Beija-Flor canta Jureme e parceria de Claudemir é aclamada em final de samba equilibrada

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Fotos de Allan Duffes

Como encerrar com chave de ouro uma temporada de grandes finais de samba? A Beija-Flor tem a resposta. A azul e branca fez o gran-finale das escolhas dos hinos oficiais para o Carnaval 2017 em grande estilo. E a parceria de Claudemir, Maurição, Ronaldo Barcellos, Bruno Ribas, Fábio Alemão, Wilson Tatá, Alan Vinicius, favorita desde o início da disputa, confirmou a vantagem e venceu o duelo com as demais três obras finalistas.

beija_final2017_159201016A parceria tem algumas curiosidades que vão além do grande samba construído. Como pela primeira vez Laíla autorizou integrantes de segmentos e funcionários da Beija-Flor a tentarem compor um samba-enredo, Betinho Santos, cavaco da escola e Alan Vinicius, violão da agremiação, se juntaram a Bruno Ribas, um dos mais importantes cantores do carnaval, e demais parceiros, no sonho de compor uma obra. E obtiveram não só sucesso como elaboraram um dos grandes sambas do ano. Foi a primeira vez de todos da parceria como campeões na Deusa da Passarela.

A apresentação do samba que seria o grande campeão iniciou-se de forma avassaladora na quadra, com os cantores deixando toda as duas primeiras passadas para a torcida e o público. Desde os primeiros acordes, os camarotes se agitaram prestando apoio ao samba. Bruno Ribas deu o recado e mostrou que não pode ficar de fora do carnaval carioca. A porta-bandeira Selminha Sorriso cantou o samba embaixo do palco, muito empolgada. Muitas pessoas com camisas que não eram da torcida oficial cantaram e a torcida enlouqueceu durante a apresentação pulando o tempo todo. Em diversos momentos os cantores liberaram o canto para a torcida, demonstrando o quanto a composição estava na boca do povo, até de torcedores de parcerias concorrentes.

beija_final2017_167201016Bruno Ribas vive a volta por cima ao vencer um samba em uma das maiores escolas do carnaval, depois de ficar de fora da elite do carnaval, desde sua saída da Mocidade, depois do desfile de 2016. O cantor, que defendeu a própria na quadra, conversou com o CARNAVALESCO sobre a vitória e diz não se ressentir por não estar no Grupo Especial do Rio de Janeiro.

– A sensação de ganhar como compositor é muito mais ampla, é óbvio. Eu como cantor das escolas que defendo canto o samba campeão, às vezes com muita felicidade outras nem tanto. Mas como compositor é algo indescritível. E olha que já venci na própria Beija-Flor como cantor, defendendo sambas. Eu sou um sambista, filho e neto de sambistas. Eu quero é estar no carnaval, não importa o grupo ou a cidade. Para mim cantar no Rio ou em Belém do Pará tem a mesma emoção. Não me ressinto de nada – confessou.

beija_final2017_087201016O compositor Alan Vinicius, ainda não acreditando na vitória, comemorou demais a conquista na Beija-Flor. Foi a primeira vez que ele escreveu samba na escola.

– Antes de tudo, eu preciso agradecer a minha mãe, Ana Maria, e meu pai, João da Paz, que em anos participando dessa escola, nunca conseguiu ganhar um samba, e hoje ele não veio, com medo de se emocionar demais, e eu ganhei. Acabou pai, deu Jureme! E vai dar Jureme na avenida. É a primeira vez que eu escrevo um samba. O refrão Jureme é tão forte que até quem não gosta de samba-enredo vai cantar esse samba. A gente resolveu apostar em uma pegada diferente, uma linha um pouco diferente do que a Beija-Flor costuma fazer, e deu certo. Saímos da receita de bolo tradicional, e apostamos no novo, mas com algumas pegadas mais antigas que farão o povo cantar esse samba o ano inteiro. Foi uma disputa muito dura, muito mesmo, mas independente de tudo que tenha acontecido, aqui a gente viu quem é campeão, que não é. Foi uma disputa muito rígida, mas a vitória é nossa. Meu primeiro samba-enredo – afirmou Alan.

Laíla afirma que a Beija-Flor vai surpreender na avenida

beija_final2017_077201016Na quadra da Beija-Flor muito se comentava que o estilo musical do samba campeão era diferente da linha melódica adotada pela escola nos últimos carnavais. E Laíla, diretor de carnaval, confirmou isso, mas explicou a decisão e deixou um pouco de mistério no ar quanto ao carnaval da Beija-Flor.

– Primeiro: há a necessidade agora de muito trabalho. Temos um samba muito bom, mas é preciso trabalho agora. Nós estamos nos propondo a fazer um carnaval completamente diferente, saindo da linha da Beija-Flor, porque esse samba não costuma ser a linha da escola. Mas escolhemos o samba que nós precisávamos, que nós queríamos, e vamos falar de Iracema, e esse samba é perfeito para isso. E vamos fazer tudo que temos que fazer a partir de agora da melhor maneira possível. E com esse samba um pouco diferente, eu posso garantir que a Beija-Flor vem com muita novidade para o carnaval – afirmou Laíla.

Com o samba já escolhido, bateria começa a trabalhar

beija_final2017_089201016Em entrevista ao site CARNAVALESCO mestre Rodney disse que já fará um ensaio com os ritmistas nesta sexta-feira para a gravação do CD do Grupo Especial, que acontece no sábado, na Cidade do Samba.

– Muito feliz que já temos o nosso samba, e daqui a pouco, na parte da tarde, hoje ainda, temos o nosso primeiro ensaio. Na verdade, já está rolando, porque já estamos aqui tocando ele. E foi um resultado maravilhoso; a escola tinha quatro belíssimos sambas, e o campeão realmente foi um samba que arrebatou a escola toda, arrebatou todo mundo. Agora, da nossa parte, é o CD, onde faremos um arranjo voltado para a venda, para a parte comercial, e depois pensar em algo para a avenida: mais pé no chão, mais para cima. No disco é uma coisa, na avenida é outra. Vamos para o desfile com 280 ritmistas, e com um samba que vai nos ajudar a vencer porque a gente foi prejudicado esse ano em dois décimos, mas vamos em 2017 com vontade, fé e garra para tirar a nota máxima e buscar esses décimos de volta – disse o mestre da bateria, Rodney.

Selminha Sorriso e Claudinho torciam por sambas diferentes

Esse ano, a Beija-Flor permitiu que compositores do país inteiro participassem da disputa, incluindo membros da escola. O mestre-sala Claudinho, concorreu pela primeira vez, mas não contou com apoio da parceira de dança que tinha o samba 10, de Claudemir, como seu preferido.

beija_final2017_030201016– Como esse ano o Laíla deixou a disputa bem democrática, o Claudinho competindo com um samba, o Neguinho torcendo para outro, então não escondi minha preferência. Mas eram todos muito bons, poderia ter ganhado qualquer um deles. Mas acho esse samba muito bom, alegre, pra cima, ele narra bem o enredo. Tenho certeza que faremos um excelente desfile – disse Selminha.

Claudinho contou que a partir de agora a dupla irá pensar na coreografia oficial.

– Demos uma paradinha nos ensaios pelo que aconteceu com a nossa amiga Selminha. Mas agora ela já está bem, retomamos os ensaios e vamos montar a coreografia baseada no samba. Já temos a nossa fantasia, mas por enquanto não posso revelar nada, nem como será e o que representa (risos) – brinca o mestre-sala que ao lado de Selminha, vai iniciar os ensaios para o Carnaval de 2017 já na semana que vem.

Análise das outras apresentações:

Parceria de Marcelo Valência
beija_final2017_001201016A parceria composta por compositores da comunidade da própria Beija-Flor iniciou sua apresentação de maneira muito forte na quadra. O cantor Tinga, o mister final, deixou as primeiras passadas para o canto da torcida que correspondia aos chamados do intérprete. O refrão do meio foi o momento de maior explosão da parceria na final, com um canto muito forte. A partir da subida da bateria o samba enfrentou uma certa irregularidade no canto, com seus trechos intermediários não rendendo o mesmo que o refrão do meio. O rendimento do samba não terminou como começou.

Parceria de Sormany
beija_final2017_019201016Os compositores tiveram de esperar cerca de 30 minutos até começarem a apresentação, pois Laíla exigiu o alinhamento completo da bateria para tocar em condições de igualdade para todos. Quando começou a apresentação o palco comandado por Zé Paulo Sierra optou por cantar o samba e não deixou para a torcida como as duas primeiras. Nem por isso o início da passagem do samba deixou de ser forte. O intérprete fez uma espécie de contra-canto com os dois primeiros versos do refrão do meio. Cantava “Aê, aê” e pedia a resposta do público. Os versos finais da segunda parte do samba deram um molho na apresentação e o refrão principal fazia a quadra explodir. Zé Paulo foi o grande destaque do samba.

Parceria de Serginho Aguiar
A parceria trouxe uma Iracema em um tripé de palha. A condução da obra ficou com o intérprete Nino do Milênio. Foi a parceria que teve a menor reação de pessoas de fora da torcida, embora Laíla tenha balbuciado trechos da letra no palco. O público já cansado causou dificuldades à apresentação.