Bateria comanda desfile regular da Tuiuti na abertura do Grupo de Acesso

 

Levando uma das maiores cantoras do Brasil à avenida, a Paraíso do Tuiuti abriu os desfiles do Grupo de Acesso A do Carnaval Carioca em 2012 com uma apresentação apenas razoável. Com grande exibição da bateria comandada por Mestre Celinho, a escola traduziu bem o enredo "A tal Mineira", em referência à Clara Nunes, mas acabou pecando em alguns detalhes preciosos, que podem fazer a diferença na apuração da próxima quarta-feira. A comissão de frente, onde anjos mestiços davam à Clara o dom de cantar, foi outro destaque positivo – apesar de também ter cometido deslizes importantes próxima a uma cabine dos jurados.

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Se por um lado as alegorias e fantasias exibiam uma concepção de muito bom gosto e seguiam à risca o proposto no enredo, o acabamento dado aos carros alegóricos e o canto dos componentes deixaram a desejar. A Ala 2, "Seguindo a Estrela Guia", retrata bem a apresentação da Tuiuti: as fantasias estavam muito bonitas, porém algumas delas tinham elementos mal acabados, e os componentes mal cantavam o bom samba-enredo puxado por por Daniel Silva. Na Ala das Baianas, mais problemas com os elementos da roupa. Grandes "brincos" incomodaram as integrantes do grupo que, a todo momento, davam a impressão de que iriam cair.

No abre-alas, por exemplo, algumas lâmpadas não funcionaram, assim como a escultura de um músico tocando violão, que apresentava falhas – especialmente no instrumento musical. O último carro, com um telão exibindo grandes momentos de Clara Nunes, foi um dos pontos altos do desfile, assim como o segundo, em homenagem a uma de suas músicas mais famosas: "O mar serenou para a Rainha do Mar". Quem brilhou mesmo, no entanto, foi a bateria do Mestre Celinho, que deu show na Sapucaí. Com bossas simples, porém eficientes, e caixas de guerra muito afinadas, os ritmistas apresentaram uma edução musical impressionante e deram vida à escola que, no fim, correu um pouco, mas conseguiu encerrar sua apresentação em exatos 60 minutos.

* Veja a entrevista com o presidente da Tuiuti após o desfile

Confira como foi o desfile cabine por cabine:

Cabine 1 – A Paraíso do Tuiuti causou impacto logo em sua chegada à Sapucaí. A comissão de frente chamou a atenção pelo bom gosto. Nela, 14 anjos envolviam uma destaque que representava Clara Nunes. Graciosa, ela encantou a plateia e os jurados, em cima de um grande tripé que simbolizava seu vestido. Na apresentação, os outros dançarinos abriam este tripé, que se transformava em uma escada. Clara descia por ela e recebia dos anjos o dom de cantar. A coreografia, também de muito bom gosto, foi simples, porém arrancou aplausos dos espectadores. No entanto, espadas que faziam parte da fantasia, parecem ter atrapalhado alguns integrantes, que as jogaram fora bem em frente à cabine dos jurados, onde também aconteceu outro erro: o tripé foi mal conduzido e acabou atingindo pessoas que estavam na parte lateral da Avenida.

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Zé Roberto e Mara Rosa, veio logo atrás da comissão e parece ter sido um pouco atrapalhado por isso. A evolução da dupla foi somente regular, com uma coreografia simples e um pouco lenta.

A evolução da escola foi boa, mas alguns integrantes de alas diferentes, por pouco, não se misturavam no meio do desfile. Além disso, o canto de seus componentes deixou a desejar, o que pode fazer com que a Tuiuti perca pontos em evolução, harmonia e conjunto.

A bateria da escola se apresentou muito bem e as alegorias passaram sem nenhum problema.

* Confira a entrevista com o coreógrafo da comissão de frente da escola

Cabine 2 – A comissão de frente se apresentou bem, com uma bonita coreografia. Mas o tripé utilizado estava muito simples, não muito bem enquadrado com os integrantes da comissão.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma coreografia simples, dançando pouco. O problema foi que, em uma das voltas, Mara raspou a bandeira no rosto do mestre-sala.

As fantasias da escola eram simples, com pouco luxo e, em algumas alas, bastante leves. O ponto negativo é que as mesmas eram de difícil interpretação.

Quanto às alegorias, os três primeiros carros da escola estavam com um acabamento ruim. Porém, uma evolução foi notada nas duas últimas alegorias, que estavam bonitas e melhor finalizadas que os anteriores.

A bateria da Tuiuti não fez nenhuma bossa para os jurados. Apenas parou para cumprimentar os julgadores e seguiu o desfile. O intérprete da Tuiuti, Daniel Silva, comandou muito bem o samba-enredo da escola.

A escola apresentou problemas de evolução. Os componentes da escola começaram uma correria quando o desfile completou 50 minutos. A confusão gerou um buraco de, aproximadamente, 15 metros entre a ala 31 (Sanfoneiro da Gota Serena) e o ultimo carro da escola. A apresentação diante da cabine começou um pouco devagar e terminou com uma certa correria, principalmente nas alas do quarto setor. Outro fato perceptível é que muitos componentes "passeavam" durante o desfile, da escola, sem dançar ou cantar.

* Confira a entrevista com o carnavalesco da Tuiuti

Cabine 3 – A comissão de frente também apresentou uma coreografia simples para os jurados da cabine 3. Porém, justamente o julgador deste quesito aplaudiu a apresentação dos dançarinos de pé e assim ficou durante todo o desfile da Tuiuti.

Zé Roberto e Mara Rosa fizeram uma bela apresentação para os julgadores. Porém, o mestre-sala não cantava o samba-enredo daescola, diferente da porta-bandeira.

Observando as alegorias, pôde-se perceber que o abre-alas da escola possuía luzes apagadas nas laterais e problemas de acabamento no violão preso à escultura do lado direito do mesmo carro. Entre os carros, destaque para o quarto, que trazia a águia da Portela, além de Tia Surica e alguns baluartes da Portela.

A bateria também fez uma passagem simples diante da cabine 3, sem execução de bossas.

A harmonia da escola estava boa. No geral, componentes pareciam animados, mas os cantos fortes só podiam ser ouvidos no refrão principal do samba-enredo. Além disso, a evolução da escola ficou comprometida, uma vez que buracos puderam ser vistos em frente ao segundo, terceiro, quarto e quinto carros alegóricos. Foi notado, também, uma certa correria a partir da terceira alegoria da escola, quando diretores da escola apontavam para o relógio, apressando os componentes.

Outra observação foi feita em relação ao roteiro do desfile. Foi sentida a falta de algumas alas e, diferente do previsto, a bateria entrou no segundo setor do desfile da Tuiuti.

* Confira a entrevista com o diretor de carnaval da Tuiuti

Cabine 4 – A Tuiuti encerrou seu desfile tendo que correr um pouco. Por isso, a bateria não se apresentou na frente da última cabine de jurados e a escola não parou mais depois do segundo carro.

A apresentação da comissão de frente manteve a regularidade, mas sem erros desta vez.

O primeio casal de mestre-sala e porta-bandeira, no entanto, melhorou. Mais soltos, Zé Roberto e Mara Rosa sorriram bastante, representaram bem o samba e foram bastante aplaudidos pelos jurados.

Harmonia, evolução e conjunto, novamente, acabaram saindo prejudicados. Os componentes pareciam ainda menos empolgados no fim do desfile e, além disso, um buraco de tamanho razoável foi formado entre o segundo carro e a ala que vinha logo à frente dele.

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