Buscando a minha identidade

Depois de uma década de 90 onde o torcedor da Mocidade se acostumou com desfiles competitivos e três conquistas, a agremiação de Padre Miguel vem sofrendo com alguns resultados que não condizem com sua grandeza. Um dos principais símbolos da Mocidade durante a áurea década citada era o carnavalesco Renato Lage que, coincidência ou não, desde que deixou Padre Miguel – após o Carnaval 2002 – o torcedor da escola teve que contentar-se com apenas uma aparição entre as seis primeiras colocadas. Ciente do grande desafio que tem pela frente, Alexandre Louzada, que estreia na escola da Zona Oeste em 2012, torce para que a Mocidade volte a criar identidade com um carnavalesco, como foi com Lage nos anos 90, Fernando Pinto nos 80, e Arlindo Rodrigues na década de 70.

– Era um sonho para mim fazer a Mocidade. Tomara que eu crie essa identidade com a escola. Eu poderia ter optado por tantas outras escolas, mas quis vir para a Mocidade. O Portinari era um pintor que usava muito o azul, mas achei, depois que a Mocidade fez o Villa-Lobos, que ela era a escola que mais tinha a ver com esse enredo. A Mocidade sempre primou pelo modernismo. Melhor ainda se esse enredo for feito por mim(risos) – disse Louzada.

O artista sabe também que o cargo que ocupa atualmente foi palco de um grande rodízio de profissionais desde que Renato Lage deixou a Mocidade. Parte pela crise financeira que tomou conta da escola após o falecimento do patrono Castor de Andrade, parte pela exigência da torcida e dos componentes da escola, acostumados com um alto nível na produção de alegorias e fantasias.

Louzada revela-se fã do carnavalesco salgueirense e promete um estilo bem peculiar na Mocidade em 2012.

– Sou fã do Renato Lage. Até brinquei com alguns amigos. Pedi para encontrarem um lugar entre o Renato Lage e o Alexandre Louzada e é isso que vocês vão ver na Mocidade no próximo carnaval.

Desde que Renato Lage deixou a Mocidade, a escola já teve seis carnavalescos diferentes, Alexandre Louzada é o sétimo. Das escolas que permaneceram no Grupo Especial durante este tempo, apenas a Portela teve mais artistas. Contando com Roberto Szaniecki, que chegou à escola este ano, ao todo dez carnavalescos passaram pela Azul e Branco.