Cahe Rodrigues se emociona ao receber Medalha Tiradentes da Alerj

O samba ganhou a casa da lei. Integrantes da Grande Rio tomaram o plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) e fizeram um grande carnaval, na noite desta segunda-feira, para a entrega da Medalha Tiradentes, a maior honraria do estado, ao carnavalesco Cahe Rodrigues. A homenagem foi proposta pelo deputado Zaqueu Teixeira (PT) que presidiu a sessão.

O carnavalesco, junto à sua equipe, comandou a reconstrução do carnaval da Grande Rio. Mesmo com o incêndio que consumiu todo o patrimônio da Tricolor de Caxias, a escola conseguiu fazer uma apresentação digna, apesar dos problemas enfrentados. O que não aconteceu com outras escolas que passaram por situação semelhante em diferentes épocas.

Feliz, Cahe fez questão de agradecer a todos que participaram e auxiliaram no processo de reestruturação da agremiação e fez questão de citar os nomes de alguns auxiliares de barracão.  

– Não recebi essa homenagem sozinho. Sou apenas o representante que liderou um exército de guerreiros que construiu um carnaval em tempo recorde. Não tenho nem o que dizer e olha que não tenho problemas para falar em público. Passamos pela maior tragédia da história do carnaval. Mesmo assim, superamos todos os problemas. Perdemos um carnaval inteiro. Um carnaval pronto que a Sapucaí jamais viu, porém, mais importante que isso foi ver que nenhuma pessoa se feriu. O Simon (auxiliar do carnavalesco) teve que pular do quarto andar em cima de uma alegoria para não perder a vida – lembrou o emocionado Cahe Rodrigues, com a voz embargada e lágrimas nos olhos.

O homenageado fez questão de citar o fogo, que consumiu em alguns minutos o trabalho de meses da comunidade caxiense e afirmou que os problemas serviram para unir, ainda mais, todos dentro da escola.

– O fogo que destruiu nosso barracão foi lavado com a chuva que caiu durante nossa passagem pela Avenida. Tudo que havia de ruim foi embora. Nossa comunidade saiu mais unida desse episódio. Tenho certeza que qualquer pessoa que tenha algum envolvimento com o carnaval, quando viu a Cidade do Samba pegando fogo na televisão ficou sem reação. Foi uma coisa extremamente impactante. Ninguém sabia o que fazer. Os funcionários do barracão chegavam para trabalhar, mas só restava assistir o fogo consumindo tudo. Considero o 11 de setembro do carnaval – disse o carnavalesco fazendo alusão aos atentados terroristas nos Estados Unidos, em 2001.

Grande surpresa da cerimônia, a nova rainha de bateria, da Grande Rio Ana Furtado, esteve presente ao evento. Integrando a mesa composta por autoridades e personalidades da escola, Ana fez questão de homenagear Cahe.

– Vim aqui hoje não como rainha de bateria da escola, mas como amiga e admiradora do Cahe. É uma homenagem mais que merecida. O Cahe merece tudo de bom. Não posso falar muito da escola, pois cheguei no ano passado e estou em meu segundo ano. Tenho certeza que essa homenagem foi, não apenas pelo profissional, mas pelo ser humano maravilhoso que é o Cahe. Ele chegou aqui hoje por causa do coração que tem e por seu amor ao carnaval – afirmou a nova rainha de bateria da escola de Duque de Caxias.

No discurso mais inflamado da noite, o diretor de carnaval da Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA), Elmo José dos Santos, lembrou os momentos difíceis enfrentados pelo profissional, após o drama do incêndio.

– Hoje é um dia muito feliz para o samba. O samba que antigamente era marginalizado ontem, hoje está sendo reconhecido através desse grande artista. Fiquei emocionado demais no dia do incêndio, não só porque vi o presidente Helinho de Oliveira aos prantos, tremendo, ao ver um carnaval que disputaria o título e estava praticamente pronto, perdido pelo fogo. Nessas horas que surgem os grandes guerreiros. O Cahe se mostrou um guerreiro fantástico. Construiu um carnaval em tempo recorde e mesmo com a chuva, que caiu apenas durante o desfile da Grande Rio, não viu seu trabalho despedaçado na Avenida. Isso só foi possível porque foi um trabalho consistente e de qualidade. Se o carnaval do Rio de Janeiro é considerado, hoje, o maior espetáculo da Terra, isso se deve a pessoas como você (Cahe) – bradouafirmou Elmo.

Diversos segmentos da escola prestigiaram o evento. Estavam na Alerj, a rainha de bateria Ana Furtado, que fez sua estreia juntos aos ritmistas da bateria “Invocada”. Após os discursos, os comandados de mestre Ciça e o intéprete Wantuir fizeram todos caírem no samba. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luis Felipe e Squell, os diretores de carnaval Milton Perácio e Tavinho, baianas, passistas e componentes da comunidade de Duque de Caxias transformaram o plenário da casa na Praça da Apoteose.