Barracões do Especial: O aguardado ‘casamento’ de Rosa Magalhães e a Portela

portela02Foram anos de flerte que nunca se concretizavam em uma relação estável. Rosa Magalhães sempre foi almejada na Portela. Seu estilo de carnaval clássico casava perfeitamente ao amor do portelense pelo bem vestir. Desencontros afastavam a realização desse sonho. Depois de uma breve passagem na escola nos anos 70, Rosa fez carreira vitoriosa, colecionou campeonatos e a Portela amargava uma longa sequência de jejum. Quando o jogo se inverteu, com o título para a águia altaneira e Rosa distante da glória desde 2013 o sonhado encontro se consumou.

A carnavalesca desenvolve o enredo “De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá”, uma temática densa e bem diferente dos últimos carnavais da escola, que tem por tradição temáticas bem tipicamente cariocas. Entre um rabisco e outro em seu projeto, Rosa conversou com o site CARNAVALESCO sobre o desfile de 2018, que pode significar um bicampeonato para a Portela, algo que não vem desde os anos 60.

– Eu já sabia dessa história sem grandes detalhes. Ganhei um livro de um amigo meu que é pesquisador em Harvard. Com uma tese de mestrado complementei tudo o que precisava, pois faltavam informações. Quando você tem outros componentes você é capaz de reduzir tudo para caber em um desfile. Esse foi o terceiro enredo que apresentei à diretoria, e a aceitação foi muito boa – conta Rosa sobre a proposição do enredo.

portela03Apesar do campeonato a Portela acompanha o problema financeiro que atingiu todas as escolas do Grupo Especial. Rosa, do alto de seus mais de 40 anos de experiência, dá uma sugestão para que as escolas deixem de ficar de pires na mão para buscar a auto-suficiência.

– É muito difícil trabalhar sem o conhecimento exato de quanto você realmente tem de orçamento. Isso envolve uma série de questões. Essa espera foi um pavor. Eu tenho uma sugestão que resolveria. Chegou a hora de viver nessa dependência. Vende as traseiras de todos os carros. Cada alegoria ganha X e você resolve o problema do seu carnaval. É uma comercialização normal – declara.

Rosa tem o humor inteligente dos grandes artistas, baseado em sua vasta bagagem cultural. E seu ácido senso de humor não livra nem o maior símbolo da Portela e um dos maiores do carnaval. Em tom de brincadeira fala à nossa reportagem que sugeriu ao presidente Luis Carlos Magalhães não fazer a águia esse ano. Obviamente que quase matou o amigo do coração.

– Esse negócio de águia é fogo. Falei para o presidente que não iríamos fazer águia esse ano (risos). Ele quase morreu. É bem difícil fazer, pois já tivemos de todos os jeitos. A mais bonita foi o Louzada que fez, em 2015. Vou fazer o possível dentro da realidade atual para estar à altura – brinca.

portela07

Conheça o desfile

portela06O enredo da Portela para o desfile de 2018 é uma saga nordestina, como muitas que conhecemos, com uma pitada de mensagem social contra o xenofobismo. Tudo com o recheio artístico que a carnavalesca costuma imprimir em seu trabalho. Rosa explica passo à passo o desfile da Portela.

– A Portela vem como diz seu samba. Começamos no Recife com a chegada dos judeus. A prosperidade financeira da Companhia das Índias devido à cana. Com a reconquista do espaço pelos portugueses, foi dado um tempo para todos saírem do Recife. Uma parte voltou para Holanda, outra para o caribe e outra para Nova Amsterdã, na América do Norte. Presos pelos piratas, não tinham recursos para pagar o resgate. Livres, foram para os EUA em uma colônia, onde se exploravam venda de peles. Ficaram lá e fundaram o que hoje é Nova Iorque. A primeira sinagoga foi feita por este grupo. E na estátua da Liberdade tem um poema escrito por um desses descendentes – finaliza.