Com a emoção de homenagear Luizito, Ciganerey é anunciado como novo intérprete da Mangueira

Com o chapéu sobre o peito, lenços e balões brancos nas mãos e os versos da 'Canção da América' ecoando pela quadra, a Mangueira homenageou na noite deste sábado, durante seu ensaio e sua disputa de samba, o intérprete Luizito, falecido no domingo passado, vítima de um infarto. Os segmentos da Verde e Rosa se reuniram para também para dar as boas-vindas ao intérprete Ciganerey, que fazia parte da equipe de apoio do carro de som da escola e assume o posto de intérprete da escola.

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O presidente da Mangueira, Francisco de Carvalho, o Chiquinho, contou em entrevista ao CARNAVALESCO que a opção por Ciganerey foi sua: – Tivemos o luto de três dias e voltamos às atividades na sexta. Hoje, prestamos uma grande homenagem ao Luizito e na segunda teremos a missa de sétimo dia. A vida continua: perdemos a voz, mas não perdemos as pernas. Temos que continuar caminhando. A escolha pelo Ciganerey foi minha, não pensei em nenhuma outra pessoa. Se o Luizito era o nosso segundo cantor quando o Jamelão saiu, temos que ser coerente com aquilo que nos propomos. O Ciganerey está preparado, sabe da responsabilidade que tem e não tive nenhuma dúvida em indicar o nome dele – afirmou Chiquinho.

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A diretoria da Mangueira vestiu uma camiseta com os dizeres 'Chegou a garra, chegou a emoção', o famoso grito de guerra de Luizito. Antes da estreia de Ciganerey, os segmentos da escola fizeram uma ciranda em volta do símbolo da Mangueira localizado no chão do centro da quadra e cantaram a 'Canção da América', de Milton Nascimento, soltando aos poucos os balões brancos em homenagem ao intérprete Luizito. Ao fim da canção, a bateria rufou e todos os presentes levantaram lenços brancos ao alto. Além disso, um banner com a foto de Luizito e os dizeres 'Obrigado, Luizito! Cantaremos Bethânia por você! Lutaremos com todas as nossas forças para ganhar esse Carnaval!' foi colocado no palco do Palácio do Samba, junto com uma foto do cantor. Para completar a homenagem, os integrantes do carro de som relembraram sambas antigos da escola que Luizito costumava cantar nas apresentações.

Ciganerey: 'Um dia muito especial na minha vida'

O anúncio de Ciganerey como novo intérprete oficial da Mangueira ocorreu após a 'Canção da América' e dos sambas antigos da escola. Ciganerey agradeceu a oportunidade e entoou o hino oficial da escola referente ao Carnaval 2015. Ele foi conduzido ao palco pelas baianas da escola, em um cortejo que o deixou muito emocionado, conforme ele contou ao CARNAVALESCO: – A emoção é muito grande, porque a Mangueira é uma escola muito grande e a gente tem que tratar com todo o carinho e respeito. Hoje é um dia muito especial na minha vida. Acho que essa semana que passou foi ruim pra todo mangueirense, a perda do Luizito foi algo muito triste. Ele era jovem. Se assim papai do céu definiu, nós aqui só temos que exaltar cada vez mais o nome dele – afirmou.

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O novo intérprete oficial da Verde e Rosa incluiu em seu próprio grito de guerra o bordão de Luizito, estampado também em sua camiseta.

Intérprete não deve cantar pelo Paraíso do Tuiuti

Com a estreia na Mangueira, Ciganerey deve se despedir do cargo de intérprete do Paraíso do Tuiuti, agremiação da Série A, em que dividiria o posto com o cantor Daniel Silva para 2016. Ele foi anunciado na final de samba da escola: – Acredito que o regulamento não permite que eu seja intérprete. Vou ter que, de repente, deixar de fazer o trabalho com o Daniel Silva no Paraíso do Tuiuti – afirmou Ciganerey.

Evelyn Bastos: 'É um sábado muito difícil'

A rainha de bateria da Mangueira, Evelyn Bastos, contou ao CARNAVALESCO que o sábado foi um dia difícil para o mangueirense. Há exatamente uma semana atrás, Luizito cantava pela última vez no palco do Palácio do Samba. O intérprete faleceu horas depois de marcar presença no ensaio e na disputa de samba: – Foi uma semana em que a fé teve de multiplicar dentro da gente para que colocassemos na cabeça tudo aquilo que o Luizito fez de bom não só na vida dele, como também pra Mangueira. Hoje ainda é um sábado muito difícil, mas a vida é de superação no dia a dia. A força vem de Deus e da fé que a gente carrega dentro da gente. Que fique em mim tudo de bom que ele fez, cada palavra e cada conselho que ele me deu. Achei a escolha do Ciganerey louvável, ele já era do carro de som e acompanhava o Luizito há um tempo. Ele é prata da casa, é parte da Mangueira. Desejo a ele muita sorte, muita luz e muita benção e que ele esteja junto conosco nessa batalha para conquistarmos o título para 2016.

Squel e Raphael reafirmam relação próxima a Luizito e recepcionam Ciganerey

O casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mangueira, Raphael e Squel, tinha Luizito como seu defensor dentro da escola. Por conta da relação muito próxima com o intérprete e da grande amizade que os três construíram juntos, Squel estava muito emocionada nesta noite de sábado. Ela revelou ao CARNAVALESCO que protelou a entrada na quadra e que acredita que Luizito está abençoando o novo intérprete mangueirense: – Até protelei um pouquinho para entrar na quadra hoje. É um momento do mangueirense dar a mão e o ombro ao outro e tentar seguir em frente pelo Luizito, ele merece. Merece todas as homenagens e merece que sejamos fortes por ele para fazer um bom carnaval. Eu amei a escolha do Ciganerey, ele é gente finíssima, um ser humano muito especial e um cantor excelente. Fico feliz por ele, ele merece essa oportunidade e está substituindo um amigo. Sei que o Luizito está abençoando o Ciganerey também – afirmou Squel.

Raphael também era muito próximo de Luizito e conta que eles tinham uma relação de pai e filho. Eles dividam o samba da Mangueira para o ano de 2011, em homenagem a Nelson Cavaquinho, como uma canção especial para os dois. Raphael conta que sentirá muitas saudades de Luizito quando ouvir o samba na quadra e estiver dançando com Squel: – Infelizmente, Deus quis assim. Luizito vai fazer muita falta, gostava demais dele. Onde ele está, está muito melhor que nós e está olhando pelos mangueirenses. A minha relação com o Luizito era de pai e filho. Ele me chamava de 'meu bailarino' e 'pretinho. A gente se falava todos os dias no telefone e eu vou sentir muita falta dele. A gente tem um samba em especial, que é o do Nelson Cavaquinho, e toda vez que ele cantava esse samba ele olhava pra mim e a gente cantava junto. A escolha do Ciganerey foi uma excelente sacada do presidente, porque ele já é da casa e sabe como funciona, já é querido por todo mundo, além de ser uma excelente voz.

Após a homenagem e a estreia de Ciganerey como intérprete da escola, a Mangueira deu prosseguimento à sua disputa de samba rumo ao Carnaval 2016, quando homenageará a cantora Maria Bethânia com o enredo 'Maria Bethânia – A Menina dos Olhos de Oyá', encerrando os desfiles na segunda-feira de carnaval.