Barracões do Especial: Baianas do Império Serrano representam a deusa das sedas em enredo sobre a China

A saudade está perto do fim. O povo já está cantando para matar toda a falta que o Império Serrano fez nesses nove anos afastado dos desfiles do Grupo Especial. Com um pré-carnaval difícil em termos financeiros, a verde e branca da Serrinha apostou no talento de Fábio Ricardo para desenvolver ‘O Império na rota da China’. Fabinho recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no barracão imperiano para a série especial de matérias que conta os bastidores dos desfiles. O artista reconhece as dificuldades, admite os atrasos, agradece todas as ajudas que chegaram e garante que esse está longe de ser o pior ano de sua trajetória de 25 anos no carnaval.

fabio_ricardo– É mais um grande desafio nesses meus 25 anos de carnaval. Já fiz muitos desfiles no grupo de acesso e em condições piores. Já ergui um desfile em apenas 15 dias em meus tempos de Rocinha, começando do nada. As dificuldades se impõem e eu estou as enfrentando de peito aberto. O que vale é o amor que vem de dentro – destaca.

Mesmo diante de tantos problemas, Fabinho abre um sorriso quando perguntado por nossa reportagem sobre a emoção em fazer Império Serrano no ano de seu retorno ao Especial. Além da tradição de 70 anos de grandes sambas, Fabinho enaltece o seleto grupo de artistas que já assinaram carnavais no Reizinho de Madureira.

– Fazer o Império Serrano é uma honra muito grande. É uma escola de enorme tradição, com grandes nomes da história do carnaval. A escola ainda está se estruturando. Não é de uma hora para outra que as coisas vão acontecer. A grande missão é permanecer entre as grandes. Trabalhamos com uma grande dificuldade financeira, que se agrava pela nossa pouca estrutura. É uma missão gigante. Mesmo com todos os atrasos vamos realizar um belíssimo desfile – conclui.

O enredo do Império não será patrocinado, mas a proposta de falar sobre a China partiu da própria escola. Fábio Ricardo conta que teve toda a autonomia para adequar o tema às características estéticas da escola.

– O enredo foi uma proposta da escola. A presidente Vera já havia alinhado e eu na verdade conduzi de acordo com o desejo do Império Serrano. Tive a liberdade de desenvolver o tema da maneira que a escola pudesse fazer um bom desfile. Adaptei à personaloidade imperiana. Tive total autonomia para traçar a linha do enredo. Você pode tirar da China mais de 20 enredos. Eu já havia estudado algumas coisas e me veio a ideia de falar da rota da seda, as grandes invenções, religiões, dinastias. Quem vai fazer essa grande viagem é o próprio Império Serrano – explica.

Conheça o desfile

– Setor 1: Contamos tradições e lendas chinesas, o surgimento do país. De onde vem a seda. As baianas vêm representando a deusa das sedas. Vamos mostrar como nasceu o fio da seda. Há mais de três mil anos atrás.

– Setor 2: Algumas dinastias importantes. A primeira dinastia cxom as esculturas de bronze. Nesse setor também abordamos as invenções, de acordo com algumas dessas dinastias, como as escritas. As primeiras foram realizadas nas carapaças de tartarugas.

– Setor 3: Abordamos as religiões. Confucionismo, Tauísmo e Budismo. Teremos uma alegoria com o Buda onde faremos uma grande representação de um mundo espiritual. A divisão do espiritual com o material. O chinês é um povo muitoi culto e tradicional.

– Setor 4: O grande mercado de Marco Polo, por onde passou a rota da China. Marco Polo se uniu a outros povos, mongóis, árabes, turcos, europeus. Para cada um desses povos foi uma troca de conhecimento, comercial e cultural.

– Setor 5: as heranças chinesas. Pipas, lanternas, sinos. Tudo por conta dessa rota chinesa. Os famosos sinos de igrejas europeias, que hoje ganharam o mundo, foram uma invenção chinesa.

– Setor 6: Uma China mais tecnológica sem perder as tradições. No novo ano chinês o encontro com a grande festa do carnaval através do Império Serrano.