Com as bençãos de São Jorge, Tatuapé encerra o carnaval de São Paulo

 

 

Contando com um samba-enredo de qualidade e com sua dupla de intérpretes bem entrosada, a Acadêmicos do Tatuapé encerrou o Carnaval paulistano com uma apresentação sem grandes problemas. Com fantasias e alegorias simples, porém bem acabadas, a agremiação contou em seu desfile a história de São Jorge Guerreiro, já com o dia claro na capital paulista. A escola enfrentou alguns problemas de evolução, principalmente no último setor da escola, quando abriu-se um considerável espaço entre a última ala e o quinto carro alegórico.

A Comissão de Frente mostrou o surgimento de um menino valente e guerreiro que ficou conhecido como Jorge da Capadócia. O elemento cenográfico com pedras características do local de nascimento de Jorge, além de belos cavalos, deu um charme na apresentação. O primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira , Diego e Jussara, representou a luta do bem contra o mal. A fantasia, dividida em duas partes, mostrava na parte de cima o branco do bem e na parte de baixo o mal representado pelas cores do fogo.

A famosa luta de São Jorge contra o dragão do mal aparece logo no carro Abre-Alas da Tatuapé. O carro com a reprodução de um castelo em ruínas mostrou o embate entre o herói e seu algoz. Tudo foi ambientado na época de Jorge. Os componentes do estavam vestidos de romanos e até o tatu, mascote da escola, entrou na brincadeira do carnavalesco e apareceu como um bravo guerreiro de Roma.

O segundo setor da escola mostrou a devoção dos portugueses por São Jorge, padroeiro dos lusitanos. Uma caravela mostrou como o santo veio parar no Brasil se tornando um dos mais populares do país. Os brasões de Portugal e a coroa do Império vieram logo na parte da frente e duas esculturas de padres portugueses que chegaram ao Brasil junto com a família real, no início do século 19.

No terceiro setor, a ala coreografada “Escolas de Samba” prestou uma homenagem às agremiações que tem Jorge como padroeiro. O santo, muito popular no mundo do samba, é o guia de Beija-Flor, União da Ilha, Camisa Verde e Branco, Gaviões da Fiel, da própria Tatuapé, entre outras. Ogum, representação de São Jorge nas religiões afro-brasileira, foi mostrado no terceiro carro da Tatuapé. Sob o olhar de Oxalá, que seria o grande Deus, a terceira alegoria mostrou o culto dos congas.

A fantasia azul e branca das baianas representou o sincretismo religioso, onde os escravos obrigados a praticar a fé cristã, disfarçavam o culto a seus orixás louvando santos católicos. A cor azul, de Ogum e branco, da paz, coincidentemente, são as mesmas da agremiação. A quarta alegoria mostrou a presença de São Jorge nas artes e as homenagens que o santo recebeu ao longo do tempo nas mais variadas formas de arte. Além da música, cinema, literatura, pintura, televisão e do teatro, a escola mostrou a devoção em forma de arte. As tatuagens pintadas na pele de milhares de devotos foram lembradas pelo carnavalesco.

O Rio de Janeiro, cidade que mais deve possuir devotos de Jorge por metro quadrado, foi lembrado no último setor do desfile. Pontos turísticos da capital fluminense deram o toque carioca ao figurino dos componentes coreografados. A tradicional imagem do santo guerreiro montado em seu cavalo na lua foi lembrada na última alegoria da escola. Como no Abre-Alas, mais uma vez o mascote da Tatuapé apareceu. Dessa vez, a simpática figura trazia uma oração de São Jorge. Os cavaleiros do exército brasileiro, que têm no santo guerreiro, seu patrono, foram homenageados na fantasia da bateria de mestre Higor Silva.

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