Carnaval de São Paulo: sete escolas já ocupam a Fábrica do Samba

Neste último final de samba, a reportagem da SASP visitou a Fábrica do Samba, espaço localizado há 1 km do sambódromo, que nasceu com o intuito de abrigar os barracões das 14 entidades pertencentes ao grupo de elite do carnaval paulistano, acabando com o vai e vem de alegorias pela cidade na época da folia de momo e proporcionando um salto de qualidade e segurança na confecção dos carros alegóricos.

Após sete anos de seu lançamento e diversas previsões para sua conclusão, apenas metade das escolas previstas já ocupam seus barracões, são elas: Dragões da Real, Pérola Negra, Gaviões da Fiel, Acadêmicos do Tucuruvi, X-9 Paulistana, Nenê de Vila Matilde e Unidos de Vila Maria, que em 18 de março desse ano, foi a primeira entidade a ingressar oficialmente na Fábrica, mesmo faltando muito para a finalização da obra. Na época, a Liga das Escolas de Samba emitiu uma nota oficial dizendo que o local foi ocupado provisoriamente para o estacionamento das alegorias e que a Fábrica do Samba ainda não estava em condições das escolas trabalharem, mas que a entidade trabalharia junto aos órgãos públicos para que a obra fosse entregue o mais rápido possível.

Hoje, seis das sete entidades que estão no local, (a Pérola Negra não está trabalhando na Fábrica) já desenvolvem suas alegorias para o carnaval 2016 dentro de seus barracões, mesmo com as dificuldades que encontram por conta da não conclusão da obra. A iluminação, por exemplo, vem do uso de geradores a diesel, já que a energia ainda não foi ligada. É possível ver outros problemas estruturais por conta da obra inacabada, como o excesso de lama e entulho no setor que ainda está em construção. A última previsão divulgada pela prefeitura é que a obra será entregue finalizada em janeiro de 2016, mas pelo o ritmo  quase estático da obra, esse prazo deve ser alterado mais uma vez.

O primeiro barracão que visitamos foi o da Dragões da Real, escola que no próximo carnaval levará para o Anhembi um enredo o Surpresa! Advinha o que Eu Trouxe pra Você?, que retratará o ato de dar e receber presentes através dos tempos. São 35 pessoas que trabalham no espaço, muitos artistas vindos da cidade amazonense de Parintins. O ritmo está bastante adiantado, sendo que duas alegorias já estão finalizadas. O responsável pelo barracão da escola é Elias Vieira, que explicou como a entidade está utilizando o espaço.

“Aqui trabalhamos de segunda a sábado, das 9h às 21h, e é muito bom pra gente estar aqui na Fábrica do Samba, já que antigamente tínhamos que dividir nossos esforços em três locais para confecção e armazenagem das alegorias. Agora estamos nos adaptando a uma nova metodologia de trabalho e gerir tudo isso é um aprendizado, desde a confecção das alegorias até a monitorar a alimentação para as pessoas que aqui estão trabalhando, tudo tem que estar correto”.

Já o diretor de alegoria da escola, Igor Alves, também falou sobre a importância do novo espaço: “Hoje o novo barracão nos possibilita ver as alegorias inteiramente montadas, o que diminui os riscos que passamos na montagem final no Anhembi. Também teremos uma agilidade maior, queremos terminar o ano com os carros finalizados”, afirmou.

Outro barracão que visitamos foi o da Unidos de Vila Maria, que fará uma homenagem à cidade litorânea de Ilhabela com o enredo A Vila Famosa é mais Bela, Ilhabela da Fantasia, que será desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada, que fará jornada dupla no carnaval, já que no Rio ele será um dos responsáveis do desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel.

O ritmo do trabalho na Vila Maria não está diferente do que o da Dragões, com muita coisa já adiantada. Em nossa visita, tivemos a oportunidade de conhecer os quatro andares do barracão e suas diversas salas. Como as entidades entraram no local ainda em construção, não foi possível utilizar os espaços internos da forma certa como, por exemplo, a recepção que cada barracão da Vila, virou ateliê de adereços.

Entre funcionários que trabalham na confecção das alegorias da Vila, muitos artistas também vieram de Parintins, todos do boi Caprichoso, entre eles Rodrigo, escultor que pelo terceiro ano vem trabalhar no carnaval de São Paulo, sendo a primeira vez na Vila Maria. Ele comentou que o trabalho na Fábrica é muito melhor, já que o espaço é muito mais organizado e seguro.

Finalizando nossa visita, em meio de paisagens que remetem a fauna e a flora de Ilhabela, encontramos o experiente carnavalesco Hernane Siqueira, que está trabalhando no barracão. Ele, que já teve passagens por diversas entidades e trabalhou em espaços insalubres para confeccionar alegorias e adereços, exaltou o novo espaço do carnaval de São Paulo.

“A Fábrica do Samba ainda será aprimorada, como vimos a obra está inacabada, mas é muito bom ver essa valorização do carnaval paulistano. A estrutura é excelente, temos quatro pisos no qual as agremiações podem centralizar todo trabalho de confecção de alegorias, fantasias e até planejamento geral, já que o local pode servir como sede administrativa das entidade, assim como funciona a Cidade do Samba do Rio de Janeiro. O carnaval de São Paulo precisava de um espaço como esse, agora vamos torcer para que sua totalidade seja entregue o mais rápido possível para todas as escolas”, finalizou.