Barracões do Especial: Em homenagem ao Museu Nacional, Imperatriz vai revelar travessura de D. Pedro I com sarcófago de cantora

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Quem já leu a respeito da história da família real sabe que a figura de D. Pedro I não chegava a ser um fidalgo. O homem que deu voz ao grito da Independência do Brasil em 1822 será um importante personagem no carnaval que a Imperatriz está preparando este ano. ‘Uma noite no Museu Nacional’ vai contar a história de um dos museus mais simbólicos do país. Cahê Rodrigues, carnavalesco da escola, recebeu a equipe de reportagem do CARNAVALESCO no barracão e deu detalhes do desfile. Um deles é uma das muitas travessuras do imperador do Brasil. D. Pedro I, que adquiriu uma múmia de uma cantora do Egito Antigo em uma viagem para o país africano, tentou violar o sarcófago quando já estava no Brasil. Até hoje é possível perceber danificações oriundas da sua tentativa.

Passagens como essas estarão inseridas no desfile da Imperatriz para contar a história do museu com um dos maiores acervos da América Latina, mas que encontra dificuldades para mantê-lo devido à sua atual situação precária. Cahê revela que sua imersão na história do museu foi uma das coisas mais impressionantes que já viveu enquanto artista do carnaval.

imperatriz03– Foi uma descoberta diária pesquisar esse enredo. O que me chamou a atenção primeiro foi a relação da imperatriz Leopoldina com o museu. Só a Imperatriz poderia falar sobre esse enredo. É um grito de alerta para resgatar o museu, que encontra condições muito precárias. Eu vi um número enorme de objetos guardados por falta de espaço. Ao visitar o quarto que foi de D. Pedro II vi os vitrais originais da época. Existe um cofre com elementos da família Real que poucas pessoas tem acesso. É um lugar arrepiante – detalhou.

De acordo com Cahê será um desfile que vai remeter aos grandes carnavais da Imperatriz, por sua característica histórica. Entretanto, ele revela que o enredo precisa atender à roupagem do carnaval atual, onde os julgadores e o público necessitam ver um grande espetáculo.

– Desde que estou na Imperatriz é o meu terceiro enredo autoral. Os 200 anos do Museu Nacional tem muito a cara da escola, que gosta de contar histórias. O envolvimento da família real e da própria imperatriz Leopoldina gerou uma forte identificação com esse tema, o que considero natural pois remete a grandes carnavais da história da escola. Os tempos são outros. Aqueles grandes momentos com a Rosa estão no passado. A forma de avaliar um desfile mudou. As pessoas querem ver espetáculo. É difícil, pois se por um lado o público quer um grandioso espetáculo, a Imperatriz é muito conservadora. O roteiro histórico é muito interessante. Esse fio condutor da figura da imperatriz Leopoldina é muito bacana – afirma.

imperatriz02A situação no barracão da escola é puxada. Tanto que recentemente, por decisão do presidente Luiz Pacheco Drumond, a Imperatriz não liberou para a equipe da TV Globo as tradicionais filmagens para o RJTV. Segundo Cahê Rodrigues, o ano foi difícil por uma série de fatores.

– Tudo começa com a questão do corte da Prefeitura, que nos surpreendeu. A parte administrativa ficou desestruturada. A demora no repasse foi uma outra preocupação. Quando já tínhamos iniciado o projeto, veio a interdição. Isso causou muitos atrasos. A Imperatriz colocou os carros no zero por conta dos acidentes. Os chassis foram totalmente zerados, desde a base. Partir do nada para erguer seis alegorias com todos esses problemas foi um complicador muito grande – conta.

Conheça o Desfile

imperatriz05– Setor 1: “Esse Versailles tropical, o palácio que hoje abriga o museu. Apresentamos ele através da mão dos nobres. A abertura mostra de uma maneira lúdica a metamorfose que o palácio sofre até virar museu. Esses personagens, Leopoldina, D. João VI, Pedro I, Pedro II, Teresa Cristina, irão apresentar o museu.”

– Setor 2: “Da gênese ao apocalipse, os primeiros elementos que compõe a terra. É um início do passeio pelos salões do museu. Encerramos com um carro que fala sobre a paleontologia, que é um dos setores mais visitados lá. Nesse setor, como diz nosso samba, ‘ao anoitecer o museu ganha vida’, iremos fazer o local virar noite.”

– Setor 3: “Vamos falar dos animais, através de um passeio por outros salões, que tem uma grande riqueza de fauna e flora. Finalizamos com uma alegoria bem interessante, a zoologia.”

– Setor 4: “As antigas civilizações, trazemos elementos encontrados no museu mas história interessantes como a cantora de Amon. D. Pedro I quis abrir o sarcófago dela, inclusive ele está danificado por essa tentativa curiosidade dele de verificar se ali tinha uma múmia mesmo. Será um momento interessante e que teremos uma surpresa no desfile. Elementos da coleção de Teresa Cristina também estão inseridos ali. A bateria virá nesse setor.”

imperatriz04– Setor 5: “Falamos de uma parte pré-colombiana. Índios, incas, povos peruanos. Teremos miniaturas e elementos preciosos para a história do museu.”

– Setor 6: “Amanhece na Quinta da Boa Vista. É um encerramento romântico. Uma Quinta que serviu de cenário para muitas histórias. É um resgate desses tempos de lazer, pois o lugar está esquecido, abandonado. Teremos nessa parte o verde, banco e dourado, cores da escola. Teremos o jardim das princesas, que hoje é fechado à visitação. O relicário da Imperatriz são os tesouros de Ramos, a valorização de quem ajudou a construir a história da escola.”