Carnavália-Sambacon: Presidente da Riotur promete oito telões no Sambódromo e pede fim da crise

Por Daniela Lima Safadi. Fotos: Allan Duffes

Foi dada a largada para a edição 2017 da Carnavália-Sambacon, a feira de negócios do carnaval. Personalidades da folia e autoridades participaram da mesa de abertura, que aconteceu no auditório do Centro de Convenções Sul-América, na noite desta quinta-feira. O assunto “crise no carnaval” foi comentado, porém a maioria preferiu usar um tom positivo reafirmando o compromisso com os desfiles do ano que vem.

carnavalia2017_dia1_26– Foi com dificuldade que fizemos esta feira, mas o sambista é assim, ultrapassa as dificuldes sempre. Faremos uma feira maravilhosa e o melhor carnaval de todos os tempos – enfatizou Álvaro Luiz Caetano, o Alvinho da AMI7, um dos organizadores do evento.

carnavalia2017_dia1_16Após a abertura oficial, as autoridades circularam pela feira para conhecer os standes e conversar com os expositores. A noite contou ainda com apresentações no palco principal, com destaque para as participações especiais de Toninho Gerais e Leonardo Bessa. O presidente da Liesa, Jorge Castanheira, contou que a instituição juntamente com a Riotur e a prefeitura estão mantendo um diálogo para chegar a um meio termo.

– Esse ano já fizemos um carnaval juntos e vamos fazer muito mais, tenho certeza que ano que vem teremos um carnaval excepcional, mas vamos precisar contar com o governo do Estado, Riotur, juntamente com a secretaria de Cultura. Tenho certeza que todos estão trabalhando com total dedicação, fazendo planejamento, readequando orçamento, readequando tudo para encaixarmos. A prefeitura também está fazendo seu esforço no sentido de nos ajudar a não perder a maior festa pular do mundo, que é o carnaval – disse Castanheira na abertura da mesa.

‘Não vamos falar de crise!’

carnavalia2017_dia1_13Em seu pronunciamento, Marcelo Alves, presidente da Riotur, pediu para que as pessoas parem de falar em crise. Ele acredita que falar dessa “polêmica” é perda de tempo.

– Chega de polêmica gente, isso só leva o Rio ainda mais para baixo. Estamos dialogando muito com o município, com o governo do Estado… Estamos buscando caminhos e recursos para que o carnaval cresça ainda mais – disse o gestor que prometeu um carnaval com melhor estrutura em 2018.

– Ontem tivemos no Sambódromo fazendo um teste bem legal que se der certo vai ser muito bom para o carnaval. Queremos colocar oito telões na Sapucaí. Se Deus quiser teremos oito. Estamos trabalhando pra potencializar a festa. É hora de darmos as mãos. Juntos faremos o melhor carnaval de todos os tempos, podem anotar e me cobrar – garantiu Marcelo Alves.

‘Não posso ser inimiga do samba’

carnavalia2017_dia1_09A secretária de Cultura, Nilcemar Nogueira, usou quase um tom de explicação em sua fala e disse que jamais poderá ir contra o samba, porque é nele que estão suas raízes.

– Não posso ser inimiga do samba porque sou do samba, fui criada no samba. Sempre lutei pelo samba e foi por isso que aceitei esse desafio.Porque é um desafio participar de um governo que carrega um punhal: o prefeito é evangélico, mas eu não sou evangélica, sou candoblecista – disparou a secretária, que pontuou ainda que sempre lutou pelas tradições.

Nilcemar falou sobre a importância de manter a ala de passistas com suas características originais e não utilizar coreografias, como um “jogar de cabelos”, por exemplo. Além de citar a importância da bateria e outros segmentos de uma escola de samba. A secretária comentou ainda que a crise é o momento para se repensar, se repactuar.

Déo Pessoa, presidente da Lierj, também compôs a mesa mas preferiu não falar sobre crise. Apenas agradeceu o apoio recebido pela Liesa ao longo dos cinco anos do novo modelo de desfile do Grupo de Acesso.

– Não vou falar sobre crise não, vou deixar para a nossa mesa oficial que terá esse tema. Ali sim vamos abrir um debate sobre isso – disse.

Carnaval não é gasto, é investimento

carnavalia2017_dia1_12André Lazaroni, secretário de Cultura do Estado, fez um discurso acalorado, quase como um pronunciamento de campanha política e frisou que ao investir no carnaval e na cultura, o Rio de Janeiro está investindo na cidade e não desperdiçando orçamento municipal.

– Temos que trabalharmos juntos independente de posições ideológicas, somos da cultura, do samba. Carnaval não é custo, é investimento. Ultimamente parece que tudo o que a gente faz pela cultura, pelo carnaval, pelo Theatro Municipal criminalizou. Parece que a gente está tirando dinheiro de um lugar pra colocar em outro, mas não é isso, estamos investindo na cidade e precisamos contar pra população – bradou André Lazaroni.

O secretário pediu ainda que as pessoas falem menos em crise em tenham mais atitude.

– Chega de falar em crise. A crise está aí para aprendermos com ela. A Petrobras está se reerguendo, vamos atrás dela, vamos atrás das empresas com ICMS. Que Deus ilumine a cabeça do nosso prefeito Marcelo Crivella pra que ajude o carnaval – suplicou Lazaroni.

‘É preciso rever o orçamento da festa’

carnavalia2017_dia1_10A grande novidade deste ano na feira é a presença de um stand de Parintis que conseguiu reunir no mesmo espaço o Boi Garantido e o Boi Caprichoso, dois rivais que se apresentam no maior festival folclórico do mundo. Bi Garcia, prefeito de Parintis, deu o seu depoimento sobre crise e tentou acalmar os cariocas e profissionais do carnaval de que a crise não é o fim.

– A crise nos levou a ajustar os custos do festival. Com a crise tivemos que procurar o setor privado também. O festival estava dando prejuízo para a cidade e isso foi revisto, fomos atrás da lei de incentivo à cultura, Lei Rouanet, que para nós representou 70% de apoio ao evento. E fomos buscar aumentar a arrecadação de ICMS. Por exemplo, tínhamos um gasto de R$ 2 milhões com jurados porque o jurado que julgava uma vez nunca mais poderia voltar ao festival e isso ficava muito caro. Procuramos a Liesa, fomos muito bem recebidos, principalmente pelo presidente. Com a tecnologia aprendida com a Liesa fizemos a escola de jurados e reduzimos bastante os gastos com jurados – disse o prefeito que tem como objetivo estreitar ainda mais os laços entre Rio e Parintis.

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A última a se pronunciar, Rita Fernandes, presidente da Sebastiana, aproveitou seu momento para pedir que os direitos adquiridos para os blocos continuem vigentes.

– Antes não tínhamos um bom diálogo com o poder público. Os blocos no Rio voltaram a ganhar força logo após a queda da da Ditadura, quando a gente ganhou liberdade de expressão. De lá para cá o diálogo melhorou e ganhamos estrutura para o evento. A prefeitura passou a nos ajudar porque quando um bloco crescia demais e começava a impactar no trânsito, por exemplo, a gente não sabia o que fazer com isso. Nossa interlocução foi melhorando e conquistamos melhorias e, essas eu gostaria de manter. Precisamos continuar com a liberdade de continuar na rua. A rua do Rio de Janeiro é nossa, o Rio é rua e nós vamos continuar nela – finalizou Rita.