes de nossa cidade – opinou.

As reivindicações do sindicato para melhorias nas condições de trabalho foram as seguintes:

– criação de corredor de deslocamento na pista de desfiles;

– mudança de local das cabines de rádio para o Setor 6;

– credenciamento mais criterioso, apenas para jornalistas;

– fiscalização do credenciamento feita pelo Sindicato;

– cabine para os sindicatos que fiscalizam as condições de trabalho;

– treinamento para seguranças que atuam no Sambódromo;

– criação de um Centro de Mídia para o carnaval.

Presidente da Comissão de Cultura da Câmara, o vereador Reimont fez uso da palavra em que classifica o Carnaval 2017 como trágico, o que foge do conceito básico da festa que é a alegria.

– Nunca houve um carnaval tão trágico. Foram mais de 30 feridos grave ou levemente com uma vítima fatal. Todos os acidentes demonstram uma perda de controle. A sociedade precisa refletir sobre isso. Não podemos permitir que uma festa baseada na alegria seja causadora de dor e sofrimento – definiu.

Representando a Liesa, o assessor da presidência, Luiz Gustavo Motof, explicou que mudanças para 2018 irão acontecer e a principal delas deve ser a mudança das credencias de armação para as mesmas características das de pista. Para acessar o local a rigidez terá de ser maior.

– Algumas restrições em função dos acidentes já serão realizadas em 2018, mas não podemos impedir a imprensa de trabalhar. Algumas intervenções ficam comprometidas pela limitação física do Sambódromo. Lembramos que é uma construção de mais de três décadas. Mas a conversa entre a Liesa e a comunidade envolvida é fundamental na busca de soluções. Uma dessas alternativas é interligar a área de armação com a de pista, o que vai tirar bastante gente daquela região – explicou Mostof.

O jornalista Anderson Baltar, da Rádio Arquibancada, externou preocupação com as mudanças sugeridas pela Liesa.

– Vejo com ressalvas essas mudanças e temo que isso signifique uma redução no trabalho da imprensa. Quando ocorreu o acidente com a alegoria do Tuiuti disseram que não era para as pessoas não estarem ali. Ocorre que eles só estavam ali pois o local reservado estava abarrotado de gente que não tem rigorosamente nada a ver com o trabalho de pista. As rádios precisam estar em um lugar onde visualizem o trecho que vale ponto do desfile. Os currais para a imprensa não atendem a essa demanda dos profissionais. O corte nas credenciais devem atingir os bicões, não os jornalistas – pediu o jornalista.

A também jornalista Bárbara Pereira também abordou preocupação com o credenciamento dos desfiles, que na sua visão é falho.

– Carnaval é cultura genuína do Rio de Janeiro. Vivemos sim um ataque à essa manifestação. Argumentos pejorativos em cima dos sambistas crescem e ganham força. Não é uma cultura menor. O grande problema é a concentração. Não há hipótese de que todos que ali estão estejam trabalhando. É preciso limitar o credenciamento a quem realmente produz conteúdo. Ele é falho e não privilegia os jornalistas – alertou.

Presidente da Portela e ex-comentarista do Site CARNAVALESCO e da Rádio Tupi, Luis Carlos Magalhães afirma que nenhuma mudança surtirá efeito se a área de armação não sofrer uma grande reestruturação.

– Acho que o ponto fundamental nas condições de trabalho e segurança está na concentração. O que é aquilo? Impossível você ter as mínimas condições de segurança com aquela quantidade de gente. Ali é lugar de quem está trabalhando. Como dirigente tenho enfrentado na Portela a questão das camisas que prejudicam muito o desfile. Cortamos quase à metade os pedidos e isso é que o credenciamento do carnaval precisa fazer – pediu.

O coronel André Freire do Corpo de Bombeiros ressaltou que o trabalho da corporação nos acidentes deste ano atenderam aos padrões internacionais e que a experiência em grandes eventos orienta que a prevenção é a melhor forma de evitar os acidentes.

– Algumas medidas já foram tomadas pela corporação. A segurança deve ser a prioridade em qualquer evento. Entendemos que a imprensa é nossa parceira nos grandes eventos. Segurança é um conjunto de competências. Os bombeiros fiscalizam e preveem os problemas que podem vir a ocorrer. Ao longo dos anos procuramos o melhor. Nosso atendimento atende aos padrões internacionais – garantiu.

O diretor de operações da Riotur, Bruno Mattos, defendeu o processo de credenciamento do carnaval e disse que o sambódromo precisa passar por intervenções urgentes de modernização.

– A Riotur faz diversas reuniões setorizadas com as secretarias envolvidas. Com relação ao credenciamento nós temos uma comissão específica para esse trabalho. A questão dos coletes é um tema delicado. É complicado atender todos os veículos. A Passarela ficou pequena para o carnaval, essa é a verdade. Todos os envolvidos precisam desse debate – finaliza.