Tristeza. Carro quebrado ‘joga fora’ grande desfile da Grande Rio no Carnaval 2018

Por Thiago Barros

grande-rio_desfile_2018_22-1“O show não terminou”. Quando a Grande Rio despontou na Sapucaí, quinta escola a desfilar nesse domingo, parecia que faria um desfile para brigar por título. A comissão arrasadora, o casal confiante, a plástica agradabilíssima… Mas um problema com a 6ª alegoria, que quebrou e não entrou na Avenida, “jogou fora” as chances da escola dar aquele tão aguardado grito de campeão.

O carro, que representava “O Carnaval em minha vida” e trazia lembranças de Recife e seu carnaval pra Chacrinha, emperrou nos dois lados da Avenida Presidente Vargas, área de concentração. As rodas malucas, que ajudariam na locomoção – “sumiram” e ele simplesmente parou de andar. A escola tentou, em vão, a manutenção da alegoria, mas nada deu certo. Isso acabou prejudicando quase todos os quesitos do desfile.

grande-rio_desfile_2018_26Primeiro, claro, Alegorias e Adereços. Depois, enredo, pois cada carro é parte daquela história, e sem ele passar, este trecho “não foi contado”. E, principalmente, evolução, porque abriram-se diversos buracos em decorrência do acidente, sem falar no tempo em que toda a escola ficou parada e no tempo estourado de 80 minutos, cinco além do limite de 75 minutos. A escola começará a apuração com menos 0,5 décimos.

E além dos quesitos diretamente impactados, outros podem ter problemas, como a Harmonia, porque o rendimento do samba, naturalmente, “caiu” – uma pena, pois Emerson Dias e a comunidade estavam bem demais.

Comissão de Frente

grande-rio_desfile_2018_17-2Um quesito em que, muito provavelmente, a Grande Rio não deve perder um décimo sequer é a comissão de frente. Novamente, Priscilla Mota e Rodrigo Neri deram para público e jurados em uma apresentação espetacular. “A Grande Rio está no ar: o Cassino do Chacrinha vai começar” levantou a Sapucaí.

A comissão consistia em um grupo de pessoas que assistia televisão em um tripé bem grande, com um telão. A grande sacada era que elas interagiam com a TV, que estava “viva”. Alguns componentes “entravam” na TV, outros “saíam” dela – em sincronia com vídeos que iam passando.

grande-rio_desfile_2018_14A apresentação durava uma passada e meia do samba e mostrava as chacretes, que faziam passos bem humorados e sensuais, a diversão do Cassino do Chacrinha, e no final, claro, trazia o Velho Guerreiro. Tudo deu muito certo nos quatro módulos do júri, bem coreografados, eficientes e criativos.

Em meio a um desfile que, infelizmente, terminou tumultuado para a Grande Rio, fica a lembrança extremamente positiva de mais uma comissão de frente nota 10 de Priscilla Mota e Rodrigo Neri. Claro, só saberemos a nota real na apuração da Quarta-Feira de Cinzas, mas foi tudo muito bem feito.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

grande-rio_desfile_2018_20O nome da fantasia de Daniel Werneck e Verônica Lima era “Sintonizados”. A palavra acabou servindo perfeitamente para descrever como foi o bailado da dupla. A sintonia era nítida a cada apresentação. Nos passos, nos olhares, nos sorrisos. Só não foi um desfile perfeito porque Daniel deixou um de seus acessórios cair no primeiro módulo.

A indumentária do casal também merece elogios. Com tons predominantemente verdes e detalhes em prata, a vestimenta brilhou e caiu muito bem na dupla. Voltando para os movimentos da dança, no trecho do samba que falava sobre o frevo, Daniel deu show, com passinhos do ritmo mais tradicional do carnaval pernambucano.

grande-rio_desfile_2018_34-13Fantasias

Fácil leitura, soluções criativas e luxo na medida certa. Trabalho excelente de Renato e Márcia Lage, tanto em concepção quanto em realização. Todo o quarto setor da escola, “A TV em preto e branco”, era de muito bom gosto. Destaque para alas coreografadas, como a 13, Tá Com Pulga Na Cueca, e a 16, Um Super-Herói.

O primeiro setor, com A Noiva da Sorte (Ala 5) e David Brazil como Maria Sapatão (em fantasia de metade homem e metade mulher) foram outros pontos positivos para esse quesito. Assim como a Ala 8 (Vai para o trono ou não vai?), cheia de abacaxis, em uma referência clara ao Troféu Abacaxi.

grande-rio_desfile_2018_83Samba-Enredo

Edispuma, Licinho JR, JL Escafura, Marcelinho Santos, Gylnei Bueno e Hélio Oliveira, certamente, ouviram muitas críticas no pré-carnaval. O samba-enredo da Grande Rio recebeu muitas avaliações negativas antes do desfile. Mas como já havia acontecido, por exemplo, em 2017, a obra funcionou bem demais na Avenida.

Aliás, isso vem sendo uma tônica do Carnaval 2018, na Série A, e também no Especial até agora. Sambas que não eram unanimidade estão sendo valentes e, com intérpretes de alto nível, vêm crescendo bastante. Aconteceu na Vila de Igor Sorriso e agora com a Grande Rio de Emerson Dias.

grande-rio_desfile_2018_45-6Com uma melodia bem diferenciada, que até chegava e lembrar um pouco, sim, o frevo do Recife, o samba foi muito gostoso de ouvir durante a maior parte do desfile. A letra é totalmente descritiva do enredo, na mesma ordem dos setores, e com referências muito bacanas à história do homenageado.

Alegorias e Adereços

Mas todos esses pontos positivos devem ficar em segundo plano após o que aconteceu com a última alegoria da escola. Quando ela quebrou antes de entrar na Avenida, tudo mudou para a Grande Rio. O que já pintava como um grande favoritismo se tornou um pouco de apreensão, misturada com tristeza.

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grande-rio_desfile_2018_54-9Afinal, o que havia passado antes tinha sido um baita trabalho de Renato e Márcia Lage na estreia da dupla na Grande Rio. O abre-alas, por exemplo, era a cara deles. Com as luzes verdes, brilhos prateados e uma escultura gigante de Chacrinha girando à frente – além de telas com grandes momentos dele espalhados pela alegoria.

O segundo carro, Discoteca do Chacrinha, extremamente colorido, e o terceiro, todo em verde e amarelo, Levantando o Troféu Abacaxi, mantiveram a característica. Mas quem brilhou mesmo foi a quarta alegoria, A Luta Pelos Bastidores, em preto e roxo, com um octógono (alô, UFC) no meio. Uma solução muito criativa e bem feita.

grande-rio_desfile_2018_63-4A quinta alegoria, Cassino do Chacrinha, tinha uma roleta e trazia diversos destaques. Mantendo a qualidade e o padrão estético dos anteriores. Pena que o sexto carro, que quebrou, O Carnaval Em Minha Vida, não entrou na Avenida. Porque ele seria um belo grand finale para o ótimo trabalho dos carnavalescos da Grande Rio.

O problema foi tão sério que o carro só saiu da concentração da escola rebocado, por dois reboques, e teve que cruzar a Sapucaí assim, carregado. E, para isso, ainda teve que ter suas partes laterais retiradas. Um triste fim para um desfile que tinha pinta de que poderia brigar nas cabeças.

grande-rio_desfile_2018_63-1Evolução

O quesito mais prejudicado foi a evolução. Primeiro, a escola ficou um tempão parada esperando o carro ser consertado. Não foi, então a escola teve que correr para tentar não estourar o tempo. Nesse ritmo, foram feitos vários buracos. Entre baianas e bateria no primeiro módulo, entre o quinto carro e a ala na frente nos módulos três e quatro…

Fora o fato de os componentes terem ficado visivelmente cansados e desanimados em grande parte da apresentação. E, claro, o desconto de 0,5 por conta da finalização do desfile com um total de 80 minutos. Ou seja, 5 a mais do que o máximo permitido pelo regulamento, que são 75.

grande-rio_desfile_2018_45-5Harmonia

A pena é só que, por causa do grave problema de evolução, o rendimento do canto da comunidade caiu. Começou bem demais, com alas bradando o samba – caso da Ala 1, da Ala 7 e da Ala 8. Porém, com o desfile demorando mais do que o esperado e toda a tensão pelo que estava acontecendo, o ritmo diminuiu.

Quem manteve a pegada durante o tempo todo foi o carro de som, comandado por Ney Matogrosso. Ops, Emerson Dias. Fantasiado em homenagem ao cantor da MPB, ele foi (mais uma vez) um dos grandes destaques do desfile da escola de Caxias. A cada ano, parece evoluir ainda mais e consolidar-se como um grande nome no carnaval carioca.

grande-rio_desfile_2018_34-9Enredo

No enredo, a escola também deve perder décimos por causa do carro quebrado. Mas só por isso. Porque Renato e Márcia Lage fizeram um ótimo trabalho de contar toda a história de Chacrinha na Avenida. Carros e fantasias de fácil leitura, setores que foram bem explicados e tudo como deve ser.

Certamente, quem assistiu Chacrinha, identificou as várias referências e até se animou e também se emocionou com o desfile. Desde a icônica comissão de frente até as alas e alegorias. “Vai para o trono ou não vai?” foi um tema desenvolvido com maestria pelo “Mago” Renato Lage e por Márcia Lage.

grande-rio_desfile_2018_73Abacaxi

A Grande Rio tinha tudo para “ir para o trono”, mas infelizmente teve que lidar com um grande abacaxi. É claro que ainda teremos muitas agremiações por vir, porém a escola complicou um desfile que estava lindo, de fácil leitura, animado… Sonhar com um título não era nenhum absurdo.

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