Coluna de Eugênio Leal

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Um bom desfile de escola de samba é contínuo, sem interrupções. Nada melhor do que sentir o cortejo deslizando à sua frente. Toda parada é prejudicial ao espetáculo. É por isso que as entidades que administram o desfile e as Escolas de Samba precisam imediatamente refletir sobre o assunto.

A transformação das comissões de frente em espetáculos que acontecem em frente às cabines de jurados criou um grave problema para fluidez dos desfiles: fez com que a escola pare pelo menos dez vezes!

Além das comissões de frente, os casais de mestre-sala e porta-bandeira também se apresentam especificamente nestes módulos (que foram cinco nos últimos carnavais). Contando que cadaum deles leva cerca de dois minutos em frente aos julgadores, temos vinte minutos de escola parada na pista – uma verdadeira eternidade! Sem falar nas entradas e saídas das baterias dos recuos.

Isso se agrava para o público em função de que eles (comissões e casais) têm sido colocados em sequência, o que faz com que os espectadores que não estão em frente aos julgadores vejam a mesma coisa por quase cinco minutos. É muito pouco dinâmico e atrativo, além de desmotivar os desfilantes. Uma escola sempre é mais alegre e vibrante quando está em progressão. Isso afeta diretamente os quesitos evolução e harmonia.

Há reclamações nos cadernos dos julgadores deste ano do pouco tempo que alguns casais tiveram para se apresentar e isso deve ser creditado exatamente a esta questão. O “anda e para” constante atrapalha também as escolas maiores que encontram dificuldades com a cronometragem.

O desafio de diminuir o número de paradas não é tão complicado assim. Em primeiro lugar é preciso reduzir o número de cabines ao longo da pista. Cinco é um exagero. Parece que a LIESA já estuda esta possibilidade. Outra coisa, simples, que pode ser feita é manter sempre a mesma distância entre os módulos. Desta forma as escolas poderão posicionar os casais no meio do desfile e fazer com que eles se apresentem simultaneamente às comissões, só que para o jurado anterior. Quando a comissão estiver na segunda

cabine, o casal estará na primeira. E assim por diante até o último módulo. Isso trará mais dinamismo, alegria e beleza ao espetáculo. Seriam quatro paradas de dois minutos, totalizando oito minutos de escola sem evoluir – doze a menos do que temos hoje! É uma medida pra lá de simples: basta dividir a pista por quatro e ver qual deve ser a distância entre os módulos.

Enquanto isso não acontece, ganhará agilidade a escola que conseguir efetivamente integrar o casal à comissão fazendo com que se apresentam em conjunto. Pode parecer loucura, mas sem inventividade não há arte!

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