Barracões do Especial: União da Ilha terá 80 chefs brasileiros em desfile que busca ‘despertar desejos’

ilha_barracao_2018_3O ‘Brasil bom de boca’ da União da Ilha do Governador vai deixar todo mundo salivando na avenida. Pelo menos essa é a intenção do carnavalesco Severo Luzardo, que ao atender a reportagem do CARNAVALESCO no barracão, deixou claro que mesmo mediante uma grande economia feita, o desfile insulano tem o objetivo de despertar os desejos no público que assistir a tricolor.

– Nós vamos despertar desejos em vários aspectos. Uma escola que não tem dinheiro para adereços caros. Trazemos estampas exclusivas, criamos só para o desfile. Nossas alegorias vão dar água na boca. Vamos trabalhar com sensações e esse é nosso grande objetivo. As estampas são o carro chefe em termos de materiais. Reciclamos muita coisa também. Retiramos todas as plumas do carnaval passado e utilizamos novamente. Gastamos R$ 220 mil em plumas ano passado. Esse ano foi gasto R$ 50 mil – conta.

Severo vai para seu segundo trabalho no Grupo Especial, depois de uma estreia muito elogiada na própria Ilha em 2017. Na ocasião, problemas com alegorias acabaram impedindo que a escola brigasse por uma vaga entre as seis. O carnavalesco revela que o objetivo é entrar no sábado das campeãs.

ilha_barracao_2018_2– O objetivo é voltar entre as seis. Desde minha chegada aqui o presidente Ney e o Wilsinho me pediram para que ajudasse a transformar a escola em uma agremiação mais respeitada e não apenas uma escola que as pessoas tem simpatia. A União quer voltar no sábado e precisa disso – conclui.

Bateria será Cravo e Canela

O carnavalesco não é adepto dos segredos, como a maioria de seus colegas de profissão. Perguntado sobre o figurino da Baterilha não fez mistério, revelou e aproveitou para contar ainda como vêm as baianas da Ilha do Governador no desfile.

– Nossa bateria homenageia os negros, através dos temperos da comida brasileira. O que deu o gosto à comida que depois passa para os salões. As baianas são a pacova, um tipo de banana. Antes de virem as importadas – revela.

Severo conta ao CARNAVALESCO como o ‘Brasil bom de boca’ surgiu em sua mente. Segundo o artista, o ato de cozinhar e comer é uma das práticas culturais que mais falam sobre o perfil do brasileiro. Quem não tem uma história de família ou uma receita exclusiva para contar sobre determinado prato ou iguaria?

ilha_barracao_2018_4– Eu sou um apaixonado pela culinária brasileira. Sempre achei nossa comida impregnada de memórias afetivas. Até mesmo o churrasquinho da esquina, se você conversar com quem faz, ele vai te contar que o molho é especial por algum motivo. Sempre tive essa ideia de falar quem somos através do que comemos. O enredo surge a partir do livro ‘Brasil bom de boca’. Pedimos autorização ao Senac, que tem mais de 150 livros sobre a culinária brasileira. Daí começamos a montar esse belo enredo – relata.

Poucos carnavalescos podem se orgulhar de colocar carnavais bonitos na avenida com recursos mínimos como Severo Luzardo. Sua trajetória nos desfiles de escola de samba foi construída por trabalhos muito elogiados, mas que tinham como marca um grande reaproveitamento. Por isso, Severo conta que não sofreu tanto com esse ano de crise.

– De qualquer forma foi um ano difícil. O nosso barracão não chegou a fechar, seguimos trabalhando e realizamos as alterações propostas pelo Ministério do Trabalho, Sempre soubemos o dinheiro que teríamos, e construímos dessa forma o projeto. O cálculo foi em cima do orçamento previsto. Sempre se passa um pouco, mas nada que fosse dar dor de cabeça. Em meados de outubro decidimos trazer os grandes chefs, com uma renovação de energia. Eu sou um carnavalesco que me dispo de algumas coisas e não tenho pudor de reaproveitar. Sou um homem de cinema e televisão. Cinema nacional se trabalha com quase nenhum dinheiro. Já estou acostumado com isso e não sofro. Trabalho sem dinheiro, só não consigo trabalhar sem entusiasmo – filosofa.

Conheça o desfile

ilha_barracao_2018_1– Setor 1: “Vamos mostrar aquilo que chega de fora, as frutas, os animais, as especiarias e abrimos com caravelas. Antes do abre-alas teremos a coisa mais brasileira que existe: o pingado. Curioso é que tudo veio de fora, Café, açúcar e leite”.

– Setor 2: “Fazemos uma análise daquilo que já existia aqui. Milho, abacaxi e caju, O caju quando é descoberto aqui começa a ser levado para a corte como uma moeda caríssima”.

– Setor 3: “O que os índios trouxeram . Melancia, dendê, abóboras, melão, temperos e especiarias, galinha da Angola, feijoada. Teremos na alegoria a representação do moqueca. À frente teremos a Camila Reis representando a Gabriela Cravo e Canela. Nesse setor vem as 16 yabás da feira. Uma ação para homenagear o evento que a prefeitura está cortando”.

– Setor 4: “Soja, arroz, trigo, uva, chocolate. Terminamos esse setor com as grandes plantações”.

– Setor 5: “Trazemos o boteco. A caiporinha, pão de queijo, guaraná, coxinha, brigadeiro e açaí. Teremos 80 chefs brasileiros em nosso desfile. Selecionamos por região e convidamos”.