Blocos de rua discutem normas das autoridades para o Carnaval de 2016

Quando um bloco vira evento? Essa questão foi o ponto de partida do segundo dia do “Desenrolando a Serpentina”, evento promovido pela Sebastiana com apoio da Riotur, visando discutir o carnaval de rua e sua relação com a cidade. O evento realizado no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), no Flamengo, Zona Sul do Rio de Janeiro na sua primeira mesa do dia, debateu o decreto que aborda sobre a principal diferença entre blocos e eventos oficias, dificultando a realização da folia de rua do carnaval do Rio de Janeiro. Os trezes artigos do decreto deram o tom no embate entre o poder público e os presidentes dos blocos.
 
A mesa foi composta pela mediadora Rita Fernandes, presidente da Liga Sebastiana, Jorge Sapia, vice-presidente da Liga Sebastiana, Rodrigo Rezende, representante da Liga Zé Pereira, mestre Jonas, Relações Públicas da Banda Devassa da Leopoldina e Chazinho, presidente do Carmelitas. No lado do poder público, o capitão Creveld, da área de planejamento e o coronel Alex, do 1ª CPA representaram a Polícia Militar. A ausência de um representante do Corpo de Bombeiros foi muito sentida, a mediadora, Rita Fernandes, disse que mandou diversos convites, porém sem êxito.   
 
Rita Fernandes começou a conversa contrária ao decreto. Segundo ela, o poder público não pode comparar um bloco de carnaval com um réveillon. No bloco, todos são os representantes da folia. Já no réveillon, sim, o pode público tem o controle da festa. – São mais de 500 blocos, não somos nós responsáveis, mas somos parte deles. Criamos um impacto para a cidade isso é inegável. Entretanto, criamos uma coisa muito positiva para a cidade. É muito bom para o turismo na cidade. Não é um evento de natureza violenta. Então, o poder público não pode vetar e muito menos nos comparar a outros grandes eventos da cidade.
 
Os representantes dos blocos aproveitaram a presença da Polícia Militar na mesa para cobrar mais segurança, principalmente para os blocos de fora do circuito Zona Sul e Centro da cidade. O primeiro a ir contra o decreto foi o mestre Jonas da Banda Devassa. Segundo ele, é necessário que o poder público olhe de maneira diferente para os blocos. – Nós precisamos muitíssimo que o poder público olhe para nós de outra forma. Eu represento a área da Leopoldina que está totalmente abandonada. O ECAD chega lá e acaba com todos os clubes da área. Nós temos diversos poetas e artistas da nossa festa em nosso bairro, Pixinguinha era de lá. Essas proibições e dificuldades para as saídas dos blocos deixam a área ainda mais desamparada – disse Jonas continuando com o apelo.

– A Leopoldina necessita de investimento. É muito importante para a área cultural esses blocos. Estamos felizes com a revitalização da prefeitura no nosso bairro. Entretanto, esse diálogo não pode cessar – reforça o mestre.

Chazinho, presidente do Carmelitas e Rodrigo Rezende, da liga Zé Pereira, uniram-se para dizer que a Polícia Militar, apesar de estar sempre presente, é muito ineficiente na prática. O capitão Creveld, porém, disse que iria reportar tudo que estava sendo dito no debate. E que era importante a Polícia Militar dialogar com a população num debate como esse. – O bloco é uma forma legítima. É importante demais o povo se divertir e brincar. Estamos aqui para ouvir vocês. Temos que trabalhar de forma conjunta. Não podemos apenas ficar com o peso de tudo sozinhos. Precisamos de um calendário organizado também.

O presidente do Carmelitas aproveitou para atentar a questão dos muitos furtos que estão ocorrendo nos blocos. O capitão da PM disse que não é viável colocar um policial militar para cada folião. Uma possível solução seria que cada bloco tivesse um ajudante que avisasse aos órgãos públicos de confusão e possíveis furtos. Além disso, ele frisou a importância da conscientização da população de não levar pertences caros aos blocos. Os furtos de celulares foram citados como maior preocupação. A principal estratégia defendida pelos policiais foi o uso da tecnologia para monitoramento da folia, uma vez que o número de pessoas nas ruas durante o carnaval está crescendo a cada ano.

Outro ponto abordado pelos policiais militares é que com o advento dos aplicativos de celular, como o Whatsapp, os blocos encheram muito mais que o previsto. A velocidade de comunicação fez com que as pessoas aproveitassem vários blocos em um mesmo dia.

– O bloco é pequeno, mas um vai chamando o outro pelo telefone e quando a gente olha o bloco já está com o dobro ou triplo de participantes. Isso é uma coisa que devemos tomar muita atenção. Ainda mais com a questão da segurança da população – disse o coronel Alex.

A presidente da Sebastiana finalizou o debate com os demais participantes ressaltando a importância do 8º seminário e fazendo um convite a todos os participantes. Estamos no carnaval há mais de 30 anos. Gostamos muito disso. É muito importante este seminário. Esta troca de ideias. Buscaremos em breve uma audiência pública para tratar de questões importantes como essas. Gostaríamos da presença de todos vocês. Será muito importante. Além das cobranças houve um agradecimento para a Polícia Militar que se faz presente em todos os eventos que são feitos para a melhoria da folia.

No intervalo foi exibido o documentário “Bloco Barbas” com a direção e o roteiro de Ricardo de Moraes. E logo após o filme, “ Fantasia Política” com a direção de André Motta.