Barracões do Especial: Grande Rio terá setor inteiro preto e branco e aposta no talento de Renato Lage para romper tabu

grio_gravacao2018_-24A Grande Rio conseguiu realizar o seu sonho de consumo neste pré-carnaval. Depois de muitas tentativas frustradas, finalmente, a direção da escola conseguiu contratar o carnavalesco Renato Lage para desenvolver um projeto. Depois de 15 anos no Salgueiro, o artista aceitou o desafio de trabalhar na tricolor de Caxias. Sua chegada, cercada de expectativas, infla o sonho do torcedor da Grande Rio de conquistar um campeonato. Lage recebeu a reportagem do CARNAVALESCO em sua sala no barracão da escola e contou os bastidores do enredo ‘Vai para o trono ou não vai?’, homenagem ao comunicador Abelardo Barbosa, o Chacrinha.

Renato confessa que tem sido um ano tranquilo para ele esse de estreia na escola. Ao contrário do que seus colegas de Cidade do Samba enfrentaram, ele confessa que excetuando-se as interdições que interromperam o trabalho no barracão, a crise passou longe de seu trabalho esse ano.

– Pra mim tem sido um carnaval bastante prazeroso. É uma estreia em uma agremiação bastante simpática. Essa questão de crise financeira eu não posso falar muito pois aqui não estou sentindo. Apenas a questão das interdições foram um pouco complicadas. Eu não encontrei qualquer tipo de limitação por parte da escola e eu também não fiz um projeto exagerado – confessa.

grio_gravacao2018_-25Quando se contrata um profissional do gabarito de Renato Lage não se busca nada diferente de que um título. Mas o próprio carnavalesco tira um pouco do peso dessa pressão de obrigação em ser campeão. Segundo ele, a escola trabalha para isso, o que é um passo importante para conquistá-lo.

– Para ganhar o carnaval é necessário montar uma equipe de ponta, pois a disputa é acirrada. Aliás, não se faz nada sem uma equipe por trás. No meu caso eu tenho a parceria da minha esposa, Márcia Lage, que executa o projeto comigo e é fundamental em toda essa engrenagem. A escola vem forte. O projeto da comissão de frente é fabuloso, Priscila e Rodrigo são muito competentes. A nossa bateria está mordida por tudo que houve ano passado, ensaiando muito. A direção de carnaval está focada e comprometida no desfile – destaca.

Renato fala sobre o enredo, que defende como muito rico no aspecto cultural pela importância de Chacrinha. O artista questiona os críticos do samba da agremiação, que segundo ele, cumpre a verdadeira missão de um samba-enredo, servir a um desfile.

– Acho uma homenagem bastante pertinente. Primeiro pela data redonda. Em 2018, o Chacrinha faria 100 anos. É um personagem fundamental da nossa cultura, que era assistido por todas as classes sociais. Eu acho que o enredo rendeu um belo samba, alegre, divertido, que serve ao desfile. Os entendidos, donos da verdade, acham que o samba é ruim. Essa obra me fez refletir melhor sobre o momento do gênero samba-enredo. Já tive desfiles com sambas muito elogiados que não aconteceram na avenida. Estou positivamente surpreso com o nosso samba – elogia.

grio_gravacao2018_-17Se superstição conta neste momento, Renato confessa que tem sentido na Grande Rio um clima semelhante à sua chegada na Mocidade, antes do desfile de 1990, quando iniciou uma era de ouro na verde e branca de Padre Miguel.

– Se vier o título maravilha, mas se não vier eu vou ficar satisfeito pelo início do ciclo. Eu gosto de criar esses períodos. Eu sinto que esse ano está bem parecido com aquele início na Mocidade em 1990. Foi escolhido um enredo que a escola gostou. Engraçado que eu sempre tive essa ideia de fazer o Chacrinha, um cara popular. Não cheguei a conhecer pessoalmente, embora tenha vindo da TV. A época que eu trabalhei éramos de setores diferentes. Havia uma proposta de patrocínio de peso na mesa e o Jayder nos perguntou, e optamos pelo Chacrinha – revela Renato Lage.

Conheça o desfile

“O Chacrinha nunca seguiu roteiro, dizia que veio para confundir. Então, eu farei como ele, não seguirei. Fizemos uma sequência do sucesso para o início da carreira. Não é uma biografia que mostra a vida pessoal. Teremos passagens interessantes. Damos um tratamento tropicalista, com o abacaxi, passamos por um setor inteiro preto e branco como na TV antes de ser colorida. Uma de nossas alegorias terá um octógono com anões, simbolizando a luta pela audiência. É um desfile bem-humorado como era o programa. O segundo carro será o Cassino, como um cenário do programa. Finalizamos com o carnaval do Recife, pois ele é pernambucano. Colocamos signos recifenses, como o frevo. O Chacrinha gostava bastante de festa. Teremos bonecos de Olinda que representarão os jurados famosos do programa, Pedro de Lara, Jesse Valadão.”