Bateria conduz desfile digno do Império Serrano na abertura do Especial

Por Thiago Barros

imperio-serrano_desfile_2018_15-4Deu para matar a saudade. O Império Serrano voltou e fez um desfile digno da abertura do Grupo Especial do Carnaval 2018 na noite deste domingo. A campeã da Série A, com sobras, no ano passado fez uma apresentação justa, com grande destaque para os ritmistas da Sinfônica, que deram show na Avenida. Mas a escola deve se prejudicar por ter fechado o desfile com 63 minutos, dois a menos do que o mínimo estipulado.  Segundo o regulamento da Liesa, a escola deve perder 0,2 décimos pela infração.

À frente do desfile imperiano, a escola contou com um grupo de amigos de Arlindo Cruz, que segue internado após sofrer um AVC. As pessoas estavam com uma camisa com a caricatura do cantor e a frase “o show tem que continua”. Quitéria Chagas também desfilou na parte inicial da verde e branco.

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imperio-serrano_desfile_2018_15-11A comissão de frente foi bem divertida, o casal de mestre-sala e porta-bandeira fez uma bela passagem pela Sapucaí e o conjunto alegórico não decepcionou. Como o carnaval tem um julgamento comparativo, provavelmente, o visual ficará atrás da grande maioria das escolas do Especial, porém isso não tira o brilho do trabalho do carnavalesco Fábio Ricardo, que foi acima do que muita gente esperava.

Só que também aconteceram alguns problemas. O Império Serrano deixou buracos na Sapucaí, houve pequenas falhas nas alegorias e fantasias, e a harmonia da comunidade verde e branca não foi tão forte quanto nos acostumamos a ver. Por tudo isso, é provável que a escola volte à Série A, mas o componente não deve se chatear com seu desfile.

imperio-serrano_desfile_2018_31-5Enredo

O Império Serrano passeou pelo Oriente com o enredo “O Império do Samba na roda da China”, desenvolvido por Fábio Ricardo. A escola construiu um personagem viajante, que conduzido por um fio de seda, passeando pela rota milenar que liga o Oriente ao Ocidente. Destaque para o primeiro setor, que apresentava uma relação entre os dois impérios: o da China e o de Madureira.

No segundo, falava-se das Dinastias, o terceiro misturava o samba e as religiões, o quarto tratava do comércio, o quinto destacava a herança da Serrinha e o sexto foi aquela grande homenagem à escola e sua comunidade, sendo fechado com o carro alegórico que representava o Ano Novo Chinês.

imperio-serrano_desfile_2018_24-7Comissão de Frente

Quem representou muito bem o país homenageado, a China, foi a comissão de frente do Império Serrano. Junior Scarpin trouxe a China mais tradicional, ancestral, quando havia impérios, dinastias e guerreiros e a atual, colorida, jovem e seguindo tendências mais jovens e arrojadas.

O grupo tinha um grande tripé em formato de um daqueles templos chineses antigos, bem característico. A dança começava com todos fazendo passos bem fortes, com o uso de bambus, lembrando os guerreiros guardiões do Templo Dourado. Na segunda parte da coreografia, uma boa surpresa.

imperio-serrano_desfile_2018_24-3O elemento cenográfico se abria e dava lugar a um local bem colorido, com os jovens chineses fazendo alguns passos mais modernos, com direito até a uma pegada mais “street” e até arriscando um sambinha. No geral, foram apresentações corretas e que tiveram boa resposta do público.

Houve apenas algumas pequenas falhas, mas que talvez passem despercebidas: no primeiro módulo, uma das componentes quase caiu na hora de subir no tripé no final daquela apresentação. No terceiro, um dos componentes bateu tão forte com o bambu no chão que a ponta dele deu uma leve quebrada. Mas nada grave.

imperio-serrano_desfile_2018_26Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal do Império Serrano, Feliciano Junior e Raphaela Caboclo, foi para a Sapucaí como o Dragão e a Fênix. Claro, todos verdes e dourados, no melhor estilo Serrinha. Destaque para as “asas” de fênix e a “pele” de dragão nas fantasias. Tudo muito bonito, bem feito e com acabamento perfeito.

No bailado, nada a criticar os dois. Pelo contrário. A sincronia da dupla era visível. Os dois olhando o tempo todo um para o outro, com muitos sorrisos, mandando beijos, e realizando a coreografia com passos bem executados e confiantes. Foi um belo início para o quesito no Grupo Especial.

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imperio-serrano_desfile_2018_37-1Alegorias e Adereços

O conjunto alegórico do Império Serrano, provavelmente, será o mais modesto deste domingo. De qualquer forma, foi bastante justo. Fácil leitura, acabamento muito bom, concepção interessante. De problemas, uma falha de iluminação em um dos dragões no tripé à frente do abre-alas, que tinha algumas bolas na coroa meio amassadas.

Abre-alas foi o grande destaque do conjunto, todo dourado, abrindo um setor bem bacana da escola, que usou e abusou do verde e branco. Ele trazia a coroa, que é o símbolo da escola, cercada por dragões, símbolo da nobreza e do poder na China. O efeito visual foi muito interessante.

imperio-serrano_desfile_2018_51-3O segundo carro, com a Flor de Lótus, novamente em tom dourado, mas com detalhes em rosa e roxo também, foi outro bem agradável esteticamente. Na quarta alegoria, um “quê de Paulo Barros”, com componentes fazendo coreografias e outros simulando que escalavam a Muralha da China – na época da sua construção. O carnavalesco Fábio Ricardo participou da coreografia.

Fantasias

O visual das indumentárias do Império não foi tão agradável quanto o das alegorias. O grande destaque foi a ala mais “fofa” do carnaval até agora: os pequenos Kung-Fu Pandas, que eram crianças vestidas como o personagem do desenho animado, com maquiagem de panda e tudo.

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imperio-serrano_desfile_2018_58-7Fora isso, houve muitas alas com fantasias em verde, branco e dourado, seguindo a característica da escola, mas também brilharam roupas diferentes, como a Ala 7, de armas da dinastia, com vermelho e cinza, e a Ala 9, Taoísmo, o Yin e Yang, com uma parte preta e uma branca.

Por outro lado, algumas das vestimentas eram de um nível abaixo. Uma fantasia que decepcionou um pouco foi a das baianas. Elas abriram o desfile, com uma roupa que simbolizava As Senhoras da Lenda de Seda, totalmente amarela e com o visual bem simplificado, sem luxo.

imperio-serrano_desfile_2018_58Samba-Enredo

A obra de Tico do Gato, Arlindinho e parceiros teve rendimento irregular na Sapucaí. Sua letra não foi de tão fácil compreensão no desfile e o próprio componente não foi muito empolgado na apresentação. Destacou-se apenas o curto refrão principal, e a sequência “Voltei ao Meu Lugar”. O intérprete Marquinho Art Samba conduziu bem o samba durante o desfile.

Harmonia

Uma grande decepção do desfile foi o rendimento da comunidade de Madureira no desfile. Houve até algumas alas com canto forte, mas a maioria não fez o que pode fazer o componente imperiano. No começo da escola, por exemplo, a Velha Guarda, Ala 3, cantou mais do que muitas outras.

imperio-serrano_desfile_2018_77A Ala 2, que era a primeira “comum”, atrás das baianas, ficou muito abaixo. A ala 4, porém, foi quem melhor sintetizou o desfile. Alguns componentes cantando bem, e outros parados durante a maior parte do desfile. No meio deles, os que só cantavam durante o refrão.

Evolução

Normalmente, as escolas têm problemas por demorar demais e estourar o tempo dos desfiles. No Império, foi o oposto. A escola conseguiu a proeza de passar na Avenida com menos tempo do que o mínimo estipulado no regulamento. Como ninguém teve atenção a isso?

imperio-serrano_desfile_2018_92E o pior é que esse não foi o único problema. A escola também abriu buracos. Logo após a apresentação da comissão de frente no último módulo, o casal andou e a ala das baianas não, abrindo um pequeno clarão. O mesmo se repetiu quando a bateria parou para se apresentar no terceiro módulo e os passistas avançaram.

Por falar em passistas, uma cena que chamou a atenção foi quando, um pouco depois desse buraco, entre o terceiro e o quarto módulo, na altura do recuo de bateria, muitas componentes simplesmente pararam de evoluir. Algumas estavam somente andando – algo que nenhuma ala deve fazer.

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