Beleza estética é destaque positivo da Mangueira em novo desfile com diversas falhas

 

 

Não foi de imediato que a troca de administração rendeu frutos à Mangueira. Repetindo erros de anos anteriores, a escola passou com beleza irretocável, mas teve sua avaliação geral comprometida devido a falhas em Harmonia, Evolução e Conjunto. Apresentando o Enredo "A Festança Brasileira Cai no Samba da Mangueira", a Verde e Rosa encerrou seu desfile no tempo limite permitido, 82 minutos.

O tema escolhido pela Mangueira para 2014 foi muito bem desenvolvido por Rosa Magalhães. A Carnavalesca produziu um material de extremo bom gosto e facílima leitura sobre as diversas festas de rua Brasileiras. No aspecto visual, a escola exibiu um desfile louvável, que acabou contrastando com as falhas técnicas cometidas pela agremiação.

Comissão de Frente e Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Os dançarinos da Comissão de Frente da Mangueira, coreografados por Carlinhos de Jesus, que estava fora da escola desde 2008 encenavam o choque de culturas entre portugueses e índios na época do descobrimento e a mistura de festas que o Brasil tem nos dias atuais. A coreografia e teatralização apresentadas foram muito bem recebidas pelo público, que aplaudiram muito a passagem da Comissão pela Sapucaí, principalmente no ápice da exibição, que era justamente a troca do primeiro para segundo ambiente gerado pelos componentes. O que comprometeu a apresentação era o tempo utilizado para a troca de figurinos, que acontecia entre todos os dançarinos ao mesmo tempo e à vista dos jurados. E o risco corrido acabou dando errado de maneira mais perceptível no quarto módulo de jurados, quando uma das dançarinas não conseguiu terminar toda a troca a tempo e teve que ser ajudada por outra bailarina enquanto o início da coreografia após a mudança de roupas já acontecia. Em seguida, foi a vez de Raphael Rodrigues e Squel roubarem a cena. O Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira da Mangueira se apresentou nos módulos com muita sincronia e esbanjando simpatia. Além da bela dança, o Casal fez duas coreografias usando a letra do samba, quando os dois faziam um breve passo relacionado às Festas Juninas no trecho "pegue seu par, dance quadrilha" e, mais adiante, quando Squel se destacava de seu par para sacudir a bandeira ao som de "Tremula a bandeira da diversidade".

Harmonia e Samba-Enredo

O Samba da Mangueira não pareceu ter caído nas graças dos componentes da escola. Apesar do bom trabalho feito pelo emocionado Luizito, os mangueirenses apresentaram um canto muito irregular. Em sua grande maioria, os componentes cantavam com vontade o trecho a partir de "É Carnaval, estou aqui de novo" até o fim do seu principal refrão. No entanto, no restante da música, o canto não era forte como é de costume se ver nos desfiles da Verde e Rosa. O contraste entre componentes que cantavam a obra inteira e os que não sabiam quase nada da letra era visto inclusive dentre da mesma ala, como pode ser visto em "Anjo do Cortejo do Divino", "Brincante do Bumba Meu Boi" e "Arco-Íris da Diversidade". Destaque para o canto entoado por praticamente todos os integrantes nas alas "Iemanjá", "Bacamarteiros", "Tribo Indígena – Boi Caprichoso" e "Porta-Estandarte do Cordão da Bola Preta". Também vale destacar a ala das crianças, "Mamulengos", que cativou o público e deu um verdadeiro show nas coreografias.

Evolução e Conjunto

Outro ponto negativo da Estação Primeira, algo que vem se repetindo nos últimos anos e a escola precisa corrigir. Logo no ínicio, assustava observar o número de pessoas com roupa de diretoria atravessando o desfile da escola pelas laterais. O cordão humano atrapalhou o trabalho de jornalistas e a Evolução dos componentes que, por vezes, se desentendiam com os "foliões". Além disso, outro problema repetido foi o com as alegorias da escola. Primeiro, com 36 minutos de desfile, pôde-se observar o Abre-Alas com dificuldade de ser retirado do fim da pista e se encaminhar para a dispersão, o que fez a escola ficar totalmente parada por cerca de 4 minutos. Mas a falha maior viria mais adiante. De maneira inacreditável, a escola pareceu esquecer o problema que a altura de um carro alegórico trouxe à escola em 2013 e, novamente, teve uma alegoria travada na torre do sambódromo. O índio gigante do carro "O Ritual da Pajelança na Festa do Boi de Parintins" era mais alto que a "barreira" e acabou perdendo a sua cabeça depois da insistência dos empurradores em tentar fazer a alegoria passar.

Fantasias

Ponto forte dos desfiles de Rosa Magalhães, as belas fantasias foram marca registrada de mais um desfile da carnavalesca. Com beleza, bom gosto e fácil leitura dos significados, o quesito foi o mais forte do desfile da Verde e Rosa. Destaque para as vestes das alas "Bandeira do Divino", "Iemanjá", "Quadrilha do Sampaio", "Bumba Meu Boi", "Sinhazinha da Fazenda – Boi Garantido" e "Carmem Miranda". Vale lembrar também a belíssima fantasia da Ala das Baianas, "O Mar", que encantou o público.

Alegorias

Outro ponto alto da passagem da Mangueira, as alegorias representaram muito bem o contraste entre o talento de Rosa e as falhas de projeção que não cabem à carnavalesca. Uma das mais belas alegorias da escola, "O Ritual da Pajelança na Festa do Boi de Parintins" acabou cruzando a "linha de chegada" do sambódromo sem a cabeça de sua principal escultura. Já o carro "A Maior Festa Junina em Campo" apresentou problemas de acoplagem desde o segundo módulo de jurados e integrantes da escola tiveram muitas dificuldades em levar o carro da maneira planejada até o fim do sambódromo.

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