Carnaval de maquete faz sucesso na internet com escolas de vários cantos do Brasil

No carnaval virtual já vimos desfiles em desenhos, gifs e até mesmo projetos feitos com modernos aplicativos de projeção de arquitetura. Desta vez, uma nova modalidade está ganhando espaço e conquistando adeptos em diversos Estados do Brasil: o carnaval de maquete. Nesta nova modalidade de carnaval virtual, os carros alegóricos são reproduzidos em escala menor, os sambas são releituras do carnaval real e as fantasias vestem os corpos de centenas de bonecos de plástico, que fazem até coreografia em sambódromos espalhados por diversos lugares do Brasil, como Rondônia, Rio Grande do Sul, Goiás, Ceará, Espírito Santo, e, claro, São Paulo e Rio de Janeiro.

O site CARNAVALESCO conversou com Lukas Schultheiss, coordenador da UESM (União das Escolas de Samba de Maquete), que contou como surgiu a ideia do carnaval de maquete e outros detalhes interessantes desse carnaval pra lá de diferente. – Acredito que toda criança que sonha em ser carnavalesco ou trabalhar em barracão de escola de samba já fez um desenho ou uma maquete de carnaval e com o passar do tempo vai aperfeiçoando as técnicas e o uso de materiais. Então, a internet veio como uma forma de reunir essas pessoas que tinham o mesmo sonho, e faziam a mesma coisa. Alguns, como no meu caso, faziam as maquetes em casa para os amigos e familiares apreciarem e na internet participavam de Ligas de Carnaval de desenho, como a Liesv e VirtuaFolia. Outros ainda, formaram as próprias ligas de maquete. O surgimento da UESM em 2003 veio reunir estas pessoas todas e criar regras que permitissem que as escolas de maquete alcançassem um resultado melhor fazendo desfiles seguindo um padrão de tamanho, de componentes (bonecos) e que fossem o mais parecidas com o carnaval real, tendo jurado, apuração, premiação, mas sem perder o foco na criatividade e no prazer que é desenvolver o carnaval. 

Lukas revela, que até mesmo para a realização do carnaval de maquete surgem dificuldades no meio do caminho. – O início do projeto reuniu 19 agremiações diferentes. A empolgação foi muita, as pessoas estavam cada vez mais animadas para começar o projeto, porém, como estávamos seguindo regras que se assemelhavam ao carnaval real, muitas tiveram dificuldades em prosseguir. Ao invés de simplesmente criar fantasias e alegorias, agora era preciso compor alas, escrever o enredo e o roteiro de desfile, editar como as transmissões da TV, etc. Os gastos também influenciaram muito. Pra quem já participa de carnaval real, é mais fácil desmontar uma fantasia ou receber doação de sobra de material de barracão, mas alguns lugares do Brasil não têm essa facilidade. E com isso, seis escolas chegaram à reta final da preparação e desfilaram. O sucesso foi tão grande que em seguida abrimos um grupo de acesso e um de avaliação, chegando a ter mais de 30 escolas desfilando. Para diminuir os custos e aumentar a troca de informação entre os participantes, criamos um grupo no whatsapp em que um ensina o outro, trocam informações e materiais. E já tem até gente compartilhando sambódromo e barracão.

O que era apenas um hobby se tornou uma competição que envolve mais de vinte escolas inscritas e cujo julgamento dos quesitos que decidem as escolas campeãs é feito por profissionais envolvidos no carnaval real. Como premiação as escolas recebem troféus, medalhas e livros sobre a história do carnaval. Alguns desfiles são realizados por apenas uma pessoa, já outras agremiações contam com uma equipe conforme conta Lukas. – Nós sempre incentivamos a criação coletiva, tanto para diminuir os gastos, quanto para deixar o trabalho ainda mais parecido com o carnaval real e tantas outras coisas que trabalhar em conjunto proporciona. Mas, tem escolas que são feitas do início ao fim por apenas uma pessoa. Em outros casos, tem vice-presidente, carnavalesco, além dos namorados(as), pais, mães, avós, amigos que acabam auxiliando e até mesmo fazendo parte da escola com cargos e tudo. Algumas escolas chegam a ter cinco pessoas nos bastidores. Assim como no carnaval real, quando acaba um desfile já começa a preparação do outro. Mas, tem sempre alguns que por conta do trabalho ou outros compromissos acaba deixando tudo para a última hora. Como temos dois desfiles ao ano, Grupo Especial e Acesso em abril e Grupo de Avaliação em outubro, o tempo varia entre 10 e 6 meses. Já tivemos escolas com desfiles montados em tempo recorde de uma semana, mas, neste caso, contou com ajuda de amigos e já tinha todo o aparato material necessário, além de estar com a parte escrita toda adiantada.

Diversos sambistas são homenageados e transformados em bonecos. Alguns ficaram tão contentes com sua reprodução, que após os desfiles virtuais, já até levaram os bonecos em viagem para o exterior, mostrando com orgulho a homenagem que receberam. Outros participam da festa como julgadores. – Desde o início da UESM os nossos jurados são pessoas que participam do carnaval real, seja nos bastidores, defendendo quesitos, desfilando ou ajudando a festa acontecer. Outra curiosidade é que eles são de carnavais de diferentes Estados e que suas justificativas, normalmente são sugestões de como melhorar o desempenho. Este ano para os nossos 7 quesitos temos 28 jurados oficiais e 3 reservas, sendo eles de 8 Estados diferentes. Temos carnavalescos, como Rodrigo Marques (Unidos de Bangu/RJ) e Leandro Valente (Tradição/RJ), Portas-Bandeiras como Alana Marques (Novo Império/ES), Ana Marcela (UESP/SP) compositores como Rafael Mikaiá (RJ) e Adiel Santos (ES), Professores de Belas Artes ou Figurino como Hélio Menezes e Samuel Abrantes, jornalistas e pesquisadores de carnaval como Amilcar Ribeiro (GO) e Diego Cabrita (RS), coreógrafos como Janner Alves (AM) Big e Jardel Augusto, diretores de Harmonia como Karlão Xavier (AM), entre outros – explicou Lukas.

E não pense você leitor que os desfiles de maquete não tem público, o coordenador afirma que escolas mais populares chegam a ter duas mil visualizações em seus desfiles. – As escolas que possuem maior torcida e repercussão batem a média de duas mil visualizações. Mas, a média geral é de 500 pessoas. Pretendemos fazer este número subir este ano, com um desfile ainda mais organizado, completo e estruturado do que nos anos anteriores. Para conseguir mais acessos algumas escolas estão convidando ou homenageando personalidades do carnaval que em forma de miniatura participam dos desfiles. Carlinhos do Salgueiro é Rei de Bateria de uma das escolas campeãs, Fabrício e Denadir, Marcela e Sidclei, Amanda Poblete e Thiago, Selminha e Claudinho também aceitaram o convite de virar bonequinho.

Acompanhe o carnaval virtual das escolas de samba de maquete. Os desfiles acontecem nos dias 16 e 17 de abril a partir das 13h30 pelo site http://carnavaluesm.wix.com/uesm