Barracões do Especial: São Clemente aposta em carnaval literal e interativo para contar história da Escola de Belas Artes

sc_barracao2018_1Engana-se quem pensa que o desfile da São Clemente sobre a Escola de Belas Artes irá inundar a avenida com uma estética rebuscada e pouco inteligível. O ‘Academicamente Popular’ do estreante Jorge Silveira pretende ser bastante interativo e literal, como pede a estética atual do carnaval. Quem conta é o próprio carnavalesco, que recebeu nossa reportagem no barracão para contar os bastidores do desfile.

– A gente utiliza um conceito de fantasias espelhado na identidade visual de artistas citados. É uma quantidade grande de pintura de arte em figurinos. A plástica do carnaval estará semelhante à pintura. Isso substitui muitos materiais. Teremos bases de tecido muito baratas. Tecidos mais baratos com arranjos inteligentes que tornem os figurinos sofisticados. Será uma galeria a céu aberto, não cabem as fantasias abstratas, serão literais – explica.

Jorge revela uma curiosidade sobre o enredo da São Clemente. Ele não é necessariamente inédito. Ocorre que o próprio carnavalesco já o apresentou no carnaval virtual e quando o presidente Renatinho o convidou para assumir a escola já o pediu para que desenvolvesse essa temática.

sc_barracao2018_4– Eu já tinha uma pesquisa guardada sobre este tema e o apresentei no carnaval virtual em versão menor. Quando a Rosa deixou a escola o Renatinho já me procurou e pediu para que desenvolvesse esse tema sobre a Escola de Belas Artes. Me debrucei novamente sobre o tema, com novas referências e dei o formato que a gente vai ver na avenida no carnaval – revela.

Homenagens aos grandes carnavalescos da EBA estarão no desfile

É claro que para contar a história da Escola de Belas Artes não se pode esquecer de lembrar os artistas que, oriundos da instituição, contribuíram para as mudanças estéticas que modificaram a história dos desfiles de escola de samba.

– Na pesquisa encontrei nomes do senso comum e emblemáticos. Consegui catalogar dois momentos que abrigaram a escola no carnaval inicialmente. Teremos o doutor Rodolfo Amoedo, que em 1913 pintou o estandarte do Rancho Ameno Resedá. Foi o primeiro registro histórico que encontrei. Temos o casal Dirceu e Marie Louise Neri, que é o momento anterior ao Pamplona. Quando ele observa esse desfile do Salgueiro de 1959, ainda como jurado, e se encanta com aquilo. Teremos Maria Augusta, Lícia Lacerda, Rosa Magalhães e Márcia Lage. Gostaria de ter homenageado a geração atual. Metade dos artistas da Cidade do Samba são oriundos da E.B.A – afirma Jorge.

Com o carnaval pronto, Jorge Silveira, ressalta a quantidade de obstáculos que precisou vencer para concluir esse projeto e revela que o desfile de 2018 da São Clemente é o maior desafio de sua vida.

sc_barracao2018_3– Foi sem sombra de dúvida o maior desafio da minha vida. É uma pena que tenha sido no ano mais difícil na história da São Clemente. Tivemos interdição, morte de um funcionário, a perda do Ricardo. Um presença há mais de 50 anos na escola. A escola perdeu sua quadra, que acabou recuperando. Perdi meu pai. Foram muitos obstáculos, mas o saldo é positivo. As adversidades uniram muito mais a equipe de produção. A minha crença é de que a melhor maneira de resolver essa crise é mostrar a todos que somos muito maiores que eles imaginam – avisa.

Nada abala a confiança do promissor Jorge Silveira. Nem o fato de a São Clemente ser já a segunda a desfilar tira o otimismo do artista, que assina seu primeiro carnaval no Grupo Especial. Jorge aposta na interatividade das alegorias para conquistar o público.

– Tenho muita segurança no projeto. Vamos desfilar no horário nobre. Tenho a condição de preparar minha escola bem cedo. Eu serei o último a passar, como sempre faço. Eu tenho uma predileção grande por alegorias. Vamos ter carro com leituras interativas, não serão estáticos. A capacidade de se transformar ao longo do desfile, é o que mais gosto nesse projeto – avalia Jorge.

sc_barracao2018_2Conheça o desfile

Setor 1: “Começamos com a missão artística francesa e sua chegada no Rio de Janeiro há 200 anos atrás e a fundação da Escola de Belas Artes”.

Setor 2: “O Rio de Janeiro pintado por Debret, a impressão que esses artistas tiveram da cidade saindo da escola”.

Setor 3: “Os grandes salões da academia, a época exuberante da escola, os artistas realizavam concursos por medalhas”.

Setor 4: “Marcar uma transição importante, quando os alunos saem da escola e vão pintar a natureza”.

Setor 5: “Um mergulho na modernidade quando os salões da E.B.A se abrem para a cultura popular”.

Setor 6: “Os profissionais da escola levam sua estética para transformar o carnaval na maior festa áudio-visual do planeta”.