Barracões do Especial: Vila Isabel futurista dispensa materiais usuais do carnaval

vila03Quem for acompanhar o desfile da Unidos de Vila Isabel no Carnaval 2018 precisará se desprender da identidade histórica plástica da azul e branca. ‘Corra que o futuro vem aí’ irá exibir uma Vila futurista e high-tech. O desfile contará com as assinaturas dos amigos Paulo Barros e Paulo Menezes. A parceria é antiga, afinal, ambos já assinaram juntos o desfile da Renascer de Jacarepaguá em 2009 e foram campeões pela Portela em 2017. Paulo Menezes recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no barracão da Vila na Cidade do Samba para a série especial que conta os bastidores dos desfiles das 13 agremiações do Grupo Especial. Ele falou sobre a parceria com o amigo e disse que a decisão de trabalharem juntos veio deles e não da escola.

– Muita gente me pergunta como é trabalhar ao lado do Paulo Barros. Não existe uma divisão de tarefas, como pensam. O Paulo não faz alegorias e eu fantasias. Nós dois assinamos o projeto e brinco dizendo que jogamos tudo no liquidificador, misturamos e não sai briga. A primeira vez que dividimos foi na Renascer em 2009. O legal da gente é que não foi a escola quem nos impôs a divisão, fomos nós quem decidimos que era chegada a hora de trabalhar juntos – conta.

Menezes comentou também sobre a fusão de dois estilos distintos de carnaval. Paulo Barros é o que há de mais moderno em construção de estética carnavalesca e Paulo Menezes construiu sua trajetória através de desfiles mais tradicionais no estilo barroco. Entretanto, o próprio artista ressalta um desejo de atualizar sua estética.

vila01– Essa mistura é legal. Hoje eu tenho um cuidado maior com a técnica e o espetáculo. O Paulo tem uma atenção maior ao bom acabamento de alegorias e fantasias. A gente vai amadurecendo. Há um tempo eu gostava dessa classificação de barroco, hoje eu vejo que isso me limita. Desde a Mocidade em 2014 eu acho que tenho tentado construir um novo estilo – revela.

Vila sem plumas e materiais comuns de carnaval

A Vila Isabel quer surpreender o público sem utilizar os já batidos materiais que marcam a história dos desfiles de escola de samba. Não terá plumas e paetês, como conta Paulo Menezes. Segundo ele, a ideia de patrocínio veio antes do enredo, que foi totalmente desenvolvido pela dupla.

– Estamos com uma variação grande. Materiais que não são usuais de carnaval. Não tem lamê, não tem pluma, paetê. Usamos os materiais alternativos que nos dão visuais melhores dentro do enredo. Tem bastante plástico, coisa refletiva, lona. Chegou uma ideia com patrocínio. O desenvolvimento foi todo pensado por nós. As empresas estão se acostumando que interferir na criação não é legal. Fizemos aquilo que achamos adequado para carnavalizar o tema – conta.

Embora tenha conseguido um patrocínio para desenvolver o carnaval, a Vila não ficou imune à crise que atingiu todas as agremiações. Mas com vasta experiência no Grupo de Acesso, Paulo Menezes cita a experiência de realizar desfiles com poucos recursos.

– É ruim você começar com um orçamento e depois precisa readequar. A Vila teve um pouco de sorte por ter patrocínio. Hoje só se trabalha com a calculadora do lado. A cordinha foi puxada o tempo todo para o projeto sair. A experiência de Grupo de Acesso nos ajuda nessa dificuldade. Eu acho que para os artistas que tiveram essa passagem fica mais fácil – opina.

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vila09A expectativa dentro da Vila, claro, é pelo título, que a escola conquistou pela última vez há cinco anos. Paulo Menezes comenta a saída da Portela, onde a dupla foi campeã e lembra de uma curiosa coincidência nos últimos anos, que pode dar ainda mais esperanças aos torcedores.

– Louco é quem não quer ser campeão. Quem não tem objetivo na vida que fique em casa. Ganhar o carnaval é o desejo de topdo mundo. Nossa equipe acabou de ser campeã na Portela. O título é consequência de um bom trabalho. Por isso, a gente está preocupado em desempenhar um bom papel na avenida e isso fatalmente vai dar uma boa colocação para a escola. A saída da Portela só teve um objetivo. Desafio profissional. Conquistar um título lá tirando a escola de um jejum de três décadas foi um baita desafio. Estar na Vila nesse momento também é desafiador para nossa equipe. A Mangueira foi 10º lugar em 2015 e foi campeã em 2016. A Mocidade foi 10º lugar em 2016 e campeã em 2017. A Vila foi 10º lugar em 2017, quem sabe o título não vem esse ano? – filosofa.

O artista conta um pouco da mensagem do enredo de 2018.

– O enredo da Vila é uma pergunta: como será o futuro? A partir disso olhamos para trás e como nós mesmos imaginamos o futuro. A gente vai lembrando tudo que o homem inventou, tudo o que se descobriu e como o futuro foi sendo inventado pelo homem. Desenvolvemos o enredo através das grandes invenções e criações – explicou.