Cheiro de empate?

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Vai ser um grande carnaval, sem dúvida. Há pelo menos sete escolas que entram na avenida pensando seriamente em conquistar o título. Isso é fantástico!

Interessante é perceber que teremos uma variedade de estilos muito benéfica para o espetáculo. Quem dá uma voltinha pela passarela da Cidade do Samba (quem de nós não o faz – ou tem vontade?) vislumbra propostas estéticas diversificadas.

O refino e a limpeza de Renato Lage; o luxo e a grandiosidade da comissão de carnaval da
Beija-Flor; a leitura muito própria de Alex de Souza para a homenagem a Noel; a suntuosidade e o colorido de Max Lopes em sua volta à Imperatriz; o detalhismo e o bom gosto de uma Rosa Magalhães mais motivada; a ousadia no projeto dos jovens carnavalescos da Portela; os mistérios
ao que parece mais carnavalizados de Paulo Barros; a originalidade delirante de Cid Carvalho; o tom retrô modernoso da verde e rosa… e por aí vai.

Isso se reproduz nos sambas, que vão do encantamento emotivo da oração gresilense até a empolgação quase infantil (no bom sentido) do Salgueiro, passando pela construção diferente de Martinho da Vila e pela estrutura melódica mais densa da Beija-Flor. Há o retorno dos sambas alegres da Ilha e o que estão chamando de "samba para piranhar" (com todo respeito) da Mocidade, que contrasta com a letra
mais trabalhada da Viradouro. O que falar, então, da melodia envolvente do samba Mangueirense?

Talvez seja o ano mais difícil para se apontar os favoritos. E a mudança de regulamento (com a qual não concordo) facilita o nivelamento
no momento em que os erros eventuais não serão punidos, apenas os contínuos. Pequenas falhas serão descartadas e quem já estava muito próximo pode acabar empatando. É isso… este carnaval 2010 tem cheiro de empate. Será?

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As Escolas Mirins não aceitam a proposta de dividir seu espetáculo em dois dias como preliminar do acesso. É muito justo. Muita gente
ainda não entendeu a grandiosidade do evento. É, fácil, o dia em que o Sambódromo recebe maior público. Isso porque a entrada é grátis
e a rotatividade é enorme. São quarenta mil crianças desfilando e cada uma leva seus familiares. Imagina misturar com o acesso.
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Repito mais uma vez: o poder público precisa interferir, sim, no aspecto artístico da festa. Não se pode deixar todas as decisões nas mãos dos presidentes das escolas. Tanto do Especial quanto do Acesso. A legislação em causa própria não é benéfica para o carnaval.

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Peço desculpas aos leitores pela ausência neste espaço tão querido. O tempo é cada vez mais escasso em virtude do voume de trabalho
na preparação para o carnaval da Tupi. Conto com a audiência de vocês durante a festa!

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