Cara a cara com Cid Carvalho: ‘O carnaval deveria se inspirar no Rock in Rio’

O que o festival de música Rock in Rio pode ter a ensinar ao carnaval? Segundo o carnavalesco da Beija-Flor e da Unidos de Bangu, Cid Carvalho, tudo. Na série de entrevistas ‘Cara a Cara’ do site CARNAVALESCO o artista revela que em sua opinião as estratégias de marketing de Roberto Medina deveria ser aplicadas no carnaval. Confira essa e outras opiniões de Cid na entrevista abaixo:

Qual o desfile inesquecível de sua trajetória?

Cid Carvalho: “Todos da Beija-Flor entre 1998 e 2006. Assisto Agotime até hoje e acho que brigaria pelo campeonato. É um momento forte. Estácio em 2009 eu acho um momento feliz demais da minha vida. ‘Chita Bacana (Estácio)’ foi um desfile memorável da história do Acesso do Rio de Janeiro”.

cid_beijaQual desfile você não fez e gostaria de ter feito?

Cid Carvalho: “Ratos e Urubus. Esse desfile me formou. Eu queria trabalhar com o João. Depois eu descobri que a Beija-Flor fazia parte disso. João é um intelectual de biblioteca”.

Recentemente, o jornal Extra veiculou uma informação de que você estaria insatisfeito na Beija-Flor. O que você tem a dizer sobre isso?

Cid Carvalho: “Folclores do carnaval. É muito vago dizer que eu não estou satisfeito aqui. Uma pessoa insatisfeita se dedica e abraça uma causa como estou fazendo? Para infelicidade de alguns eu e a Beija-Flor estamos muito bem obrigado. E para a alegria de muitos”.

Como é sua relação com o Laíla, já que os dois tem personalidade forte?

Cid Carvalho: “Na minha primeira passagem a minha relação foi maravilhosa. Discutíamos como profissionais e chegávamos a um denominador comum. Quem tem a oportunidade de estar ao lado do Laíla tem de sugar todos os ensinamentos que ele tem. Com o meu retorno 11 anos mais velho, ambos, a experiência nos aproximou ainda mais. Não há nem mais aquelas discussões, que eu sinto falta. Eu e o Laíla nos respeitamos muito”.

Crise com o poder público. Qual a saída na sua opinião?

Cid Carvalho: “A escola tem de criar projetos. Observo muito o Rock in Rio. A estratégia de marketing e captação é fantástica. Não tem crise que derrube. Por mais que o poder público doe recursos, o que não é nenhum favor, as agremiações precisam da independência. Os caminhos as pessoas que dirigem o carnaval saberão encontrar muito mais que eu. A independência das agremiações é um sonho meu”.

E a Série A? Como será o desfile?

Cid Carvalho: “Sinceramente não sei. Vamos para o caminho da reciclagem, do reaproveitamento. Preciso agradecer toda a diretoria da Unidos de Bangu, Não sei qual o milagre que eles encontraram. O tempo que tivemos para fazer foi muito curto. Mas só de termos conseguido fazer foi um ato heroico. E se esticar para a Intendente a gente começa a chorar”.