Cabuçu faz desfile digno em evolução e plástica, mas peca na harmonia, casal e comissão de frente

Por Fiel Matola. Fotos: Magaiver Fernandes

cabucu_desfile_2018_9Com o enredo “Um reinado preto brasileiro” a Unidos do Cabuçu trouxe para Intendente um tema sobre a Congada Brasileira passando correta em sua evolução e digna nos quesitos plásticos. Porém, a escola pecou em sua harmonia e teve problemas na comissão de frente e no casal de mestre-sala e porta-bandeira. Os refrões centrais do samba foram positivos em uma passagem de harmonia oscilante. O uso de cabeças nas fantasias foi algo que funcionou.

Comissão de Frente

Com uma indumentária azul e dourado remetendo a cor da escola, os integrantes coreografadas pelo coreógrafo Fábio Batista, entraram na cabine de julgamento com um grito, com bandeiras azuis como adereço. A coreografia era rápida, com bom sincronismo, porém a bandeira foi problema para os componentes, pois elas não abriram como deveriam, ficando enrolada e não dando o efeito necessário.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

cabucu_desfile_2018_3Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Orelha e Miriam, tiveram problemas durante a apresentação. No primeiro módulo o esplendor de Orelha caiu em frente aos julgadores. A bandeira também tocou o mestre-sala uma vez. Ele apresentou nos outros módulos sem o esplendor.

Harmonia, Evolução e Samba

A harmonia oscilou muito. O samba não foi cantado por diversas alas, mas em outras ele foi entoado com alegria, um exemplo do bom canto é a ala dos compositores e a velha-guarda. Marcelo Rodrigues, intérprete da escola, conduziu bem o samba, com garra e força, sua atuação foi o ponto alto do quesito. Dentro do proposto, o samba contou em sua letra o enredo, vale destacar os dois refrões. Favoreceram o canto e a melodia. A evolução foi dentro do previsto, sem buracos e sem correria, a Cabuçu passou brincando, as passistas sambaram muito. Outra ala que evoluiu foi a ala das baianas, com uma fantasia leve, as senhoras brincaram de carnaval.

cabucu_desfile_2018_24Enredo

Dividido em três setores a Cabuçu iniciou seu enredo contando a história da Congada. O primeiro setor trouxe a seguinte justificativa “mordaça da escravidão que não silenciou os africanos que vieram para o Brasil. Resistência foi sua palavra de ordem, ainda que nem sempre proclamada em alto e bom som. Explorados em nosso chão, encontraram incontáveis maneiras de driblar as amarras, como serem coroados como Reis e rainhas em festejos”. Porém, as fantasias deste setor não foram claras para explicitar o enredo. A segunda parte do enredo trouxe os africanos aportando no Brasil, a memória daqueles que vieram associando a chegada do Rei Galanga que se tornou Francisco o Chico Rei no Brasil. Mais uma vez era de difícil assimilação e um pouco confuso quanto a ordem. O terceiro setor trouxe propriamente da Congada de hoje e seu cortejo onde os reis são coroados e são a identidade máxima da festa com procissão repleta de bandeiras e andores tomando as ruas, alegrada por caixas, tambores e sanfonas. Esse setor foi claro, as fantasias remeteram ao enredo proposto.

cabucu_desfile_2018_28Alegoria e Fantasias

Com um tripé e uma alegoria, a Cabuçu foi bem no quesito, apesar do tripé ter sido inferior em sua realização comparado a alegoria. O carra estava dentro do enredo e com uma escultura que mostrava a coroação do negro. O acabamento também foi bom. Apesar de não está claro a apresentação do enredo, as fantasias no geral tiveram um conjunto positivo. Vale ressaltar o trabalho de penas, a impressão era a mesma de uma verdadeira. O conjunto de cores trazido também foi positivo, a escola iniciou com um azul forte e dourado, passando pelo amarelo e pelo roxo e terminando em um azul mais claro.

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