Barracões da Série A: Cid Carvalho prepara desfile do Cubango com ‘luxo da criatividade’

O carnavalesco Cid Carvalho do Cubango não consegue parar de olhar para os carros alegóricos da escola no barracão. Muito atento em todos os detalhes, Cid aponta o que quer, orienta um funcionário e, assim, segue para a entrevista. Durante uma pausa do seu trabalho, o carnavalesco deixa o seu barracão, que comanda com muito esmero, e conversa com o site CARNAVALESCO, contando a expectativa sobre sua estreia no Cubango no Carnaval 2016 e como está a realização do enredo “Um banho de mar à fantasia”. Composta por 22 alas e quatro carros alegóricos, com o abre-alas acoplado, Cid Carvalho descreve o enfoque do enredo “Um banho de mar à fantasia”, que terá uma temática totalmente distinta da Beija-Flor, em 2004. 

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– Esse tema ligado às águas, não é novo na minha vida. Nem na minha carreira. Eu já toquei nesse assunto no carnaval de 2004, quando eu fiz Beija-Flor, no enredo sobre Amazonas. Eu acho que realmente, a nossa sociedade precisa se conscientizar da necessidade de se preservar as águas. Não é brincadeira o assunto. É pertinente voltar a falar disso, porque nós estamos às vésperas das Olimpíadas, todo mundo está vendo a Baia de Guanabara como está toda poluída, a Lagoa Rodrigo de Freitas também. Muito complicado – diz o carnavalesco, que segue preocupado. – Parece que não caiu a ficha no que se refere para preservação de águas. Água é vida. Sem água não há vida nesse planeta. É um bom período, por conta da chegada das Olimpíadas, esse olhar mais atento para nossas praias, lagoas, para nossas águas. É o momento – explica.

* OUÇA AQUI OS SAMBAS DA SÉRIE A PARA 2016

Recém-chegado à escola de Niterói, Cid Carvalho constata que a crise na Série A é muito grande. O carnavalesco disse que nem no Grupo Especial acredita em carnavais com muitos gastos. Entretanto, Cid acredita que existem outros métodos para buscar um bom carnaval. O material reciclado, por exemplo, é fundamental para a realização da festa. – O carnaval inteiro nós vamos fazer isso. No abre-alas iremos usar sal-grosso para fazer o fundo do mar. Nós vamos buscar alternativas, iremos buscar a reciclagem. Aliás, esse Carnaval de 2016 vai nos remeter ao carnaval de muita criatividade. Eu costumo dizer que nós possuímos dois luxos no carnaval, um é o que o dinheiro compra. Quem tem o dinheiro, tem o acesso a este luxo. E o segundo luxo é o luxo da criatividade, então você tem que ser criativo para ter o acesso – diz Cid Carvalho.

Com experiência vasta nas agremiações do Grupo Especial, o artista aponta que no processo de criação da folia é necessário buscar formas para conter custos gigantes. Segundo ele, existem formas de criar uma festa sem ter tantos gastos. – Você vai ter que pegar o material até corriqueiro, material barato e transformar isso em algo 
visualmente luxuoso. Há uma crise de fato, o material do carnaval é quase 90 % cotado em dólar, é um material importado. As escolas de samba que quiserem fazer um grande carnaval sem se endividarem mais ainda, terão que apostar no alternativo, no luxo criativo, não tem como apostar em algo muito caro porque realmente não será o caminho – aposta.

‘O carnaval de uma escola de samba não é feito só de barracão´

Apesar do resultado do carnaval ser colocado, na maioria das vezes, na conta do carnavalesco, Cid tem total ciência que este processo é um todo, e que ninguém realiza nada sozinho. – O carnavalesco não perde carnaval sozinho. Acho injusto quando um presidente tenta colocar na conta de um carnavalesco uma derrota. Na mesma forma que eu acho injusto afirmar que um carnavalesco ganha um carnaval sozinho. Ele ganha com essa equipe toda e com um presidente, uma diretoria, que está ali lutando, viabilizando, correndo atrás literalmente de dinheiro e grana para colocar o carnaval na rua. Não se faz nada sem a turma que viabiliza financeiramente o projeto. Gostaria de agradecer a cada componente, ao presidente Pelé, a turma do carro de som. Enfim, o corpo inteiro. Quando a gente se fala de uma agremiação, o carnaval não é feito só de barracão – diz.

Setores do desfile do Cubango para o Carnaval 2016

Setor 1
Cid Carvalho: "Eu pego as lendas no velho mundo, Netuno, sereias, os grandes monstros marinhos, as grandes serpentes. Depois eu atravesso o mar tenebroso, que é o oceano Atlântico, que era como era chamado antigamente, exatamente porque se acreditava muito nesses seres fantásticos que habitavam o oceano Atlântico".  

Setor 2 
Cid Carvalho: "Eu faço a travessia desse mar tenebroso, desembarco no Brasil, encontro com os índios e relato as lendas e os mitos indígenas associados a água, desde cobra grande boiúna, passando por Iaras, vitória régia, tudo isso que está ligado à cultura indígena".

Setor 3
Cid Carvalho: "Trago o elemento africano para o Brasil. E com a chegada do negro, chegam os mitos africanos, mais uma vez, ligados as águas, nesse caso nós temos as entidades: Oxum, Yemanja, Oxalá, Olocum. Todos ligados a religiosidade africana, mas todos com a água como elemento em comum".

Setor 4
Cid Carvalho: "E no final nós fazemos o grande alerta chamando a atenção para a necessidade de preservação, e eu espero que fique uma mensagem bacana, que um ou outro se conscientize da importância de cuidar melhor das nossas águas".

Equipe no barracão:
Desenvolvimento do enredo – Marcos Rosa
Pesquisa e decoração dos carros alegóricos – Rodrigo Ferreira
Escultura – Remo
Ferreiro – Adílson
Fibra – Miltinho