Cid Carvalho: ‘temática afro nunca será repetitiva nos desfiles de escola de samba’

bangu_final2018_004O carnavalesco Cid Carvalho é um dos artistas de maior personalidade do carnaval. Sem se furtar de emitir opinião sobre qualquer assunto o artista, que em 2018 assina os desfiles da Beija-Flor e Unidos de Bangu, falou à reportagem do CARNAVALESCO a respeito do enredo da Vermelha e branca da Zona Oeste. Cid avalia que a temática afro nunca será repetitiva nos desfiles de escola de samba.

– Tenho lido alguns comentários no sentido de que será mais um enredo afro. Sim, será. Como se denunciar o que se fez e se faz com a raça negra neste país fosse desnecessário. Denunciamos e nada acontece. Eu tinha esse enredo na gaveta. Penso que nós brasileiros não somos herdeiros de escravos, mas de reis, rainhas e princesas africanos, que foram escravizados. Talvez, por isso, seja um povo que resiste e luta tanto. Está no sangue – diz Cid.

Em jornada dupla o carnavalesco Cid Carvalho diz que o segredo é a formação de equipes confiáveis nas duas escolas.

– Tenho meu pessoal muito bem distribuído tanto na Bangu quanto na Beija-Flor. Tenho a sorte de ter lá Cidade do Samba uma agremiação muito estruturada com uma comissão de carnaval, o que facilita essa divisão. Mas penso que o segredo são as equipes que formamos. Ninguém faz nada sozinho – declara.

Cid Carvalho não deixa de citar a crise como a grande inimiga do carnaval. Tanto no aspecto econômico, quanto no político. Mas o carnavalesco tem a receita para a saída.

– Arregaçar as mangas e trabalhar. Se estão imaginando que vão acabar com as escolas por causa de dinheiro vão se enganar. Vai dificultar muito, não posso ser hipócrita. Mas estou fazendo um carnaval baseado na reciclagem e no reaproveitamento. Fomos buscar materiais nas coirmãs. Penso ser esse o caminho para conseguir fazer um grande desfile – ressalta.