Cahe Rodrigues e Grande Rio apostam no final feliz

O carnaval 2011 marcou definitivamente a vida da Grande Rio e do carnavalesco Cahe Rodrigues. Depois ver o sonho do campeonato se desmanchar nas cinzas do incêndio que consumiu o barracão da escola de Caxias, no início de fevereiro, o artista e a diretoria da escola se movimentam para tentar produzir o maior carnaval da Tricolor no ano que vem.

Para realizar um desfile bem feito e que tenha condições de brigar pelo campeonato é fundamental que se escolha um bom enredo. Inspirado na superação de seus componentes, a Grande Rio bateu o martelo e vai falar das grandes vitórias e conquistas que marcaram a humanidade. "Eu acredito em você. E você?" é o título escolhido por Cahe Rodrigues para o enredo que deve emocionar toda comunidade de Duque de Caxias.

– Nós vamos pelo caminho da emoção. Nosso enredo abordará exemplos de superação de toda a história da humanidade. Não queremos falar de coisa ruim e sim daquilo que deu certo com o passar dos tempos. Queremos mostrar aquilo que terminou de maneira boa. É o final feliz. A superação anda de mãos dadas com a emoção. Quase sempre a vitória acaba de maneira que emociona quem conquista um objetivo. É o choro de alegria, é o choro de satisfação, é um sentimento muito bonito – disse.

O fato de ser um enredo autoral reserva um desafio a mais para Cahe, pois desde que chegou a Grande Rio, antes do carnaval de 2009, sempre trabalhou com temas patrocinados.

– Estou no quarto ano de Grande Rio. É a primeira vez que vamos trabalhar com um enredo sem patrocínio. A escola tem muitos amigos e isso nos possibilita fazer um enredo autoral. Depois de tudo que aconteceu muitas pessoas apareceram para nos ajudar e, talvez por isso, o Jayder (Soares, patrono) tenha decidido bater o martelo por um enredo sem patrocínio. Estamos trabalhando da maneira mais verdadeira e mais intensa possível para fazer um dos maiores carnavais da Grande Rio – afirmou o profissional.

O aporte financeiro trazido por um possível patrocinador é importante, mas o carnavalesco afirmou que a escola contará com a ajuda de muitos amigos que se esforçaram para colocar o carnaval deste ano na rua e que continuarão ajudando. Além disso, a Tricolor caxiense conta com alguns materiais doados após o incêndio e que não foram utilizados no desfile de 2011.

– Quando aconteceu o acidente muitos equipamentos foram cedidos e outros emprestados para construirmos nosso carnaval, assim como, diversos materiais que nos foram doados. Não tivemos muito tempo para reconstruir nosso carnaval, logo, sobrou alguma quantidade de material que já nos possibilita, ao menos, iniciar um trabalho – contou.

Mesmo falando sobre grandes casos de superação, o recente e trágico episódio do incêndio na Cidade do Samba deve ser deixado de lado. Também não está decidido se exemplos de escolas que se superaram na Avenida e arrancaram para o campeonato serão relembrados no desfile.

–  Decidimos não falar do incêndio, pois foi uma coisa que já passou, mas nos dias de reconstrução as ideias foram nascendo e até hoje tenho a impressão que a ficha ainda não caiu. Foi tudo tão rápido que a gente não teve tempo de sofrer. Eu não podia deixar que a tristeza tomasse conta de mim, pois, tinha um carnaval para colocar na rua em menos de um mês. Apenas quando tudo acabou é que me toquei que o trabalho de um ano estava perdido e, é claro, que quando sentei para começar a pensar no próximo ano, aquelas imagens voltaram à cabeça – se emocionou Cahe.

O fogo serviu para mostrar que a escola de Caxias não era apenas um aglomerado de globais e famosos, mas uma comunidade, que apesar de jovem, é unida e defende as cores de seu pavilhão com raça e vontade quando pisa na Avenida.

– Todo sofrimento ensina. Depois do incêndio, tanto eu como a Grande Rio, amadurecemos muito. O artista ficou com a sensibilidade aflorada pelo sofrimento e a comunidade de Duque de Caxias se uniu de maneira que ninguém tinha ideia que poderia acontecer. Sempre falaram que a Grande Rio não tinha comunidade e, foi justamente o contrário que nosso povo mostrou. O fogo derrubou as barreiras que existiam dentro e fora de nossa comunidade – lembrou o carnavalesco.

As obras na Cidade do Samba têm caminhado dentro do cronograma, mas um possível atraso na entrega dos barracões consumidos pelo fogo não preocupa o carnavalesco, que afirmou estar montando um projeto para ser concluído no atual barracão ocupado pela Grande Rio.

– Nosso projeto está sendo montado para começar e acabar no atual barracão que a Liesa nos disponibilizou. Se o antigo barracão ficar pronto antes de terminarmos o projeto, a gente muda, mas acho que o presidente Helinho não vai querer trocar de casa perto do carnaval, caso haja algum atraso na conclusão das obras. A coisa estaria ruim se estivéssemos sem teto. Mas estamos dentro de um barracão e isso nos dá mais tranquilidade – revelou.