Beija-Flor revela o motivo de sempre disputar o título

Apesar de não ter mostrado o nível de excelência já visto em alguns de seus ensaios na Marquês de Sapucaí, a Beija-Flor mostrou o motivo de todos os anos brigar pelo título. É uma escola com muito porte, pisa na Avenida como se estivesse na sala de casa. O nível de participação dos componentes no canto e a forma como defendem a agremiação é cativante e foram o principal destaque do ensaio. De negativo, a ausência de uma coreografia da comissão de frente para o público e um pequeno espaçamento das alas após a entrada da bateria no segundo recuo. Nada que pudesse tirar o brilho do último ensaio técnico desta temporada na Marquês de Sapucaí.
 

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A grande ausência sentida no ensaio da Beija-Flor foi a de um de seus maiores símbolos: Neguinho da Beija-Flor. Em São Paulo, cumprindo agenda de shows, um dos mais carismáticos intérpretes do carnaval carioca não conseguiu pegar o avião devido ao tempo chuvoso e não chegou a tempo para ensaiar. Menos mal que os demais integrantes do carro de som da escola seguraram bem o bom o samba da escola. O som, que havia apresentado muitos problemas no ensaio de sábado, funcionou perfeitamente.
 

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Antes da entrada da escola na Avenida, membros da Beija-Flor defumaram a entrada da Avenida e o diretor de carnaval, Laíla, pediu que os famosos bicões dos ensaios técnicos não atrapalhassem a armação da escola no setor 1. Ainda em seu discurso, Laíla disse para a comunidade nilopolitana que, no desfile oficial, a escola vai buscar o título de qualquer maneira. Para dar um toque especial ao início do desfile, o criador do projeto do Sambódromo, Oscar Niemeyer, esteve à frente da Beija-Flor num carrinho de golfe. O público aplaudiu bastante a passagem do arquiteto.
 

* Vídeo: a bateria da Beija-Flor em ação no ensaio técnico


– De onde eu vi o ensaio achei que a escola cantou e evoluiu maravilhosamente bem. Logicamente preciso conversar com todos os outros diretores de harmonia para termos um parecer mais abrangente. O Neguinho não pôde vir em razão de um compromisso em São Paulo, mas o desempenho dos meninos do carro de som está aprovado. Vou apenas corrigir a pronúncia de algumas palavras com eles. A Beija-Flor está preparada para pisar aqui no domingo que vem e tentar o bicampeonato. Eu costumo dizer que essa chuva é sinal de prosperidade, tomara que eu esteja certo (risos) – afirmou Laíla.
 

* Vídeo: tamborim da Beija-Flor

Comissão de Frente

Como já havia feito no primeiro ensaio técnico, a comissão de frente da Beija-Flor, coreografada por Fábio de Mello, não apresentou nenhuma coreografia para o público. Limitou-se a marcar o tempo de apresentação em cada cabine e acabou frustrando um pouco a expectativa da plateia. O que deu para notar foi que a escola optou por homens bem altos e fortes no grupo, algo que está um pouco em falta nas comissões atuais.
 

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Ainda na cabeça da escola, os inconfundíveis Claudinho e Selminha Sorriso mostraram o bailado clássico que lhes é peculiar. Foi possível observar partes da coreografia do casal, que incluiu alguns movimentos que fazem menção à letra do samba. Selminha empunhou o pavilhão da escola de forma perfeita mais uma vez. Já Claudinho, mostrou muita classe no cortejo à sua parceria.
 

Harmonia

Não é mais novidade que a Beija-Flor é uma das escolas que mais canta. Em todas as alas da Azul e Branco é difícil perceber algum componente sem participar ativamente do canto. Mesmo nas alas coreografadas, que acabam cantando menos, o nível da Beija-Flor não cai. As alas que estiveram um nível abaixo no canto foram as seguintes: Tom e Jerry, ala das crianças, e as duas imediatamente à frente do 2º casal de mestre-sala e porta-bandeira. As que mais se destacaram foram: ala Pura Raça, e uma que parecia representar Ana Jansen. Vale ressaltar também que foi possível perceber muitos componentes cantando errado uma parte do samba. Ao invés de cantarem 'na terra da encantaria', alguns componentes cantavam 'na terra da infantaria'.
 

Evolução

A evolução da Beija-Flor durante o ensaio técnico desta noite pode ser dividido e duas partes: antes e depois da entrada da bateria no segundo recuo. Na primeira parte, foi perfeito. Não havia espaçamento entre as alas e cada ala mantinha muita organização em seu interior. Depois da entrada da bateria no segundo recuo, houve um espaçamento excessivo da ala de passistas. Em razão do avanço da ala da frente, ela praticamente se dividiu em duas e as alas que vieram atrás tiveram que correr um pouco para que a escola ficasse compacta novamente. A última ala da escola também ficou devendo em organização, alguns buracos dentro dela foram claramente percebidos.
 

Ao que parece, a teatralização estará presente em praticamente metade do desfile da Beija-Flor. O trabalho de Hilton Castro é digno de muitos elogios. Existe quem torça o nariz, mas é inegável a perfeita adequação ao enredo e a criatividade para retratar os diferentes momentos propostos. Não se sabe se alguns dos muitos componentes que vieram no chão no ensaio desta noite, virão em alegorias, mas cabe o alerta para que seja trabalhada a sequencia de alas teatralizadas. Havia muitas no mesmo setor do ensaio e ficou uma leve sensação de falta de espontaneidade em alguns momentos.
 

Bateria

Sustentar um samba é mesmo com a bateria da Beija-Flor. Os ritmistas comandados pelos mestres Rodney, Plínio e Binho mostraram que estão muito bem preparados para o desfile. A bateria mostrou equilíbrio na sonoridade dos instrumentos, manutenção do andamento e executou as bossas somente em frente aos módulos de julgadores e dentro do segundo recuo. Mesmo não tendo grande  grau de dificuldade, as bossas são coesas com a melodia do samba e foram perfeitamente executadas. Destaque para o trabalho feito com as caixas de guerra da escola. São duas batidas que, mescladas, produzem o cenário perfeito para sustentação do mesmo andamento durante todo o tempo. A educação musical de todos os marcadores também foi destaque.
 

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